quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O que é o Espiritismo


"O Senhor te ouça no dia da angústia, o nome do Deus de Jacó te proteja." -( Salmos 20: 1 )-




Amados irmãos, bom dia!
"Em quaisquer dificuldades e males, procura a prática do bem e, na lavoura incessante do bem, busca transpor obstáculo a obstáculo, na certeza de que assim liquidarás problema a problema. Isso porque “servir e esquecer” serão sempre as base da harmonia e da elevação. E a vida assim será constantemente porque se hoje somos chamados a agir em socorro aos outros, amanhã provavelmente serão os outros chamados a agir em socorro a nós." -( Mãos Unidas - Chico Xavier / Emmanuel )-





Utilidade prática das manifestações

V. — Admitamos que a coisa esteja comprovada, o Espiritismo reconhecido como realidade; qual a sua utilidade prática? Não se tendo sentido a sua falta até o presente, parece-me que se podia continuar a dispensá-lo, e viver sem ele, muito tranquilamente.

A. K. — Podíamos dizer o mesmo das vias férreas e do vapor, sem os quais também se vivia muito bem. Se utilidade prática, para vós, é dar meios de passar boa vida, fazer fortuna, conhecer o futuro, descobrir minas de carvão ou tesouros ocultos, arrecadar heranças, libertar-se do trabalho de estudar, o Espiritismo não na tem; ele não pode produzir altas e baixas na Bolsa, nem transformar-se em ações de Bancos, nem mesmo fornecer inventos já prontos e no estado de serem explorados. Sob tal ponto de vista, quantas ciências deixariam de ser úteis! Quantas delas não oferecem vantagem alguma, comercialmente falando!
Os homens passavam igualmente bem, antes da descoberta dos novos planetas, antes que se soubesse ser a Terra, e não o Sol, que se move, antes que se conhecesse o mundo microscópico e outras tantas coisas.
O camponês, para viver e fazer brotar seu trigo, não precisa saber o que seja um planeta. Para que, pois, se entregam os sábios a esses estudos? Há alguém que ouse dizer que eles perdem o tempo? Tudo que serve para erguer uma ponta do véu que nos envolve, ajuda o desenvolvimento da inteligência, alarga o círculo das ideias, fazendo-nos melhor compreender as leis da natureza.
Ora, o mundo dos Espíritos existe em virtude de uma dessas leis naturais, e o Espiritismo nos faz conhecê-lo; ele nos mostra a influência que o mundo invisível exerce sobre o visível e as relações existentes entre eles, como a Astronomia nos ensina as que ligam os astros à Terra; ele no-lo faz ver como uma das forças que regem o universo e contribuem para a manutenção da harmonia geral.
Supondo que a isso se limitasse a sua utilidade, já não seria de grande importância a revelação de uma tal potência, abstraindo-se mesmo de toda a sua doutrina moral? De nada valerá um mundo inteiro novo que se nos revela, quando o conhecimento dele nos conduz à solução de tão grande número de problemas, até então insolúveis; quando ele nos inicia nos mistérios do além-túmulo, que nos devem interessar de algum modo, visto que todos nós, tarde ou cedo, temos de transpor esse marco fatal?
O Espiritismo possui, porém, outra utilidade, mais positiva: é a natural influência moral que exerce. Ele é a prova patente da existência da alma, da sua individualidade depois da morte, da sua imortalidade, da sua sorte futura; é, pois, a destruição do materialismo, não pelo raciocínio, mas por fatos. Não convém pedir-lhe senão o que ele pode dar, e nunca o que está fora dos limites do seu fim providencial. Antes dos progressos sérios da Astronomia, acreditava-se na Astrologia. Será razoável dizer-se que a Astronomia para nada serve, porque já não se pode encontrar na influência dos astros o prognóstico do destino? Assim como a Astronomia destronou os astrólogos, o Espiritismo veio destronar os adivinhos, os feiticeiros e os que liam a buena-dicha. Ele é, para a magia, o que é a Astronomia para a Astrologia, a Química para a Alquimia.




Estudo do Livro dos Espíritos







595. Gozam de livre-arbítrio os animais, para a prática dos seus atos?

“Os animais não são simples máquinas, como supondes. Contudo, a liberdade de ação, de que desfrutam, é limitada pelas suas necessidades e não se pode comparar à do homem. Sendo muitíssimo inferiores a este, não têm os mesmos deveres que ele. A liberdade, possuem-na restrita aos atos da vida material.”




Que a graça e a paz sejam conosco!

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O que é o Espiritismo


"Eu te amarei, ó Senhor, fortaleza minha." -( Salmos, 18: 1 )-




Amados irmãos, bom dia!
"Transitarás, auxiliando e construindo, entre os que se emparceiraram com a violência ou que se deterioraram pela cartilha da desagregação, e serás, por tua fé, o alento dos que choram, a esperança dos tristes, a faísca de sol para os que atravessam a longa noite de penúria, o apoio dos amargurados, a abnegação que não teme estender o braço providencial aos caídos, o bálsamo dos que tombaram e se feriram sem rumo..."  -( Mãos Unidas - Chico Xavier / Emmanuel )- 






Médiuns e feiticeiros

V. — Desde que a mediunidade não é mais que um meio de entrar em relação com as potências ocultas, médiuns e feiticeiros são mais ou menos a mesma coisa.

A. K. — Em todos os tempos houve médiuns naturais e inconscientes que, pelo simples fato de produzirem fenômenos insólitos e incompreendidos, foram qualificados de feiticeiros e acusados de pactuarem com o diabo; foi o mesmo que se deu com a maioria dos sábios que dispunham de conhecimentos acima do vulgar. A ignorância exagerou seu poder e, muitas vezes, eles mesmos abusaram da credulidade pública, explorando-a; daí a justa reprovação que os feriu.
Basta-nos comparar o poder atribuído aos feiticeiros com a faculdade dos verdadeiros médiuns, para conhecermos a diferença, mas a maioria dos críticos não se quer dar a esse trabalho.
Longe de fazer reviver a feitiçaria, o Espiritismo a aniquila, despojando-a do seu pretenso poder sobrenatural, de suas fórmulas, engrimanços, amuletos e talismãs, e reduzindo a seu justo valor os fenômenos possíveis, sem sair das leis naturais.
A semelhança que certas pessoas pretendem estabelecer, provém do erro em que estão, julgando que os Espíritos estão às ordens dos médiuns; repugna à sua razão crer que um indivíduo qualquer possa, à vontade, fazer comparecer o Espírito de tal ou tal personagem, mais ou menos ilustre; nisto eles estão perfeitamente com a verdade, e, se antes de apedrejarem o Espiritismo, se tivessem dado ao trabalho de estudá-lo, veriam que ele diz positivamente que os Espíritos não estão sujeitos aos caprichos de ninguém, que ninguém pode, à vontade, constrangê-los a responder ao seu chamado; do que se conclui que os médiuns não são feiticeiros.

V. — Neste caso, todos os efeitos que certos médiuns acreditados obtêm, à vontade e em público, não são, ao vosso ver, senão charlatanice?

A. K. — Não o digo em absoluto. Tais fenômenos não são impossíveis, porque há Espíritos de baixa categoria que se podem prestar à sua produção e que se divertem, talvez por já terem sido prestidigitadores na vida terrena; também há médiuns especialmente próprios para esse gênero de manifestações; porém, o vulgar bom senso repele a ideia de virem os Espíritos, por menos elevados que sejam, representar palhaçadas e fazer escamoteações para divertimento dos curiosos. A obtenção desses fenômenos à vontade, e sobretudo em público, é sempre suspeita; neste caso a mediunidade e a prestidigitação se tocam tão de perto que é difícil muitas vezes distingui-las; antes de vermos nisso a ação dos Espíritos, devemos observar minuciosamente e ter em conta, quer o caráter e os antecedentes do médium, quer um grande número de circunstâncias que só o estudo da teoria dos fenômenos espíritas nos pode fazer apreciar.
Deve-se notar que esse gênero de mediunidade, quando mediunidade nisso exista, limita-se a produzir sempre o mesmo fenômeno, salvo pequenas variantes, o que não é muito próprio para dissipar dúvidas. O desinteresse absoluto é a melhor garantia de sinceridade. Qualquer que seja o grau de veracidade desses fenômenos, como efeitos mediúnicos, eles produzirão bom resultado, por darem voga à ideia espírita. A controvérsia que se estabelece a respeito provoca em muitas pessoas um estudo mais aprofundado.
Não é certamente aí que se deve ir beber instruções sérias sobre o Espiritismo, nem sobre a filosofia da Doutrina; porém, é um meio de chamar a atenção dos indiferentes e obrigar os recalcitrantes a falarem dele.




Estudo do Livro dos Espíritos






594. Têm os animais alguma linguagem?

“Se vos referis a uma linguagem formada de sílabas e palavras, não. Meio, porém, de se comunicarem entre si, têm. Dizem uns aos outros muito mais coisas do que imaginais. Mas, essa mesma linguagem de que dispõem é restrita às necessidades, como restritas também são as idéias que podem ter.”

a) — Há, entretanto, animais que carecem de voz. Esses parece que nenhuma linguagem usam, não?

“Compreendem-se por outros meios. Para vos comunicardes reciprocamente, vós outros, homens, só dispondes da palavra? E os mudos? Facultada lhes sendo a vida de relação, os animais possuem meios de se prevenirem e de exprimirem as sensações que experimentam. Pensais que os peixes não se entendem entre si? O homem não goza do privilégio exclusivo da linguagem. Porém, a dos animais é instintiva e circunscrita pelas suas necessidades e idéias, ao passo que a do homem é perfectível e se presta a todas as concepções da sua inteligência.”

Efetivamente, os peixes que, como as andorinhas, emigram em cardumes, obedientes ao guia que os conduz, devem ter meios de se advertirem, de se entenderem e combinarem. É possível que disponham de uma vista mais penetrante e esta lhes permita perceber os sinais que mutuamente façam. Pode ser também que tenham na água um veículo próprio para a transmissão de certas vibrações. Como quer que seja, o que é incontestável é que lhes não falecem meios de se entenderem, do mesmo modo que a todos os animais carentes de voz e que, não obstante, trabalham em comum. Diante disso, que admiração pode causar que os Espíritos entre si se comuniquem sem o auxílio da palavra articulada?




Que a graça e a paz sejam conosco!

domingo, 17 de setembro de 2017

O que é o Espiritismo


"Ouve, Senhor, a justiça; atende ao meu clamor; dá ouvidos à minha oração, que não é feita com lábios enganosos."




Amados irmãos, bom dia!
"Situemo-nos, porém, no lugar e na angustiosa expectativa do irmão caído na estrada e reconheceremos que Jesus nos espera como somos e como estamos para servir, portanto,servindo,acabaremos aprendendo que todos somos filhos de Deus e que, se hoje desfrutamos o privilégio de dar, talvez amanhã estejamos com necessidade de receber." -( Mãos Unidas - Chico Xavier / Emmanuel )- 





Médiuns interesseiros

V. — Antes de empreender um estudo de longo fôlego, há muita gente que deseja ter certeza de que não vai perder o tempo, certeza que lhe poderia provir do fato concludente, mesmo obtido a peso de ouro.

A. K. — Aquele que não se quer dar ao trabalho de estudar, é antes guiado pela curiosidade, que pelo desejo real de se instruir; ora, os Espíritos, assim como eu, não gostam dos curiosos. Além disso, a cobiça é-lhes, sobretudo, antipática, e eles recusam-se a prestar-lhe qualquer serviço; crer que Espíritos superiores como Fénelon, Bossuet, Pascal, Santo Agostinho, se ponham às ordens do primeiro que os chame, a tanto por hora, é fazer ideia bem falsa das nossas relações com o mundo espiritual. Não, senhor. As comunicações de além-túmulo são assunto muito grave e respeitabilíssimo para serem assim exibidas. Sabemos que os fenômenos espíritas não se produzem como o movimento das rodas de um mecanismo, porquanto dependem da vontade dos Espíritos; mesmo admitindo-se que um indivíduo possua aptidão mediúnica, nada lhe garante obter uma manifestação em dado momento.
Se os incrédulos são inclinados a suspeitar da boa-fé dos médiuns em geral, muito pior seria se neles encontrassem o estímulo do interesse; com razão se poderia suspeitar que o médium retribuído simulasse quando o Espírito não o auxiliasse, pois que ele desejaria de qualquer forma ganhar dinheiro. Além de que o desinteresse absoluto é a melhor garantia de sinceridade, repugnaria à razão evocar por dinheiro os Espíritos das pessoas que nos são caras, supondo que eles consintam nisso, o que é mais que duvidoso; em todos os casos só se prestariam a isso Espíritos de classe inferior, pouco escrupulosos a respeito de meios, e que não merecem confiança alguma; e estes mesmos, muitas vezes, encontram um divertimento maldoso em frustrar as combinações e os cálculos do seu evocador. A natureza da faculdade mediúnica opõe-se, pois, a que ela sirva de profissão, à vista de sua dependência de vontade estranha à do médium, e de lhe poder ela, no momento preciso, deixá-lo em falta, salvo se ele a suprir pela astúcia. Porém, admitindo mesmo inteira boa-fé, desde que os fenômenos não se produzem à vontade, seria puro acaso se, em sessão paga, se produzisse exatamente aquele que desejávamos ver para nos convencermos.
Dai 100.000 francos a um médium e não conseguireis que ele obtenha que os Espíritos façam o que não querem; essa dádiva, que viria desnaturar a intenção e transformá-la em violento desejo de lucro, seria antes um motivo para que ele fosse malsucedido. Quando se está bem compenetrado desta verdade — que a afeição e a simpatia são os mais poderosos móveis de atração para os Espíritos —, não se pode deixar de compreender que não lhes agradam as solicitações de alguém que tenha a ideia de servir-se deles para ganhar dinheiro.
Aquele, pois, que precisa de fatos que o convençam, deve provar aos Espíritos sua boa vontade por uma observação séria e paciente, se deseja ser auxiliado; portanto se é uma verdade que a fé não se impõe, não o é menos, que se não pode comprá-la.

V. — Compreendo esse raciocínio do ponto de vista moral; entretanto, não é justo que aquele que emprega seu tempo, a bem da causa, não seja indenizado quando esse tempo é roubado ao trabalho de que precisa para viver?

A. K. — Primeiro: será mesmo no interesse da causa que ele o faz, ou no seu próprio? Se ele deixou seu modo de vida, é porque não lhe satisfazia, e por esperar ganhar mais, em um novo, ou ter menos fadigas. Não há sacrifício algum no empregar o tempo em uma coisa de que se espera tirar lucro. É absolutamente o mesmo que se se dissesse ser no interesse da humanidade que o padeiro fabrica o pão. A mediunidade não é o único recurso; se ele não a tivesse, procuraria ganhar a vida de outro modo. Os médiuns verdadeiramente sérios e devotados, quando não possuem uma existência independente, procuram recursos no trabalho ordinário e não abandonam suas profissões; eles não consagram à mediunidade senão o tempo que lhe podem dar, sem prejuízo de outras ocupações; empregando parte do tempo destinado aos divertimentos e repouso, nesse trabalho mais útil, eles se mostram devotados, tornam-se apreciados e respeitados. A multiplicidade dos médiuns nas famílias torna, ademais, inúteis os médiuns de profissão, ainda que estes ofereçam todas as garantias desejáveis, o que é muito raro.
Se não fosse o descrédito que acompanha esse gênero de exploração, para o que me felicito de muito haver concorrido, os médiuns mercenários pululariam e os jornais viriam sempre cheios de seus reclamos; ora, para um que fosse leal, apresentar-se-iam cem charlatães que, abusando de uma faculdade real ou simulada, fariam o maior dano ao Espiritismo.
É, pois, um princípio: todos quantos veem no Espiritismo coisa diferente de uma exibição de fenômenos curiosos, que compreendem e tomam a peito a dignidade, consideração e os verdadeiros interesses da Doutrina, reprovam toda espécie de especulação, qualquer que seja a forma ou disfarce com que se apresente. Os médiuns sérios e sinceros — e eu dou este nome aos que compreendem a santidade do mandato que Deus lhes confiou — evitam até as aparências do que poderia fazer pairar sobre eles a menor suspeita de cobiça; eles consideram uma injúria a acusação de tirarem qualquer lucro da sua faculdade. Convinde, senhor, apesar de serdes incrédulo, que um médium nessas condições faria sobre vós uma impressão totalmente diversa da que sentiríeis, se lhe tivésseis pago para vê-lo trabalhar, ou, quando mesmo fôsseis admitido por favor, se soubésseis que atrás de tudo aquilo havia uma questão de dinheiro; concordai que vendo-o antes animado de um verdadeiro sentimento religioso, estimulado pela fé somente, e não pelo desejo do ganho, involuntariamente o respeito por ele se vos impunha; seja embora ele o mais humilde proletário, inspirar-vos-á mais confiança, porque não há motivo algum para suspeitardes da sua lealdade. Pois bem! caro senhor, encontrareis mil como este, contra um que não esteja nas mesmas condições, e é esta uma das causas que mais têm concorrido para o crédito e propagação da Doutrina; ao passo que, se ela só tivesse intérpretes interessados, não contaria a quarta parte dos adeptos que possui hoje. É perfeitamente compreensível que os médiuns de profissão sejam excessivamente raros, pelo menos em França; eles são desconhecidos na maioria dos centros espíritas da província, onde a reputação de mercenários bastaria para que os excluíssem de todos os grupos sérios, e onde para eles o ofício não seria lucrativo, por causa do descrédito de que se tornariam objeto e da concorrência de médiuns desinteressados, que se encontram por toda parte. Para suprir, seja a faculdade que lhes falta, seja a insuficiência da clientela, há falsos médiuns que tudo aproveitam, servindo-se das cartas, da clara de ovo, da borra de café etc., a fim de contentar a todos os gostos, esperando por esse meio, na falta de Espíritos, atrair os que ainda creem nessas tolices. Se eles unicamente a si prejudicassem, o mal não seria grande; porém, há pessoas que, sem nada aprofundarem, confundem o abuso com a realidade, e disso se aproveitam os mal-intencionados, para dizer que é nisso que consiste o Espiritismo. Já vedes, pois, senhor, que se a exploração da mediunidade conduz a cometer abusos prejudiciais à Doutrina, o Espiritismo sério tem razão de não aceitá-la, de repelir o seu auxílio.

V. — Tudo isso é muito lógico, concordo, mas os médiuns desinteressados não se acham ao dispor de qualquer e sentimo-nos constrangidos de incomodá-los; escrúpulos que não nos embaraçam, quando buscamos aquele que recebe uma paga, convencido de que não lhe vamos roubar o tempo. Muita gente que se deseja convencer, acharia muito mais facilidade se existissem médiuns públicos.

A. K. — Se os médiuns públicos, como lhes chamais, não oferecem as garantias precisas, como poderiam ser úteis para levar alguém à convicção? O inconveniente que assinalais, não destrói os de muito mais gravidade, que vos citei. Buscá-los-iam antes como divertimento, para ouvir a buena-dicha, do que como meio de instrução. Aquele que, seriamente, deseja convencer-se encontra os meios, mais cedo ou mais tarde, se tiver perseverança e boa vontade; porém, quando não se está preparado para tal, não é por assistir a uma sessão que se ficará convencido. Prova a experiência que por se trazer dessas sessões uma impressão desfavorável, sai-se menos disposto à convicção, e talvez sem vontade alguma de prosseguir num estudo em que nada se viu de sério. 
Ao lado, porém, das considerações morais, os progressos da ciência espírita, fazendo-nos melhor conhecer as condições em que se produzem as manifestações, mostram-nos, hoje, a dificuldade material que se apresenta à sua produção, coisa de que ninguém a princípio suspeitava: a necessidade de afinidades fluídicas entre o Espírito evocado e o médium. Ponho de lado todo pensamento de fraude e embuste, e suponho que exista a mais completa lealdade.
Para que um médium de profissão possa oferecer toda segurança às pessoas que o venham consultar, é necessário que ele possua uma faculdade permanente universal, isto é, que ele se possa comunicar facilmente com qualquer Espírito e a todo momento, para estar constantemente à disposição do público, como um médico, e satisfazer a todas as evocações que lhe sejam pedidas; ora, isto é o que não se encontra em médium algum, seja entre os desinteressados, seja entre os outros, e isto por causas independentes da vontade do Espírito, o que não posso desenvolver aqui, porque não estou fazendo um curso de Espiritismo.
Limito-me a dizer-vos que as afinidades fluídicas, princípio do qual dimanam as faculdades mediúnicas, são individuais, e não gerais, podendo existir do médium para tal Espírito, e não para tal outro; que, sem essas afinidades, cujas variantes são múltiplas, as comunicações são incompletas, falsas ou impossíveis; que, as mais das vezes, a assimilação fluídica entre o Espírito e o médium só se estabelece depois de algum tempo, ou somente uma vez em dez acontece que ela seja completa desde a primeira vez.
A mediunidade, como vedes, cavalheiro, é subordinada a leis, de alguma sorte orgânicas, às quais todo médium está sujeito; ora, não se pode negar que isto é um obstáculo para a mediunidade de profissão, pois que a possibilidade e a exatidão das comunicações são um produto de causas que não dependem do médium nem do Espírito. Se, pois, repelimos a exploração da mediunidade, não é nem por capricho, nem por sistema, mas porque os próprios princípios que regem as nossas relações com o mundo invisível, se opõem à regularidade e precisão necessárias naquele que se põe à disposição do público, e a quem o desejo de satisfazer à clientela, que lhe paga, arrasta ao abuso.
Não concluo, do que tenho dito, que todos os médiuns interesseiros sejam charlatães; digo somente que a ambição do ganho impele ao charlatanismo e autoriza a suspeita de velhacaria. Quem deseja convencer-se deve, primeiro que tudo, procurar elementos de sinceridade.




Estudo do Livro dos Espíritos




DOS
TRÊS

593. Poder-se-á dizer que os animais só obram por instinto?

“Ainda aí há um sistema. É verdade que na maioria dos animais domina o instinto. Mas, não vês que muitos obram denotando acentuada vontade? É que têm inteligência, porém limitada.”

Não se poderia negar que, além de possuírem o instinto, alguns animais praticam atos combinados, que denunciam vontade de operar em determinado sentido e de acordo com as circunstâncias. Há, pois, neles, uma espécie de inteligência, mas cujo exercício quase que se circunscreve à utilização dos meios de satisfazerem às suas necessidades físicas e de proverem à conservação própria. Nada, porém, criam, nem melhora alguma realizam. Qualquer que seja a arte com que executem seus trabalhos, fazem hoje o que faziam outrora e o fazem, nem melhor, nem pior, segundo formas e proporções constantes e invariáveis. A cria, separada dos de sua espécie, não deixa por isso de construir o seu ninho de perfeita conformidade com os seus maiores, sem que tenha recebido nenhum ensino. O desenvolvimento intelectual de alguns, que se mostram suscetíveis de certa educação, desenvolvimento, aliás, que não pode ultrapassar acanhados limites, é devido à ação do homem sobre uma natureza maleável, porquanto não há aí progresso que lhe seja próprio. Mesmo o progresso que realizam pela ação do homem é efêmero e puramente individual, visto que, entregue a si mesmo, não tarda que o animal volte a encerrar-se nos limites que lhe traçou a Natureza.




Que a graça e a paz sejam conosco!

sábado, 16 de setembro de 2017

O que é o Espiritismo


"Guarda-me, ó Deus, porque em ti confio." -( Salmos, 16: 1 )-




Amados irmãos, bom dia!
"Preguemos e ensinemos quanto nos seja possível os méritos da paciência, no entanto, examinemos as próprias reações da experiência íntima à frente de quantos nos compartilham a luta cotidiana, na condição de sócios da parentela e do trabalho, do ideal e das tarefas de cada dia e, perguntemos com sinceridade a nós próprios se estamos usando de paciência para com eles e para com todos os outros companheiros da Humanidade, assim como estamos incessantemente tolerados e amparados pela paciência de Deus." -( Mãos Unidas - Chico Xavier / Emmanuel )- 





Meios de comunicação

V. — Falastes de meios de comunicação; podereis dar-me disso uma ideia, porquanto é difícil compreender como podem esses seres invisíveis conversar conosco? Os médiuns possuem, para esses diferentes modos de comunicação, aptidões especiais que dependem de sua organização. Assim, temos médiuns de efeitos físicos, isto é, aptos para produzir fenômenos materiais, como pancadas, movimentos de corpos etc.; há médiuns auditivos, falantes, videntes, desenhadores, músicos, escreventes. Esta última faculdade é a mais comum, a que melhor se desenvolve pelo exercício e também a mais preciosa, por ser a que permite comunicações mais frequentes e rápidas. O médium escrevente apresenta numerosas variedades, das quais duas são muito distintas. Para compreendê-las, é necessário saber-se o modo pelo qual se opera o fenômeno. O Espírito atua, algumas vezes, diretamente sobre a mão do médium, à qual dá um impulso totalmente independente da vontade deste, e sem que ele tenha consciência do que escreve: é o médium escrevente mecânico. Outras vezes, atuando sobre o cérebro do médium, seu pensamento se comunica com o deste que, então, se bem que escrevendo de modo involuntário, tem consciência mais ou menos nítida do que obtém: é o médium intuitivo; seu papel é exatamente o de um intérprete, que transmite um pensamento que não é o seu e que, portanto, ele deve compreender. Ainda que, neste caso, o pensamento do Espírito e o do médium se confundam algumas vezes, a experiência ensina a distingui-los com facilidade.
Obtêm-se comunicações igualmente boas por esses dois gêneros de médiuns; a vantagem dos que são mecânicos é proveitosa sobretudo para as pessoas que ainda não estão convencidas. Ademais, a qualidade essencial de um médium está na natureza dos Espíritos que o assistem, nas comunicações que recebe, antes que nos meios de execução.

V. — O processo parece-me dos mais simples. Poderia eu mesmo experimentá-lo?

A. K. — Perfeitamente; digo mais: se possuirdes a faculdade mediúnica, tereis o melhor meio de vos convencer, porque não podeis duvidar da vossa boa-fé. Somente, aconselho-vos vivamente a não tentardes ensaio algum antes de acurado estudo. As comunicações do além-túmulo são cercadas de mais dificuldades do que se pensa; elas não estão isentas de inconvenientes e, mesmo, de perigos, para os que não têm a necessária experiência. É o mesmo que aconteceria àquele que, sem saber Química, tentasse fazer manipulações químicas; correria o risco de queimar os dedos.

V. — Há algum sinal pelo qual se possa reconhecer a posse dessa aptidão?

A. K. — Até o presente não se conhece um diagnóstico para a mediunidade; todos os que julgamos descobrir, são sem valor; experimentar é o único meio de saber se a faculdade existe. Além disso, os médiuns são muito numerosos e é raríssimo, quando não o sejamos, não se encontrar algum em qualquer dos membros de nossa família, ou nas pessoas que nos cercam. O sexo, a idade e o temperamento são indiferentes; eles aparecem entre os homens e mulheres, entre crianças, velhos, doentes e pessoas sadias.
Se a mediunidade se traduzisse por um sinal exterior qualquer, isto implicaria a permanência da faculdade, ao passo que ela é essencialmente móbil e fugidia. Sua causa física está na assimilação, mais ou menos fácil, dos fluidos perispirituais do encarnado e do Espírito desencarnado; sua causa moral está na vontade do Espírito que se comunica, quando isto lhe apraz, e não segundo a nossa vontade, donde resulta: 
1o, que nem todos os Espíritos podem comunicar-se indiferentemente por todos os médiuns;
2o, que todo médium pode perder ou ver suspender-se a sua faculdade, quando ele menos o esperar. Estas poucas palavras bastam para mostrar que há nisto um sério estudo a fazer-se, a fim de se poder explicar as variações que esse fenômeno apresenta. Seria, pois, um erro crer que todo Espírito possa vir responder ao apelo que lhe é feito, e se comunicar pelo primeiro médium de que se lance mão. 
Para que um Espírito se comunique, é preciso: 
1o, que lhe convenha fazê-lo; 
2o, que sua posição ou suas ocupações lho permitam; 
3o, que encontre no médium um instrumento apropriado à sua natureza.
Em princípio, podemos comunicar-nos com os Espíritos de todas as categorias, com os nossos parentes e amigos, com os mais elevados como com os mais vulgares; porém, independente das condições individuais de possibilidade, eles vêm mais ou menos de boa vontade segundo as circunstâncias e, sobretudo, segundo a sua simpatia pelas pessoas que os chamam, e não pelo pedido do primeiro que tenha a fantasia de evocá-los por um sentimento de curiosidade; nestas circunstâncias, se eles, quando na Terra, não se incomodariam com elas, depois da morte não o fazem também.
Os Espíritos sérios só comparecem nas reuniões sérias, para onde os chamam com recolhimento e para coisas sérias; não se prestam a responder a perguntas de curiosidade, de prova, ou com um fim fútil, nem também a experiência alguma.
Os Espíritos frívolos andam por toda parte; porém, nas reuniões sérias, calam-se e conservam-se afastados para escutar, como fariam estudantes em uma assembleia de doutos. Nas reuniões frívolas eles tomam a desforra, fazendo de tudo divertimento, zombando, muitas vezes, dos assistentes, e respondendo a tudo sem se importarem com a verdade. Os Espíritos denominados batedores e, geralmente, todos os que produzem manifestações físicas são de ordem inferior, sem por isso serem essencialmente maus; possuem uma aptidão, de alguma sorte especial, para os efeitos materiais; os Espíritos superiores não se ocupam com essas coisas, assim como os sábios da Terra não se entregam a exercícios de força muscular; quando aqueles precisam que tais efeitos se deem, lançam mão dos atrasados, como nós nos servimos dos trabalhadores para os serviços pesados.




Estudo do Livro dos Espíritos






OS ANIMAIS E O HOMEM

592. Se, pelo que toca à inteligência, comparamos o homem e os animais, parece difícil estabelecer-se uma linha de demarcação entre aquele e estes, porquanto alguns animais mostram, sob esse aspecto, notória superioridade sobre certos homens. Pode essa linha de demarcação ser estabelecida de modo preciso?

“A este respeito é completo o desacordo entre os vossos filósofos. Querem uns que o homem seja um animal e outros que o animal seja um homem. Estão todos em erro. O homem é um ser à parte, que desce muito baixo algumas vezes e que pode também elevar-se muito alto. Pelo físico, é como os animais e menos bem-dotado do que muitos destes. A Natureza lhes deu tudo o que o homem é obrigado a inventar com a sua inteligência, para satisfação de suas necessidades e para sua conservação. Seu corpo se destrói, como o dos animais, é certo, mas ao seu Espírito está assinado um destino que só ele pode compreender, porque só ele é inteiramente livre. Pobres homens, que vos rebaixais mais do que os brutos! não sabeis distinguir -vos deles? Reconhecei o homem pela faculdade de pensar em Deus.”




Que a graça e a paz sejam conosco!

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O que é o Espiritismo


"Senhor, quem habitará no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte?" -( Salmos, 15: 1 )-




Amados irmãos, bom dia!
"Tanto pesa na balança o quilo de chumbo em massa, quanto o quilo de paina depositado, de haste em haste.
Meditemos, em torno disso, e reconheceremos que o perdão incondicional deve também alcançar as mínimas circunstâncias que se nos façam adversas. Em síntese, para que a paz more conosco, assegurando-nos proveito e alegria, nos caminhos do tempo, é forçoso não apenas trabalhar e servir sempre, mas igualmente compreender e abençoar." -( Mãos Unidas - Chico Xavier / Emmanuel )- 






Origem das ideias espíritas modernas 

V. — Uma coisa que eu desejava saber, meu amigo, é o ponto de partida das ideias espíritas modernas; serão elas filhas de uma revelação espontânea dos Espíritos, ou o resultado de uma crença prévia na existência deles? Compreendeis a importância de minha pergunta; porque, neste último caso, é admissível que a imaginação possa nisso ter desempenhado seu papel.

A. K. — Como dissestes, essa questão tem importância, no ponto de vista em que vos achais, ainda que seja difícil acreditar-se, supondo essas ideias nascidas de uma crença antecipada, que a imaginação pudesse produzir todos os resultados materiais observados.
De fato, se o Espiritismo fosse fundado no pensamento preconcebido da existência dos Espíritos, poder-se-ia, com alguma aparência de razão, duvidar da sua veracidade; porque, se o princípio fosse uma quimera, as consequências dele emanadas também o seriam, mas as coisas não se passaram assim. Notai, em primeiro lugar, que essa marcha seria totalmente ilógica; os Espíritos são a causa, e não o efeito; quando se vê um efeito, pode-se procurar-lhe a causa, mas não é natural imaginar-se uma causa antes de lhe ter visto os efeitos. Não era, pois, possível conceber o pensamento da existência dos Espíritos, se efeitos não se tivessem mostrado, que achassem explicação provável na existência de seres invisíveis. Pois bem! não foi mesmo deste modo que nasceu tal pensamento; isto é, não foi ele uma hipótese imaginada com o fim de explicar certos fenômenos; a primeira suposição feita, foi a de uma causa material. Assim, longe de que os Espíritos fossem uma ideia preconcebida, partiu-se, para chegar a eles, do ponto de vista materialista. Não se podendo, porém, por este meio explicar tudo, somente a observação conduziu à causa espiritual. Falo das ideias espíritas modernas, pois sabemos que essa crença é tão velha quanto o mundo. Eis a marcha das coisas: fenômenos espontâneos se produziram, tais como ruídos estranhos, pancadas, movimentos de objetos etc., sem causa ostensiva conhecida, realizando-se sob a influência de certas pessoas. Nada, até aí, autorizava a buscar-se-lhes a causa fora da ação de um fluido magnético ou outro qualquer, de propriedade ainda desconhecida. Não se tardou, porém, a reconhecer nesses ruídos e movimentos um caráter intencional e inteligente, do que se concluiu, como já o disse, que: Se todo efeito tem uma causa, todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. Esta inteligência não podia estar no objeto, porque a matéria não é inteligente. Seria o reflexo da pessoa ou das pessoas presentes? Assim se julgou no começo, como já igualmente vo-lo disse; só a experiência podia pronunciar-se, e ela demonstrou por provas irrecusáveis, em muitas circunstâncias, a completa independência da inteligência que se manifesta. Ela não pertencia, pois, nem ao objeto nem à pessoa. Quem era então? Ela própria respondeu, declarando pertencer aos seres incorpóreos chamados Espíritos.
A ideia dos Espíritos não preexistia, nem mesmo lhe foi consecutiva; em uma palavra, não nasceu do cérebro de ninguém, mas nos foi dada pelos Espíritos mesmos, e tudo o que soubemos depois, a seu respeito, foi-nos por eles ensinado. Uma vez revelada a existência dos Espíritos e estabelecidos os meios de nos comunicarmos com eles, pôde-se entreter conversações seguidas e obter informações sobre a natureza desses seres, condições de sua existência e seu papel no mundo visível.
Se assim pudéssemos interrogar os seres do mundo dos infinitamente pequenos, quantas coisas curiosas não ficaríamos sabendo sobre eles! Suponhamos que, antes da descoberta da América, um fio elétrico estivesse estabelecido através do Atlântico, e que na sua extremidade europeia se houvessem produzido alguns sinais inteligentes, e ter-se-ia logo concluído que na outra extremidade se achavam seres inteligentes, que desejavam comunicar-se; teríamos interrogado e eles teriam respondido. Ficaríamos assim com a certeza da sua existência, e podia-se adquirir o conhecimento dos seus costumes, usos e modos de ser, apesar de nunca os havermos visto. Foi o que se deu nas relações com o mundo invisível: as manifestações materiais foram sinais e meios de aviso que nos conduziram a comunicações mais regulares e mais seguidas. E — coisa notável — à medida que meios de mais fácil comunicação se acham ao nosso dispor, os Espíritos abandonam os primitivos, insuficientes e incômodos, qual o mudo que, recuperando a palavra, renuncia à linguagem dos sinais. Quem eram os habitantes desse mundo? Eram seres à parte, estranhos à humanidade? Eram bons ou maus? Foi ainda a experiência quem se encarregou da solução de tais problemas, mas até que observações numerosas tivessem derramado luz sobre o assunto, o campo das conjeturas e dos sistemas esteve aberto, e Deus sabe quantos surgiram! Uns creram ser os Espíritos superiores em tudo, outros, neles só viram demônios; era só por suas palavras e atos que podiam julgá-los.
Suponhamos que dentre os desconhecidos habitantes transatlânticos, de que acabamos de falar, uns tenham dito muito boas coisas, ao passo que outros se faziam notar pelo cinismo da linguagem; ter-se-ia logo concluído que entre eles havia bons e maus. Foi o que aconteceu com os Espíritos; foi assim que se reconheceu entre eles todos os graus de bondade e malvadez, de saber e ignorância. Uma vez bem informados acerca dos defeitos e das boas qualidades que entre eles se encontram, cabe à nossa prudência distinguir o que é bom do que é mau, o verdadeiro do falso em suas relações conosco, absolutamente como procedemos a respeito dos homens.
A observação não nos esclareceu somente sobre as qualidades morais dos Espíritos, mas também sobre a sua natureza e sobre o que podemos chamar estado fisiológico. Ficou-se sabendo, por eles mesmos, que uns são muito felizes e outros muito desgraçados; que não são seres à parte, de natureza excepcional, e sim as almas daqueles que já viveram na Terra, onde deixaram seu invólucro corpóreo, e que hoje povoam os espaços, nos cercam, nos acotovelam sem cessar, e, dentre eles, cada qual pode, por sinais incontestáveis, reconhecer seus parentes e amigos e os que conhecera na Terra; pode-se acompanhá-los em todas as fases de sua existência de além-túmulo, desde o instante em que abandonam o corpo, e observar sua situação segundo o gênero de morte e o modo pelo qual viveram na Terra.
Enfim, soube-se que eles não são entes abstratos, imateriais, no sentido absoluto da palavra; possuem um invólucro, a que chamamos perispírito, espécie de corpo fluídico, vaporoso, diáfano, invisível no estado normal, que, em certos casos e por uma espécie de condensação ou de disposição molecular, pode tornar-se momentaneamente visível e mesmo tangível, e, desde então, ficou explicado o fenômeno das aparições e do contato. Enquanto dura o corpo, esse invólucro é um laço que o prende ao Espírito; quando, porém, o corpo morre, a alma ou o Espírito, que é a mesma coisa, abandona-o, sem, contudo, deixar o primeiro envoltório, do mesmo modo como despimos as peças exteriores da nossa roupa, para só conservarmos as interiores; assim como o fruto despojado do invólucro cortical conserva ainda o perisperma.
É esse invólucro semimaterial do Espírito que lhe serve de meio para a produção de diferentes fenômenos, pelos quais ele se nos manifesta. Tal é, em poucas palavras, cavalheiro, a história do Espiritismo; bem vedes, e reconhecereis ainda melhor quando o tiverdes estudado a fundo, que tudo nele é o resultado da observação, e não de um sistema preconcebido.




Estudo do Livro dos Espíritos






591. Nos mundos superiores, as plantas são de natureza mais perfeita, como os outros seres?

“Tudo é mais perfeito. As plantas, porém, são sempre plantas, como os animais sempre animais e os homens sempre homens.”





Que a graça e a paz sejam conosco!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O que é o Espiritismo


"Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem." -( Salmos, 14: 1 )-




Amados irmãos, bom dia!
"Não te esqueças, dessa forma, de que em ti mesmo se levanta o cárcere de sofrimento a que te aprisionas ou se ergue o ninho de bênçãos em que te preparas à frente de glorioso porvir.
Não basta te convertas em censor de consciências alheias para que o reequilíbrio do mundo se faça, vitorioso. É indispensável a nossa própria defesa contra o assalto das trevas, consoante o ensinamento da Revelação Divina, que recomenda vigiarmos o coração por situar-se nele o manancial das forças de nossa vida." -( Mãos Unidas - Chico Xavier / Emmanuel )- 






Boa ou má vontade dos Espíritos para convencer

V. — Os Espíritos devem almejar fazer prosélitos; por que não se prestam, melhormente, aos meios de convencer certas pessoas, cuja opinião teria grande influência?

A. K. — É por julgarem que, naquele momento, não devem fornecer provas às pessoas a quem não ligam a importância que elas pretendem ter. É isso pouco lisonjeiro, convenho, porém não temos o direito de impor-lhes a nossa opinião; os Espíritos têm sua maneira de julgar as coisas, a qual nem sempre se coaduna com a nossa; eles veem, pensam e agem segundo outros elementos; ao passo que a nossa vista é circunscrita pela matéria, limitada pela estreiteza do círculo em que vivemos, eles abrangem o conjunto; o tempo, que nos parece tão longo, é para eles um instante; a distância, um simples passo; e certos pormenores, para nós de importância extrema, são futilidades a seus olhos; em compensação, ligam às vezes importância a coisas cujo verdadeiro alcance nos escapa.
Para compreendê-los é preciso nos elevarmos pelo pensamento acima do horizonte material e moral, colocarmo-nos no seu ponto de vista, pois que não são eles que devem descer ao nosso nível, mas subirmos nós até eles, é o que nos ensinam o estudo e a observação.
Os Espíritos gostam dos observadores assíduos e conscienciosos; para estes multiplicam eles as fontes de luz; o que os afugenta não é a dúvida que nasce da ignorância, é a fatuidade desses pretensos observadores que nada observam, que desejam colocá-los no banco dos réus e fazê-los moverem-se como títeres; é o sentimento de hostilidade e descrédito que exista em seus pensamentos, quando o não traduzam por palavras. Por sua causa os Espíritos nada fazem, pouco se importando com o que possam dizer ou pensar, porque o seu dia também chegará. Por isso vos dizia eu que não é a fé antecipada o que pedimos, mas sim a boa-fé."




Estudo do Livro dos Espíritos






590. Não haverá nas plantas, como nos animais, um instinto de conservação, que as induza a procurar o que lhes possa ser útil e a evitar o que lhes possa ser nocivo?

“Há, se quiserdes, uma espécie de instinto, dependendo isso da extensão que se dê ao significado desta palavra. É, porém, um instinto puramente mecânico. Quando, nas operações químicas, observais que dois corpos se reúnem, é que um ao outro convém; quer dizer: é que há entre eles afinidade. Ora, a isto não dais o nome de instinto.”




Que a graça e a paz sejam conosco!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O que é o Espiritismo


"Até quando te esquecerás de mim, Senhor? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto?" -( Salmos, 13: 1 )-




Amados irmãos, bom dia!
"Tão-só nessa operação aritmética do Senhor, resolveremos a crise da intolerância, sempre grave em todos os tempos. Repitamos, no entanto, que a preciosidade do perdão não se adquire nos armazéns, por que, na essência, o perdão é uma luz que irradia, começando de nós." -( Mãos Unidas - Chico Xavier / Emmanuel )- 






Não basta que os incrédulos vejam para que se convençam

V. — O que os incrédulos desejam ver, pedem e, na maioria das vezes, não se lhes fornece, são os fatos positivos. Se todos testemunhassem esses fatos, a dúvida não mais seria permitida. Como é que tanta gente, apesar de sua vontade, nada tem conseguido ver? Apresentam-lhes como motivo, dizem eles, a sua falta de fé; ao que respondem, e com razão: que não podem ter fé antecipada e que se lhes deve dar os meios para poderem crer.

A. K. -É simples a razão. Eles querem que os fatos obedeçam à sua ordem e a Espíritos não se pode dar ordens; é preciso esperar pela boa vontade deles. Não basta dizer: Mostrai-me tal fato e eu crerei; é necessário ter-se a vontade de perseverar, deixar que os fatos se produzam espontaneamente, sem pretender forçá-los ou dirigi-los; aquele que mais desejais será, talvez, precisamente o que não obtereis; virão, porém, outros, e o que quereis se apresentará, quando menos o esperardes. Aos olhos do observador atento e assíduo surgem eles inumeráveis, corroborando-se uns aos outros, mas quem acreditar que basta tocar a manivela, para fazer que a máquina ande, engana-se redondamente.
Que faz o naturalista quando quer estudar os hábitos de um animal? Mandá-lo-á fazer tal ou qual coisa, para com vagar observá-lo à sua vontade? Não; porque bem sabe que o animal não lhe obedecerá, mas espreita as manifestações espontâneas do instinto do animal; espera-as e colhe-as na passagem. O simples bom senso mostra que, com mais forte razão, deve proceder-se do mesmo modo com os Espíritos, que são inteligências muito mais independentes que as dos animais.
É erro crer que se exija fé antecipada de quem quer estudar; o que se exige é boa-fé, aliás, coisa diversa; ora, há céticos que negam até a evidência e aos quais os próprios prodígios não convenceriam. Quantos deles, depois de haverem visto, não persistem ainda em explicar os fatos a seu modo, dizendo que o que viram nada prova? Essas pessoas só servem para trazer perturbação ao seio das reuniões, sem que elas mesmas lucrem coisa alguma; por isso, deixamo-las à margem, por não querermos com elas perder nosso tempo. Muitos até ficariam incomodados, se se vissem forçados a crer, por terem de ferir seu amor-próprio com a confissão de se haverem enganado. Que se pode responder a quem não vê por toda parte senão ilusão e charlatanismo? Nada; é melhor deixá-los tranquilos e dizerem, tanto quanto quiserem, que nada viram, e, mesmo, que nada se pôde ou se quis mostrar-lhes. Ao lado desses céticos endurecidos estão os que querem ver a seu modo, que, tendo formado uma opinião, pretendem por ela explicar tudo; estes não compreendem que os fenômenos se possam dar contrariamente ao seu desejo; não sabem ou não querem colocar-se nas condições precisas para obtê-los. Quem de boa-fé deseja observar, deve, não digo crer sob palavra, mas abandonar toda ideia preconcebida e não querer comparar coisas incompatíveis; cumpre-lhe aguardar, seguir, observar com paciência infatigável; esta condição é também favorável aos que se tornam adeptos, pois que ela prova não haverem formado levianamente a sua convicção. Disponde vós de tal paciência? Não, e direis: por falta de tempo. Então não vos ocupeis, não faleis mais nisso, pois ninguém a tal vos obriga.




Estudo do Livro dos Espíritos






589. Algumas plantas, como a sensitiva e a dionéia, por exemplo, executam movimentos que denotam grande sensibilidade e, em certos casos, uma espécie de vontade, conforme se observa na segunda, cujos lóbulos apanham a mosca que sobre ela pousa para sugá-la, parecendo que urde uma armadilha com o fim de capturar e matar aquele inseto. São dotadas essas plantas da faculdade de pensar? Têm vontade e formam uma classe intermediária entre a Natureza vegetal e a Natureza animal? Constituem a transição de uma para outra?

“Tudo em a Natureza é transição, por isso mesmo que uma coisa não se assemelha a outra e, no entanto, todas se prendem umas às outras. As plantas não pensam; por conseguinte carecem de vontade. Nem a ostra que se abre, nem os zoófitos pensam: têm apenas um instinto cego e natural.” 

O organismo humano nos proporciona exemplo de movimentos análogos, sem participação da vontade, nas funções digestivas e circulatórias. O piloro se contrai, ao contacto de certos corpos, para lhes negar passagem. O mesmo provavelmente se dá na sensitiva, cujos movimentos de nenhum modo implicam a necessidade de percepção e, ainda menos, da vontade.




Que a graça e a paz sejam conosco!