sexta-feira, 30 de abril de 2021

A Gênese

 

"Louvai o Deus do céu, porque sua misericórdia é eterna." -( Salmos, 135: 26 )-



Amados irmãos, bom dia!

Que o louvor seja constante em nossos corações.



23. Entretanto, o que constitui para a Teologia um beco sem saída, o Espiritismo o explica sem dificuldade e de maneira racional, pela anterioridade da alma e pela pluralidade das existências, lei sem a qual tudo é mistério e anomalia na vida do homem. Com efeito, admitamos que Adão e Eva já tivessem vivido e tudo logo se justifica: Deus não lhes fala como a crianças, mas como a seres em estado de o compreenderem e que o compreendem, prova evidente de que ambos trazem aquisições  anteriormente realizadas. Admitamos, ademais, que hajam vivido em um mundo mais adiantado e menos material do que o nosso, onde o trabalho do Espírito substituía o do corpo; que, por se haverem rebelado contra a Lei de Deus, figurada na desobediência, tenham sido afastados de lá e exilados, por punição, para a Terra, onde o homem, pela natureza do globo, é constrangido a um trabalho corporal e reconheceremos que a Deus assistia razão para lhes dizer: “No mundo onde, daqui em diante, ides viver, cultivareis a terra e dela tirareis o alimento, com o suor da vossa fronte”; e, à mulher: “Parirás com dor”, porque tal é a condição desse mundo. (Cap. XI, item 31 e seguintes.) O paraíso terrestre, cujos vestígios têm sido inutilmente procurados na Terra, era, por conseguinte, a figura do mundo ditoso, onde vivera Adão, ou, antes, a raça dos Espíritos que ele personifica. A expulsão do paraíso marca o momento em que esses Espíritos vieram encarnar entre os habitantes do mundo terráqueo e a mudança de situação foi a consequência da expulsão. O anjo que, empunhando uma espada flamejante, veda a entrada do paraíso simboliza a impossibilidade em que se acham os Espíritos dos mundos inferiores, de penetrar nos mundos superiores, antes que o mereçam pela sua depuração. (Veja-se, adiante, o cap. XIV, itens 8 e seguintes.)



Que a graça e a paz sejam conosco!

quinta-feira, 29 de abril de 2021

A Gênese

 

"Louvai o Senhor, porque ele é bom; cantai a glória de seu nome, porque ele é amável." -( Salmos, 134: 3 )-



Amados irmãos, bom dia!

Felizes os que acordam louvando ao Senhor.



22. Notemos, antes de tudo, que, se no momento de serem criados os dois, as almas de Adão e Eva tivessem vindo do nada, como ainda se ensina, eles haviam de ser bisonhos em todas as coisas; haviam, pois, de ignorar o que é morrer. Estando sós na Terra, como estavam, enquanto viveram no paraíso, não tinham assistido à morte de ninguém. Como, então, teriam podido compreender em que consistia a ameaça de morte que Deus lhes fazia? Como teria Eva podido compreender que parir com dor seria uma punição, visto que, tendo acabado de nascer para a vida, ela jamais tivera filhos e era a única mulher existente no mundo? Nenhum sentido, portanto, deviam ter, para Adão e Eva, as palavras de Deus. Mal surgidos do nada, eles não podiam saber como nem por que haviam surgido dali; não podiam compreender nem o Criador nem o motivo da proibição que lhes era feita. Sem nenhuma experiência das condições da vida, pecaram como crianças que agem sem discernimento, o que ainda mais incompreensível torna a terrível responsabilidade que Deus fez pesar sobre eles e sobre a humanidade inteira.



Que a graça e a paz sejam conosco!

quarta-feira, 28 de abril de 2021

A Gênese

 

"Levantai as mãos para o santuário e bendizei ao Senhor." -( Salmos, 133: 3 )-



Amados irmãos, bom dia!

Cada amanhecer é um novo motivo para louvarmos ao nosso Criador.



21. Dizendo a Adão que ele tiraria da terra a alimentação com o suor de seu rosto, Deus simboliza a obrigação do trabalho; mas por que fez do trabalho uma punição? Que seria da inteligência do homem, se ele não a desenvolvesse pelo trabalho? Que seria da Terra, se não fosse fecundada, transformada, saneada pelo trabalho inteligente do homem? Lá está dito (Gênesis, 2:5 e 7): “O Senhor Deus ainda não havia feito chover sobre a Terra e não havia nela homens que a cultivassem. O Senhor formou então, do limo da Terra, o homem.” Essas palavras, aproximadas destas outras: “Enchei a Terra”, provam que o homem, desde a  sua origem, estava destinado a ocupar toda a Terra e a cultivá-la, assim como, ademais, que o paraíso não era um lugar circunscrito a um canto do globo. Se a cultura da Terra houvesse de ser uma consequência da falta de Adão, seguir-se-ia que, se Adão não tivesse pecado, a Terra permaneceria inculta e os desígnios de Deus não se teriam cumprido. Por que disse ele à mulher que, em consequência de haver cometido a falta, pariria com dor? Como pode a dor do parto ser um castigo, quando é um efeito do organismo e quando está provado que é uma necessidade fisiológica? Como pode ser punição uma coisa que se produz segundo as leis da natureza? É o que os teólogos absolutamente ainda não explicaram e que não poderão explicar, enquanto não abandonarem o ponto de vista em que se colocaram. Entretanto, podem justificar-se aquelas palavras que parecem tão contraditórias.



Que a graça e a paz sejam conosco!

terça-feira, 27 de abril de 2021

A Gênese

 

"Oh! como é bom, como é agradável para irmãos unidos viverem juntos." -( Salmos, 132: 1 )-



Amados irmãos, bom dia!

Não somos ilhas e portanto, devemos viver unidos e em comunhão fraterna.



20. Qual, então, em definitivo, a falta tão grande que mereceu acarretar a reprovação perpétua de todos os descendentes daquele que a cometeu? Caim, o fratricida, não foi tratado tão severamente. Nenhum teólogo a pode definir logicamente, porque todos, apegados à letra, giraram dentro de um círculo vicioso. Sabemos hoje que essa falta não é um ato isolado, pessoal, de um indivíduo, mas que compreende, sob um único fato alegórico, o conjunto das prevaricações de que a humanidade da Terra, ainda imperfeita, pode tornar-se culpada e que se resumem nisto: infração da Lei de Deus. Eis por que a falta do primeiro homem, simbolizando este a humanidade, tem por símbolo um ato de desobediência.



Que a graça e a paz sejam conosco!

segunda-feira, 26 de abril de 2021

A Gênese

 

"Vistam-se de justiça os vossos sacerdotes e jubilosos, cantem de alegria o vosso povo." -( Salmos, 131: 9 )-



Amados irmãos, bom dia!

A justiça e a alegria sempre estão presentes nos corações que temem o Senhor. É a isso que nos levam os seus ensinamentos.




19. Se a falta de Adão consistiu literalmente em ter comido um fruto, essa falta não poderia, incontestavelmente, pela sua natureza quase pueril, justificar o rigor com que foi punida. Não se poderia tampouco admitir, racionalmente, que o fato seja qual geralmente o supõem; se o fosse, teríamos Deus, considerando-o irremissível crime, a condenar a sua   própria obra, pois que Ele criara o homem para a propagação. Se Adão houvesse entendido assim a proibição de tocar no fruto da árvore e com ela se houvesse conformado escrupulosamente, onde estaria a humanidade e que teria sido feito dos desígnios do Criador? Deus não criara Adão e Eva para ficarem sós na Terra; a prova disso está nas próprias palavras que lhes dirige logo depois de os ter formado, quando eles ainda estavam no paraíso terrestre: “Deus os abençoou e lhes disse: ‘Crescei e multiplicai-vos, enchei a Terra e submetei-a ao vosso domínio.’” (Gênesis,1:28.) Uma vez que a multiplicação era lei já no paraíso terrenal, a expulsão deles dali não pode ter tido como causa o fato suposto. O que deu crédito a essa suposição foi o sentimento de vergonha que Adão e Eva manifestaram ante o olhar de Deus e que os levou a se ocultarem. Mas essa própria vergonha é uma figura por comparação: simboliza a confusão que todo culpado experimenta em presença de quem foi por ele ofendido.



Que a graça e a paz sejam conosco!


domingo, 25 de abril de 2021

A Gênese

 

"Senhor, meu coração não se enche de orgulho, meu olhar não se levanta arrogante. Não procuro grandezas, nem coisas superiores a mim." -( Salmos, 130: 1 )-



Amados irmãos, bom dia!

Descansemos no Senhor e confiemos. O melhor que nos poderá acontecer é viver sob a vontade do nosso Pai Celestial.



18. A passagem que diz: “O Senhor passeava pelo jardim à tarde, quando se levanta vento brando”, é uma imagem ingênua e um tanto pueril, que a crítica não deixou de assinalar; mas nada tem que surpreenda, se nos reportamos à ideia que os hebreus dos tempos primitivos faziam de Deus. Para aquelas inteligências frustas, incapazes de conceber abstrações, Deus havia de ter uma forma concreta e eles tudo referiam à humanidade, como único ponto que conheciam. Moisés, por isso, lhes falava como a crianças, por meio de imagens sensíveis. No caso de que se trata, tem-se personificada a Potência Soberana, como os pagãos personificavam, em figuras alegóricas, as virtudes, os vícios e as ideias abstratas. Mais tarde, os homens despojaram da forma a ideia, do mesmo modo que a criança, tornada adulta, procura o sentido moral dos contos com que a acalentaram. Deve-se, portanto, considerar essa passagem como uma alegoria, figurando a Divindade a vigiar em pessoa os objetos da sua criação. O grande rabino Wogue a traduziu assim: “Eles ouviram a voz do eterno Deus, percorrendo o jardim, do lado donde vem o dia.”



Que a graça e a paz sejam conosco! 

sábado, 24 de abril de 2021

A Gênese

 

"Minha alma espera pelo Senhor mais ansiosa que os vigias pela manhã." -( Salmos, 129: 6 )-



Amados irmãos, bom dia!

A confiança no Senhor nos dá a vida plena. Cuidemos de assim proceder.



17. A serpente está longe hoje de ser tida como tipo da astúcia. Ela, pois, entra aqui mais pela sua forma do que pelo seu caráter, como alusão à perfídia dos maus conselhos, que se insinuam como a serpente e da qual, por essa razão, o homem, muitas vezes, não desconfia. Ademais, se a serpente, por haver enganado a mulher, é que foi condenada a andar de rojo sobre o ventre, dever-se-á deduzir que antes esse animal tinha pernas; mas, neste caso, não era serpente. Por que, então, se há de impor à fé ingênua e crédula das crianças, como verdades, tão evidentes alegorias, com o que, falseando-se-lhes o juízo, se faz que mais tarde venham a considerar a Bíblia um tecido de fábulas absurdas? Deve-se, além disso, notar que o termo hebreu nâhâsch, traduzido por serpente, vem da raiz nâhâsch, que significa: fazer encantamentos, adivinhar as coisas ocultas, podendo, pois, significar: encantador, adivinho. Com esta acepção, ele é encontrado na própria Gênesis, 44:5 e 15, a propósito da taça que José mandou esconder no saco de Benjamim: “A taça que roubaste é a em que meu Senhor bebe e de que se serve para adivinhar (nâhâsch).133 — Ignoras que não há quem me iguale na ciência de adivinhar (nâhâsch)?” — No livro Números, 23:23: “Não há encantamentos (nâhâsch) em Jacó, nem adivinhos em Israel.” Daí o haver a palavra nâhâsch tomado também a significação de serpente, réptil que os encantadores tinham a pretensão de encantar, ou de que se serviam em seus encantamentos. A palavra nâhâsch só foi traduzida por serpente na versão dos Setenta — os quais, segundo Hutcheson, corromperam o texto hebreu em muitos lugares — versão essa escrita em grego antes do segundo século da Era Cristã. As suas inexatidões resultaram, sem dúvida, das modificações que a língua hebraica sofrera no intervalo transcorrido, porquanto o hebreu do tempo de Moisés era uma língua morta, que diferia do hebreu vulgar,  tanto quanto o grego antigo e o árabe literário diferem do grego e do árabe modernos.134 É, pois, provável que Moisés tenha apresentado como sedutor da mulher o desejo de conhecer as coisas ocultas, suscitado pelo Espírito de adivinhação, o que concorda com o sentido primitivo da palavra nâhâsch, adivinhar, e, por outro lado, com estas palavras: “Deus sabe que, logo que houverdes comido desse fruto, vossos olhos se abrirão e sereis como deuses. — Ela, a mulher, viu que era cobiçável a árvore para compreender (léaskil) e tomou do seu fruto.” Não se deve esquecer que Moisés queria proscrever de entre os hebreus a arte da adivinhação praticada pelos egípcios, como o prova o haver proibido que aqueles interrogassem os mortos e o Espírito Píton. (O céu e o inferno, cap. XI.)


133 Nota de Allan Kardec: Deste fato se poderá inferir que os egípcios conheciam a mediunidade pelo copo de água? (Revista espírita, junho de 1868).



Que a graça e a paz sejam conosco!