segunda-feira, 19 de agosto de 2019

O Céu e o Inferno


"Oh! como Deus é bom para os corações retos e o Senhor para aqueles que tem o coração puro". -( Salmos, 72: 1 )-




Amados irmãos, bom dia!
Sobre todos faz o Senhor brilhar o sol; bons ou maus, mas, aos de coração puro os abençoa.




10. “Ao entrar, Telêmaco ouve gemidos de uma sombra inconsolável. Qual é, perguntava-lhe, a vossa desgraça? Quem fostes na Terra? Nabofarzan, responde a sombra, rei da soberba Babilônia. Ao ouvir meu nome tremiam todos ospovos do Oriente; fazia-me adorar pelos babilônios num templo todo de mármore, representado por uma estátua de ouro, a cujos pés se queimavam noite e dia os preciosos perfumes da Etiópia; jamais alguém ousou contradizer-me sem de pronto ser punido; inventavam-se dia a dia prazeres novos para tornar-me a vida mais e mais deliciosa.
“Moço e robusto, quantos, oh! quantos prazeres me restavam ainda por usufruir no trono! Mas certa mulher, que eu amava e que me não correspondia, fez-me sentir claramente que eu não era um deus: — envenenou-me, e...nada mais sou. As minhas cinzas foram ontem encerradas com pompa em urna de ouro: choraram, arrancaram cabelos, pretenderam fingidamente atirar-se às chamas da minha fogueira, a fim de morrerem comigo, vão ainda gemer junto do túmulo das minhas cinzas, mas ninguém me deplora; a minha memória horroriza a própria família, enquanto aqui em baixo sofro já horríveis suplícios. Telêmaco, compungido ante esse espetáculo, diz-lhe: Éreis vós verdadeiramente feliz durante o vosso reinado? Sentíeis porventura essa paz suave sem a qual o coração se conserva opresso e abatido em meio das delícias? — Não,respondeu o babilônio; — não sei mesmo o que quereis dizer. Os sábios exaltam essa paz como bem único; quanto à raiva, nunca a senti, meu coração agitava-se continuamente por novos desejos de temor e de esperança. Procurava aturdir-me com o abalo das próprias paixões, tendo o cuidado
de entreter essa embriaguez para torná-la permanente, contínua; o menor intervalo de razão, de calma, ser-me-ia muito amargo. Eis a paz que fruí; qualquer outra parece-me antes uma fábula, um sonho. São esses os bens que choro. “Assim falando, o babilônio chorava qual homem pusilânime, enervado pelas prosperidades, desabituado de suportar resignadamente uma desgraça. Havia junto dele alguns escravos mortos em homenagem honrosa aos seus funerais. Mercúrio os entregara a Caronte com o seu rei, outorgando-lhes poder absoluto sobre esse rei, a quem tinham servido na Terra. Essas sombras de escravos não temiam a sombra de Nabofarzan, que retinham encadeada, infligindo-lhe as mais cruéis afrontas. Dizia-lhe uma: “Não éramos nós homens iguais a ti? Insensato que eras, julga-vas-te um deus, a ponto de esqueceres a tua origem comum a todos os homens.” “Outra, para insultá-lo, dizia: — Tinhas razão em não querer que por homem te houvessem, porque na verdade eras um monstro desumano. Ainda outra: — Então?! onde estão agora os teus aduladores? nada mais tens a dar, desgraçado! nem mesmo o mal podes fazer mais: eis-te reduzido a escravo dos teus escravos. A justiça dos deuses tarda, mas não falha. A estas frases duras Nabofarzan se rojava por terra, arrancando os cabelos em acesso de raiva e desespero. Mas Caronte instigava os escravos: Arrastem-no pela corrente, levantem-no contra a vontade. Não possa ele consolar-se escondendo a sua vergonha: preciso é que todas as sombras do Estige a testemunhem como justificativa aos deuses, que por tanto tempo toleraram o reinado terreno deste ímpio. E ele avista logo, bem perto de si, o negro Tártaro evolando escuro e espesso fumo, cujo cheiro mefítico daria a morte se se espalhasse pela morada dos vivos. Esse fumo envolvia um rio de fogo, um turbilhão de chamas, cujo ruído, semelhante às torrentes mais caudalosas quando se despenham de altos rochedos em profundos abismos, concorria para que nada se ouvisse nesses lugares tenebrosos. Telêmaco, secretamente animado por Minerva, entra sem medo nesse báratro. Viu primeiramente um grande número de homens que tinham vivido nas mais humildes condições, punidos por haverem procurado riquezas por meio defraudes, traições e crueldade. Aí notou muitos ímpios hipócritas que, simulando amar a religião, dela se tinham servido como de um belo pretexto para satisfazerem ambições e zombarem dos crédulos: os que haviam abusado até da própria Virtude, o maior dom dos deuses, eram punidos como os mais celerados de todos os homens. Os filhos que haviam degolado seus pais; as esposas que mancharam as mãos no sangue dos maridos; os traidores que venderam a pátria, violando todos os juramentos, sofriam, apesar de tudo, penas menores que aqueles hipócritas. “Os três juízes infernais assim o queriam, por esta razão: os hipócritas não se contentam com ser maus como os demais ímpios, porém querem passar por bons e concorrem por sua falsa virtude para a descrença e corrupção da verdade. Os deuses, por eles zombados e desprezados perante os homens, empregam com prazer todo o seu poderio para se vingarem de tais insultos. “Perto destes, outros homens aparecem, que vulgarmente se julgam isentos de culpa, mas que os deuses perseguem desapiedadamente: são os ingratos, os mentirosos, os aduladores que louvaram o vício, os críticos perversos que procuraram enodoar a mais pura virtude; enfim aqueles que, julgando temerariamente das coisas, sem as conhecer a fundo, prejudicaram por isso a reputação dos inocentes. “Telêmaco, vendo os três juízes sentados a condenarem um homem, ousou perguntar-lhes quais os seus crimes. O condenado, tomando a palavra, de pronto exclamava: Nunca fiz mal algum; todo o meu prazer era praticar o bem: fui sempre generoso, justo, liberal e compassivo; que se pode, pois, exprobrar-me? “Minos então lhe disse: Nenhuma acusação se te faz quanto aos homens, porém a estes menos não devias que aos deuses? Que justiça, pois, é essa de que te vanglorias? Para com os homens, que nada são, não faltaste jamais a qualquer dever; foste virtuoso, é certo, mas só atribuíste essa virtude a ti próprio, esquecendo os deuses que ta deram, tudo porque querias gozar do fruto da tua virtude encerrado em ti mesmo: foste a tua divindade. Mas os deuses, que tudo fizeram, e o fizeram para si, não podem renunciar aos seus direitos; e, pois que quiseste pertencer-te e não a eles, entregar-te-ão a ti mesmo, esquecidos de ti como deles te esqueceste. Procura agora, se podes, o consolo em teu próprio coração. Eis-te agora para sempre separado dos homens, aos quais querias agradar; eis-te só contigo, tu que eras o teu ídolo: fica sabendo que não há verdadeira virtude sem respeito e amor aos deuses, a quem tudo é devido. A tua falsa virtude, que por muitos anos deslumbrou os ingênuos, vai ser confundida. Não julgando os homens o vício e a virtude senão pelo que lhes agrada ou os incomoda, são cegos quanto ao bem e quanto ao mal. Aqui, uma luz divina derroga seus julgamentos artificiais, condenando muita vez o que eles admiram, e outras vezes justificando o que condenam. “A estas palavras, o filósofo, como que ferido por um raio, mal podia suster-se. O deleite que tivera outrora em rever a sua moderação, a coragem, as inclinações generosas, transformavam-se em desespero. A visão do próprio coração inimigo dos deuses promove-lhe suplícios; vê, e não pode deixar de se ver; vê a vaidade dos preconceitos humanos, aos quais buscava lisonjear em todas as suas ações. Opera-se uma revolução radical em todo o seu íntimo, como se lhe revolvessem todas as entranhas; reconhece-se outro; não encontra apoio no coração; a consciência, cujo testemunho tão agradável lhe fora, revolta-se contra ele, incriminando-lhe amargamente o desvario, a ilusão de todas as suas virtudes, que não tiveram por princípio e por fim o culto da Divindade, e ei-lo perturbado, consternado, preso da vergonha, do remorso, do desespero. As Fúrias não o atormentam, bastando-lhes o terem-na entregado a si próprio, para que expie pelo coração a vingança dos deuses desprezados.“Procurando a treva não pode encontrá-la, porquanto inoportuna luz o segue por toda parte; de todos os lados os raios penetrantes da verdade vingam a verdade que ele desdenhou seguir. Tudo que amava se lhe torna odioso como fonte dos seus males infindáveis. Murmura consigo: Ó insensato! não conheci, pois, nem os deuses, nem os homens, nem a mim mesmo, porque jamais amei o verdadeiro e único bem; todos os meus passos foram tresloucados; a minha sabedoria não passava de loucura; a minha virtude mais não era que o orgulho impiedoso e cego: — eu era enfim o meu ídolo! “Finalmente reconheceu Telêmaco os reis condenados por abuso de poder. De um lado, vingadora Fúria apresentava-lhes um espelho a refletir a monstruosidade dos seus vícios: aí viam, sem poder desviar os olhos, a vaidade grosseira e ávida de ridículos louvores; a crueldade para com aqueles a quem deveriam ter feito felizes; o temor da verdade, a insensibilidade para com as virtudes, a predileção pelos cobardes e aduladores, a falta de aplicação, a inércia, a indolência; a desconfiança ilimitada; o fausto e a magnificência excessivos calcados sobre a ruína dos povos; a ambição de glórias vás à custa do sangue dos concidadãos; afereza, enfim, que procura a cada dia novas delícias nas lágrimas e no desespero de tantos infelizes. Esses reis reviam-se constantemente nesse espelho, achando-se mais monstruosos e horrendos que a própria Quimera vencida por Belerofonte, que a Hidra de Lerna abatida por Hércules e que Cérbero vomitando por suas três goelas um sangue negro e venenoso, capaz de empestar todas as raças de mortais que vivem sobre a Terra. “De outro lado, outra Fúria lhes repetia injuriosamente todos os louvores que os lisonjeiros lhes dispensavam em vida e mostrava-lhes ainda outro espelho em que se viam tais como a lisonja os pintara. Da antítese dos dois quadros brotava o suplício do amor-próprio. Era para notar que os piores dentre esses reis, foram os que tiveram maiores e mais fulgentes louvores durante a vida, por isso que os maus são mais temidos que os bons e exigem impudicamente as vis adulações dos poetas e oradores do seu tempo. “Na profundeza dessas trevas, onde só insultos e escárnios padecem, ouvem-se-lhes os gemidos agoniados. Nada os cerca que os não repila, contradiga e confunda em contraste ao que supunham na vida, zombando dos homens, convictos de que tudo era feito para servi-los. No Tártaro, entregues a todos os caprichos de certos escravos, estes lhes fazem provar por sua vez a mais cruel servidão; humilhados dolorosamente, não lhes resta esperança alguma de modificar ou abrandar o cativeiro. Qual bigorna sob as marteladas dos Cíclopes, quando Vulcano os acoroçoanas fornalhas incandescentes do Monte Etna, assim permanecem, mercê das pancadas desses escravos transformados em verdugos. “Aí viu Telêmaco pálidos semblantes, hediondos e consternados. Negra tristeza essa que consome estes criminosos, horrorizados de si próprios, sem poderem dela despojar-se como da própria natureza; não têm outro castigo às suas faltas que não as mesmas faltas; vêem-se incessantemente na plenitude da sua enormidade, apresentando-se-lhes sob a forma de espectros horríveis que os perseguem. Procurando eximir-se a essa perseguição, buscam morte mais potente do que a que os separou do corpo. Desesperados, invocam uma morte capaz de extinguir-lhes a consciência: pedem aos abismos que os absorvam, a fim de se furtarem aos raios vingadores da verdade que os atormenta, mas continuam votados à vingança que sobre eles destila gota a gota e que jamais estancará. A verdade que temem ver constitui-se em suplício; vêem-na, contudo, e só têm olhos para vê-la erguer-se contra eles, ferindo-os, despedaçando-os, arrancando-os de si mesmos, como o raio, sem nada destruir-lhes exteriormente, a penetrar-lhes o âmago das entranhas.“Entre os seres que lhe eriçavam os cabelos, viu Telêmaco vários e antigos reis da Lídia punidos por haverem preferido ao trabalho as delícias de uma vida inativa, quando aquele deve ser o consolo dos povos e, como tal, inseparável da realeza.“Estes reis lastimavam-se reciprocamente a cegueira. Dizia um a outro, que fora seu filho: Não vos tinha eu recomendado tantas vezes durante a vida e ainda antes da morte que reparásseis os males ocorridos por negligência minha? — Ah! desgraçado pai! — dizia o filho —, fostes vós que me perdestes! foi o vosso exemplo que me inspirou o fausto, o orgulho, a voluptuosidade e a crueldade para com os homens! Vendo-vos governar com tanta incúria, cercado de aduladores infames, habituei-me a prezar a lisonja e os prazeres. “Acreditei que os homens eram para os reis o que os cavalos e outros animais de carga são para aqueles, isto é, animais que só se consideram enquanto proporcionam serviços e comodidades. “Acreditei-o, e fostes vós que mo fizestes crer... sofrendo agora tantos males por vos haver imitado. A estas recriminações aliavam as mais acerbas blasfêmias, como que possuídos de raiva bastante para se despedaçarem mutuamente. Quais notívagos mochos, em torno desses reis corvejavam as suspeitas cruéis, os vãos receios e desconfianças que vingam os povos da fereza de seus reis, a ganância insaciável das riquezas, a falsa glória sempre tirânica e a moleza displicente que duplica os sofrimentos sem a compensação de sólidos prazeres. Viam-se muitos desses reis severamente punidos, não por males que tivessem feito, mas por terem negligenciado o bem que poderiam e deveriam fazer.  Todos os crimes dos povos, provenientes da desídia na observância das leis, eram imputados aos reis, que não devem reinar senão para que as leis exerçam seu ministério. Imputavam-se-lhes também todas as desordens decorrentes do fausto, do luxo e dos demais excessos que impelem os homens à violência, instigando-os à aquisição de bens com o desprezo das leis. Sobretudo recaía o rigor sobre os reis que, ao invés de serem bons e vigilantes pastores dos povos, só cuidavam de devastar o rebanho, quais lobos devoradores. “O que mais entristeceu Telêmaco, porém, foi ver nesse abismo de trevas e males um grande número de reis que, tendo passado na Terra pelos melhores, condenaram-se às penas do Tártaro por se terem deixado guiar por homens ardilosos e maus. Tal punição correspondia aos males que tinham deixado praticar em nome da sua autoridade. Demais,a maior parte desses reis não foram nem bons nem maus, tal a sua fraqueza; não os atemorizava a ignorância da verdade, e assim como nunca experimentaram o prazer da virtude, jamais poderiam fazê-lo consistir na prática do bem.”




Que a graça e a paz sejam conosco!

domingo, 18 de agosto de 2019

O Céu e o Inferno


"Bendito seja eternamente seu nome glorioso e que toda a terra se encha de sua glória. Amém! Amém!" -( Salmos, 71: 19 )-




Amados irmãos, bom dia!
Que haja sempre em nossos corações um louvor perfeito ao Senhor.




QUADRO DO INFERNO PAGÃO

9. O conhecimento do inferno pagão nos é fornecido quase exclusivamente pela narrativa dos poetas. Homero e Vergílio dele deram a mais completa descrição, devendo, contudo, levar-se em conta as necessidades poéticas impostas à forma. A descrição de Fénelon, no Telêmaco, posto que haurida na mesma fonte quanto às crenças fundamentais, tem a simplicidade mais concisa da prosa. Descrevendo o aspecto lúgubre dos lugares, preocupa-se, principalmente, em realçar o gênero de sofrimento dos culpados, estendendo-se sobre a sorte dos maus reis com vista à instrução do seu régio discípulo. Por muito popular que seja esta obra, nem todos têm presente à memória a sua descrição, ou não meditaram sobre ela de modo a estabelecer comparação, e assim acreditamos de utilidade reproduzir os tópicos que mais diretamente interessam ao nosso assunto, isto é, os que se referem especialmente às penas individuais.




Que a graça e a paz sejam conosco!

sábado, 17 de agosto de 2019

O Céu e o Inferno


"Vós me tendes instruído, ó Deus, desde minha juventude e até hoje publico as vossa maravilhas". -( Salmos, 70: 17 )-




Amados irmãos, bom dia!
Como já disse o profeta: fui novo e agora sou velho; jamais vi um servo ou seu filho mendigar, pois, todo aquele que o procura, o encontra.




OS LIMBOS 

8. É verdade que a Igreja admite uma posição especial em casos particulares. As crianças falecidas em tenra idade, sem fazer mal algum, não podem ser condenadas ao fogo eterno. Mas, também, não tendo feito bem, não lhes assiste direito à felicidade suprema. Ficam nos limbos, diz-nos a Igreja, nessa situação jamais definida, na qual, se não sofrem, também não gozam da bem-aventurança. Esta, sendo tal sorte irrevogavelmente fixada, fica-lhes defesa para sempre. Tal privação importa, assim, um suplício eterno e tanto mais imerecido, quanto é certo não ter dependido dessas almas que as coisas assim sucedessem. O mesmo se dá quanto ao selvagem que, não tendo recebido a graça do batismo e as luzes da religião, peca por ignorância, entregue aos instintos naturais. Certo, este não tem a responsabilidade e o mérito cabíveis ao que procede com conhecimento de causa. A simples lógica repele uma tal doutrina em nome da justiça de Deus, que se contém integralmente nestas palavras do Cristo: “A cada um, segundo as suas obras.” Obras, sim, boas ou más, porém praticadas voluntária e livremente, únicas que comportam responsabilidade. Neste caso não podem estar a criança, o selvagem e tampouco aquele que não foi esclarecido.




Que a graça e a paz sejam conosco!

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

O Céu e o Inferno


"Comprazei-vos, ó Deus, em me livrar. depressa, Senhor, vinde em meu auxílio". -( Salmos, 69: 2 )-




Amados irmãos, bom dia!
Não esqueçamos de buscar no Senhor a nossa proteção. Somos assediados por uma infinidade de irmãos ainda em dificuldades. Que o Senhor nos acolha a todos.




7. Localizados o céu e o inferno, as seitas cristãs foram levadas a não admitir para as almas senão duas situações extremas: a felicidade perfeita e o sofrimento absoluto. O purgatório é apenas uma posição intermediária e passageira, ao sair da qual as almas passam, sem transição, à mansão dos justos. Outra não pode ser a hipótese, dada a crença na sorte definitiva da alma após a morte. Se não há mais de duas habitações, a dos eleitos e a dos condenados, não se podem admitir muitos graus em cada uma sem admitir a possibilidade de os franquear e, conseguintemente, o progresso. Ora, se há progresso, não há sorte definitiva, e se há sorte definitiva, não há progresso. Jesus resolveu a questão quando disse: — “Há muitas moradas na casa de meu Pai.”




Que a graça e a paz sejam conosco!


quinta-feira, 15 de agosto de 2019

O Céu e o Inferno


"Ó vós humildes, olhai e alegrai-vos, vós que buscais a Deus, reanime-se o vosso coração". -( Salmos, 68: 33 )-




Amados irmãos, bom dia!
Quando tudo parecer desmoronar, lembremos do Senhor que jamais nos abandona e a todos quer bem. Suas promessas são eternas e cabe ao nosso livre arbítrio aceitá-las ou não.




6. Esta mistura de idéias cristãs e pagãs nada tem de surpreendente. Jesus não podia de um só golpe destruir inveteradas crenças, faltando aos homens conhecimentos necessários para conceber a infinidade do Espaço e o número infinito dos mundos; a Terra para eles era o centro do Universo; não lhe conheciam a forma nem a estrutura internas; tudo se limitava ao seu ponto de vista: as noções do futuro não podiam ir além dos seus conhecimentos. Jesus encontrava-se, pois, na impossibilidade de os iniciar no verdadeiro estado das coisas; mas não querendo, por outro lado, com sua autoridade, sancionar prejuízos aceitos, absteve-se de os retificar, deixando ao tempo essa missão. Ele limitou-se a falar vagamente da vida bem-aventurada, dos castigos reservados aos culpados, sem referir-se jamais nos seus ensinos a castigos e suplícios corporais, que constituíram para os cristãos um artigo de fé. Eis aí como as idéias do inferno pagão se perpetuaram até aos nossos dias. E foi preciso a difusão das modernas luzes, o desenvolvimento geral da inteligência humana para se lhe fazer justiça. Como, porém, nada de positivo houvesse substituído as idéias recebidas, ao longo período de uma crença cega sucedeu, transitoriamente, o período de incredulidade a que vem pôr termo a Nova Revelação. Era preciso demolir para reconstruir, visto como é mais fácil insinuar idéias justas aos que em nada crêem, sentindo que algo lhes falta, do que fazê-lo aos que possuem uma idéia robusta, ainda que absurda.




Que a graça e a paz sejam conosco!

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

O Céu e o Inferno


"Aos abandonados Deus preparou uma casa, conduz os cativos à liberdade e ao bem estar; só os rebeldes ficam num deserto ardente". -( Salmos, 67: 7 )-




Amados irmãos, bom dia!
O Senhor nos quer a todos livres e felizes; a todos que o buscam ele ampara, pois, sua misericórdia dura para sempre.




5. As mesmas considerações que, entre os antigos, tinham feito localizar o reino da felicidade, fizeram circunscrever igualmente o lugar dos suplícios. Tendo-se colocado o primeiro nas regiões superiores, era natural reservar ao segundo os lugares inferiores, isto é, o centro da Terra, para onde se acreditava servirem de entradas certas cavidades sombrias, de aspecto terrível. Os cristãos também colocaram ali, por muito tempo, a habitação dos condenados. A este respeito, frisemos ainda outra analogia: — O inferno dos pagãos continha de um lado os Campos Elíseos e do outro o Tártaro; o Olimpo, morada dos deuses e dos homens divinizados, ficava nas regiões superiores. Segundo a letra do Evangelho, Jesus desceu aos infernos, isto é, aos lugares baixos para deles tirar as almas dos justos que lhe aguardavam a vinda. Os infernos não eram, portanto, um lugar unicamente de suplício: estavam, tal como para os pagãos, nos lugares baixos. A morada dos anjos, assim como o Olimpo, era nos lugares elevados. Colocaram-na para além do céu estelar, que se reputava limitado.




Que a graça e a paz sejam conosco!

terça-feira, 13 de agosto de 2019

O Céu e o Inferno


"Alegrem-se e exultem as nações, porquanto com equidade regeis os povos e dirigis as nações sobre a terra". -( Salmos, 66: 5 )-




Amados irmãos, bom dia!
O Senhor rege as nações com equidade. Os problemas que cada uma delas enfrentam, são os frutos que plantaram e agora colhem. A mudança depende de nós, para que, como irmãos, saibamos construir o mundo para o qual fomos criados.




4. Os cristãos têm, como os pagãos, o seu rei dos infernos— Satã — com a diferença, porém, de que Plutão se limitava a governar o sombrio império, que lhe coubera em partilha, sem ser mau; retinha em seus domínios os que haviam praticado o mal, porque essa era a sua missão, mas não induzia os homens ao pecado para desfrutar, tripudiar dos seus sofrimentos. Satã, no entanto, recruta vítimas por toda parte e regozija-se ao atormentá-las com uma legião de demônios armados de forcados a revolvê-las no fogo.
Já se tem discutido seriamente sobre a natureza desse fogo que queima mas não consome as vítimas. Tem-se mesmo perguntado se seria um fogo de betume. O inferno cristão nada cede, pois, ao inferno pagão.




Que a graça e a paz sejam conosco!