quinta-feira, 26 de setembro de 2019

O Céu e o Inferno


"O temor do Senhor é o começo da sabedoria; sábios são aqueles que o adora. Sua glória subsiste eternamente". -( Salmos, 110: 10 )-




Amados irmãos, bom dia!
Felizes os que temem ao Senhor. Felizes os que o reconhecem e lhe são gratos pela vida que dele recebem.




24. A Nova Revelação, dando noções mais sensatas da vida futura e provando que podemos, cada um de nós, promover a felicidade pelas próprias obras, deve encontrar tremenda oposição, tanto mais viva por estancar uma das mais rendosas fontes de receita. E assim tem sido, sempre que uma nova descoberta ou invento abala costumes inveterados e preestabelecidos. Quem vive de velhos e custosos processos jamais deixa de preconizar-lhes a superioridade e excelência e de desacreditar os novos, mais econômicos. Acreditar-se-á, por exemplo, que a imprensa, apesar dos benefícios prestados à sociedade, tenha sido aclamada pela classe dos copistas? Não, certamente eles deveriam profligá-la. O mesmo se tem dado em relação a maquinismos, caminho de ferro e centenares de outras descobertas e aplicações. Aos olhos dos incrédulos o dogma da eternidade das penas afigura-se futilidade da qual se riem; para o filósofo esse dogma tem uma gravidade social pelos abusos que acoroçoa, ao passo que o homem verdadeiramente religioso tem a dignidade da religião interessada na destruição dos abusos que tal dogma origina, e da sua causa, enfim.




Que a graça e a paz sejam conosco!

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

O Céu e o Inferno


"No dia de teu nascimento, já possuía a realeza no esplendor da santidade; semelhante ao orvalho que eu gerei antes da aurora". -( Salmos, 109: 3 )-




Amados irmãos, bom dia!
Somos chamados à santidade, pois, fomos criados à imagem e semelhança do nosso Senhor.




23. A crença é um ato de entendimento que, por isso mesmo, não pode ser imposta. Se, durante certo período da Humanidade, o dogma da eternidade das penas se manteve inofensivo e benéfico mesmo, chegou o momento de tornar-se perigoso. Imposto como verdade absoluta, quando a razão o repele, ou o homem quer acreditar e procura uma crença mais racional, afastando-se dos que o professam, ou, então, descrê absolutamente de tudo. Quem quer que estude o assunto, calmamente, verá que, em nossos dias, o dogma da eternidade das penas tem feito mais ateus e materialistas do que todos os filósofos. As idéias seguem um curso incessantemente progressivo, e absurdo é querer governar os homens desviando-os desse curso; pretender contê-los, retroceder ou simplesmente parar enquanto ele avança, é condenar-se, é perder-se. Seguir ou deixar de seguir essa evolução é uma questão devida ou de morte para as religiões como para os governos. Este fatalismo é um bem ou um mal? Para os que vivem do passado, vendo-o aniquilar-se, será um mal; mas para os que vivem pelo futuro é uma lei do progresso, de Deus em suma. E contra uma lei de Deus é inútil toda revolta, impossível a luta. Para que, pois, sustentar a todo o transe uma crença que se dissolve em desuso fazendo mais danos que benefícios à religião? Ah! contrista dizê-lo, mas uma questão material domina aqui a questão religiosa. Esta crença tem sido grandemente explorada pela idéia de que com dinheiro se abrem as portas do céu, livrando das do inferno. As quantias por estes meios arrecadadas, outrora e ainda hoje, são incalculáveis, e verdadeiramente fabuloso o imposto prévio pago ao temor da eternidade. E sendo facultativo tal imposto, a renda é sempre proporcional à crença; extinta esta, improdutivo será aquele. De bom grado cede a criança o bolo a quem lhe promete afugentar o lobisomem, mas se a criança já não acreditar em lobisomens, guardará o bolo.





Que a graça e a paz sejam conosco!

terça-feira, 24 de setembro de 2019

O Céu e o Inferno


"Que reconheçam aqui a vossa mão, saibam que fôstes vós que assim fizestes". -( Salmos, 108: 27 )-




Amados irmãos, bom dia!
Que saibamos reconhecer as obras maravilhosas do Senhor e os seus preciosos cuidados para conosco.




A DOUTRINA DAS PENAS ETERNAS FEZ SUA ÉPOCA

22. A crença na eternidade das penas prevaleceu salutarmente enquanto os homens não tiveram ao seu alcance a compreensão do poder moral. É o que sucede com as crianças durante certo tempo contidas pela ameaça de seres quiméricos com os quais são intimidadas: — chegadas ao período do raciocínio, repelem por si mesmas essas quimeras da infância, tornando-se absurdo o querer governá-las por tais meios. Se os que as dirigem pretendessem incutir-lhes ainda a veracidade de tais fábulas, certo decairiam da sua confiança. É isso que se dá hoje com a Humanidade, saindo da infância e abandonando, por assim dizer, os cueiros. O homem não é mais passivo instrumento vergado à força material, nem o ente crédulo de outrora que tudo aceitava de olhos fechados.




Que a graça e a paz sejam conosco!

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

O Céu e o Inferno


"Entre os povos, Senhor, vos louvarei; salmodiarei a vós entre as nações". -( Salmos, 107: 4 )-




Amados irmãos, bom dia!
Como é maravilhoso acordar e ter todos os motivos para louvar ao Senhor.




21. O dogma da eternidade absoluta das penas é, portanto, incompatível com o progresso das almas, ao qual opõe uma barreira insuperável. Esses dois princípios destroem-se, e a condição indeclinável da existência de um é o aniquilamento do outro. Qual dos dois existe de fato? A lei do progresso é evidente: não é uma teoria, é um fato corroborado pela experiência: é uma lei da Natureza, divina, imprescritível. E, pois, que esta lei existe inconciliável com a outra, é porque a outra não existe. Se o dogma das penas eternas existisse verdadeiramente, Santo Agostinho, S. Paulo e tantos outros jamais teriam visto o céu, caso morressem antes de realizar o progresso que lhes trouxe a conversão. A esta última asserção respondem que a conversão dessas santas personagens não é um resultado do progresso da alma, porém, da graça que lhes foi concedida e de que foram tocadas. Porém, isto é simples jogo de palavras. Se esses santos praticaram o mal e depois o bem, é que melhoraram; logo, progrediram. E por que lhes teria Deus concedido como especial favor a graça de se corrigirem? Sim, por que a ele se não a outros? Sempre, sempre a doutrina dos privilégios, incompatível com a justiça de Deus e com seu igual amor por todas as criaturas.
Segundo a Doutrina Espírita, de acordo mesmo com as palavras do Evangelho, com a lógica e com a mais rigorosa justiça, o homem é o filho de suas obras, durante esta vida e depois da morte, nada devendo ao favoritismo: Deus o recompensa pelos esforços e pune pela negligência, isto por tanto tempo quanto nela persistir.




Que a graça e a paz sejam conosco!



domingo, 22 de setembro de 2019

O Céu e o Inferno


"Louvai o Senhor, porque ele é bom. Porque eterna é a sua misericórdia". -( Salmos, 106: 1 )-




Amados irmãos, bom dia!
Basta olhar para nossas vidas que veremos todos os motivos para louvar ao Senhor.




20. Figuremos um rapaz de 20 anos, desses que comumente se encontram, ignorante, viciado por índole, céptico, negando sua alma e a Deus, entregue à desordem e cometendo toda sorte de malvadeza. Esse rapaz encontra-se, depois, num meio favorável, melhor; trabalha, instrui-se, corrige-se gradualmente e acaba por tornar-se crente e piedoso. Eis aí um exemplo palpável do progresso da alma durante a vida, exemplo que se reproduz todos os dias. Esse homem morre em avançada idade, como um santo, e naturalmente certa se lhe torna a salvação. Mas qual seria a sua sorte se um acidente lhe pusesse termo à existência, trinta ou quarenta anos mais cedo? Ele estava nas condições exigidas para ser condenado, e, se o fosse, todo o progresso se lhe tornaria impossível. E assim, segundo a doutrina das penas eternas, teremos um homem salvo somente pela circunstância de viver mais tempo, circunstância, aliás, fragilíssima, uma vez que um acidente qualquer poderia tê-la anulado fortuitamente. Desde que sua alma pôde progredir em um tempo dado, por que razão não mais poderia progredir depois da morte, se uma causa alheia à sua vontade a tivesse impedido de fazê-lo durante a vida? Por que lhe recusaria Deus os meios
de regenerar-se na outra vida, concedendo-lhos nesta? Neste caso, o arrependimento veio, posto que tardio; mas se desde o momento da morte se impusesse irrevogável condenação, esse arrependimento seria infrutífero por todo o sempre, como destruídas seriam as aptidões dessa alma para o progresso, para o bem.





Que a graça e a paz sejam conosco!

sábado, 21 de setembro de 2019

O Céu e o Inferno


"Felizes aqueles que observam os preceitos, aqueles que, em todo o tempo, fazem o que é reto". -( Salmos, 105: 3 )-




Amados irmãos, bom dia!
Que nossa alegria esteja no fazer o bem e no bom proceder. Isso é agradável a Deus e nos eleva interiormente.




19. É incontestável que a alma atrasada moral e intelectualmente, como a dos povos bárbaros, não pode ter os mesmos elementos de felicidade, as mesmas aptidões para gozar dos esplendores do Infinito, como a alma cujas faculdades estão largamente desenvolvidas. Se, portanto, estas almas não progredirem, não podem em condições mais favoráveis gozar na eternidade senão de uma felicidade, por assim dizer, negativa.
Para estar de acordo com a rigorosa justiça, chegaremos, pois, à conclusão de que as almas mais adiantadas são as atrasadas de outro tempo, com progressos posteriormente realizados. Mas, aqui atingimos a questão magna da pluralidade das existências como meio único e racional de resolver a dificuldade. Façamos abstração, porém, dessa questão e consideremos a alma sob o ponto de vista de uma única existência.




Que a graça e a paz sejam conosco!

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

O Céu e o Inferno


"Celebrai o Senhor, aclamai o seu nome. apregoai entre as nações as suas obras". -( Salmos, 104: 1 )-




Amados irmãos, bom dia!
A cada amanhecer temos renovada as promessas e os cuidados do Senhor para conosco, portanto, sejamos-lhe gratos e que o seu louvor esteja continuamente em nossos lábios e em nossos corações.




IMPOSSIBILIDADE MATERIAL DAS PENAS ETERNAS

18. Até aqui, só temos combatido o dogma das penas eternas com o raciocínio. Demonstremo-lo agora em contradição com os fatos positivos que observamos, provando-lhe a impossibilidade. Por este dogma a sorte das almas, irrevogavelmente fixada depois da morte, é, como tal, um travão definitivo aplicado ao progresso. Ora, a alma progride ou não? Eis a questão: — Se progride, a eternidade das penas é impossível. E poder-se-á duvidar desse progresso, vendo a variedade enorme de aptidões morais e intelectuais existentes sobre a Terra, desde o selvagem ao homem civilizado, aferindo a diferença apresentada por um povo de um a outro século? Se se admite não ser das mesmas almas, é força admitir que Deus criou almas em todos os graus de adiantamento, segundo os tempos e lugares, favorecendo umas e destinando outras a perpétua inferioridade — o que seria incompatível com a justiça, que, aliás, deve ser igual para todas as criaturas.




Que a graça e a paz sejam conosco!