quarta-feira, 7 de abril de 2021

A Gênese

 

"Ante a face de Deus, treme, ó terra." -( Salmos, 113: 7 )-



Amados irmãos, bom dia!

Trema de alegria e confiança, pois, só o Senhor é Deus.



10. Em face dos progressos da Física e da Astronomia, é insustentável semelhante doutrina.126 Entretanto, Moisés atribui ao próprio Deus aquelas palavras. Ora, visto que elas exprimem um fato notoriamente  falso, uma de duas: ou Deus se enganou na narrativa que fez da sua obra, ou essa narrativa não é de origem divina. Não sendo admissível a primeira hipótese, forçoso é concluir que Moisés apenas exprimiu suas próprias ideias. (Cap. I, item 3.)

126 Nota de Allan Kardec: Embora muito grosseiro o erro de tal crença, com ela ainda se embalam presentemente as crianças, como se se tratara de uma verdade sagrada. Só a tremer ousam os educadores aventurar-se a uma tímida interpretação. Como quererem que isso não venha mais tarde a fazer incrédulos?



Que a graça e a paz sejam conosco!

terça-feira, 6 de abril de 2021

A Gênese

 

"Louvai, ó servos do Senhor, louvai o nome do Senhor." -( Salmos, 112: 1 )-



Amados irmãos, bom dia!

"Desde o nascer ao por do sol, seja louvado o nome do Senhor"



9. Moisés, evidentemente, partilhava das mais primitivas crenças sobre a cosmogonia. Como os do seu tempo, ele acreditava na solidez da abóbada celeste e em reservatórios superiores para as águas. Essa ideia se acha expressa sem alegoria, nem ambiguidade, neste passo (versículos 6 e seguintes): “Deus disse: ‘Faça-se o firmamento no meio das águas para separar das águas as águas.’ Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam debaixo do firmamento das que estavam por cima do firmamento.” (Veja-se: cap. V, Antigos e modernos sistemas do mundo, itens 3 a 5.) Segundo uma crença antiga, a água era tida como o princípio primitivo, o elemento gerador, pelo que Moisés não fala da criação das águas, parecendo que já elas existiam. “As trevas cobriam o abismo”, isto é, as profundezas do espaço, que a imaginação imprecisamente figurava ocupada pelas águas e em trevas, antes da criação da luz. Eis aí por que Moisés diz: “O Espírito de Deus era levado (ou boiava) sobre as águas.” Tida a Terra como formada no meio das águas, era preciso insulá-la. Imaginou-se então que Deus fizera o firmamento, uma abóbada sólida, para separar as águas de cima das que estavam sobre a Terra. A fim de compreendermos certas partes da Gênese, faz-se indispensável que nos coloquemos no ponto de vista das ideias cosmogônicas da época que ela reflete.



Que a graça e a paz sejam conosco!

segunda-feira, 5 de abril de 2021

A Gênese

 

"Feliz o homem que teme o Senhor e põe o seu prazer em observar os seus mandamentos." -( Salmos, 111: 1 )-



Amados irmãos, bom dia!

Bem aventurados os que tem no Senhor a sua vida entregue.



8. Um dos pontos que mais criticados têm sido na gênese é o da criação do Sol depois da luz. Tentaram explicá-lo, com o auxílio mesmo dos dados fornecidos pela Geologia, dizendo que, nos primeiros tempos de sua formação, por se achar carregada de vapores densos e opacos, a atmosfera terrestre não permitia se visse o Sol que, assim, efetivamente não existia para a Terra. Semelhante explicação seria, porventura, admissível se, naquela época, já houvesse na Terra habitantes que verificassem a presença ou a ausência do Sol. Ora, segundo o próprio Moisés, então, somente plantas havia, as quais, contudo, não teriam podido crescer e multiplicar-se sem o calor solar. Há, pois, evidentemente, um anacronismo na ordem que Moisés estabeleceu para a criação do Sol; mas, involuntariamente ou não, ele não errou, dizendo que a luz precedeu o Sol. O Sol não é o princípio da luz universal; é uma concentração do elemento luminoso em um ponto, ou, por outra, do fluido que, em dadas circunstâncias, adquire as propriedades luminosas. Esse fluido, que é a causa, havia necessariamente de preceder ao Sol, que é apenas um efeito. O Sol é causa, relativamente à luz que dele se irradia; é efeito, com relação à que recebeu. Numa câmara escura, uma vela acesa é um pequeno sol. Que é que se fez para acender a vela? Desenvolveu-se a propriedade iluminante do fluido luminoso e concentrou-se num ponto esse fluido. A vela é a causa da luz que se difunde pela câmara; mas, se não existira o princípio luminoso antes da vela, esta não pudera ter sido acesa. O mesmo se dá com o Sol. O erro provém da ideia falsa, alimentada por longo tempo, de que o universo inteiro começou com a Terra. Daí o não compreenderem que o Sol pudesse ser criado depois da luz. Em princípio, pois, a asserção de Moisés é perfeitamente exata: é falsa no fazer crer que a Terra tenha sido criada antes do Sol. Estando, pelo seu movimento de translação, sujeita a esse último, a Terra houve de ser formada depois dele. É o que Moisés não podia saber, pois que ignorava a lei de gravitação.123  Com a mesma ideia se depara na Gênese dos antigos persas. No primeiro capítulo do Vendidad, 124 Ormuzd,125 narrando a origem do mundo, diz: “Eu criei a luz que foi iluminar o Sol, a Lua e as estrelas.” (Dicionário de mitologia universal) A forma, aqui, é sem dúvida mais clara e mais científica do que em Moisés e não reclama comentários.

123 N.E.: A lei da gravitação universal foi formulada pelo cientista inglês Isaac Newton (1642–1727), que concluiu: “Duas partículas se atraem com forças cuja intensidade é diretamente proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa.”

124 N.E.: Um dos livros do Avesta, que são os textos sagrados do Zoroastrismo. Código de leis civis e religiosas.  

125 N.E.: Aúra-Masda, Ormasde — deus supremo da Criação; princípio do bem, da harmonia, da beleza e da luz, na religião zoroastriana (antiga religião persa, fundada no século VII a.C. por Zoroastro, caracterizada pelo dualismo ético, cósmico e teogônico, que implica a luta primordial entre dois deuses, representantes do bem e do mal. O zoroastrismo influenciou em diversos aspectos doutrinários a tradição judaico-cristã).



Que a graça e a paz sejam conosco!

domingo, 4 de abril de 2021

A Gênese

 

"O temor do Senhor é o começo da sabedoria; sábios são aqueles que o adoram. Sua glória subsiste eternamente." -( Salmos, 110: 10 )-



Amados irmãos, bom dia!

O Senhor fez conosco uma aliança eterna. Nesse dia em que comemoramos a Páscoa, seja uma marco em nossas vidas, como o dia da nossa "passagem" para o caminho do Senhor.



7. Dizendo que a Criação foi feita em seis dias, terá Moisés querido falar de dias de 24 horas, ou terá empregado essa palavra no sentido de período, de duração? É mais provável a primeira hipótese, se nos ativermos ao texto acima, primeiramente, porque esse é o sentido próprio da palavra hebraica iôm, traduzida por dia. Depois, a referência à tarde e à manhã, como limitações de cada um dos seis dias, dá lugar a que se suponha haja ele querido falar de dias comuns. Não se pode conceber qualquer dúvida a tal respeito, estando dito, no versículo 5: “Ele deu à luz o nome de dia e às trevas o nome de noite; e da tarde e da manhã se fez o primeiro dia.” Isto, evidentemente, só se pode aplicar ao dia de 24 horas, constituído de períodos de luz e de trevas. Ainda mais preciso se torna o sentido, quando ele diz, no versículo 17, falando do Sol, da Lua e das estrelas: “Colocou-as no firmamento do céu, para luzirem sobre a Terra; para presidirem ao dia e à noite e para separarem a luz das trevas. E da tarde e da manhã se fez o quarto dia.” Aliás, tudo, na Criação, era miraculoso e, desde que se envereda pela senda dos milagres, pode-se perfeitamente crer que a Terra foi feita em seis vezes 24 horas, sobretudo quando se ignoram as primeiras leis naturais. Todos os povos civilizados partilharam dessa crença, até o momento em que a Geologia surgiu a lhe demonstrar a impossibilidade.



Que a graça e a paz sejam conosco!

sábado, 3 de abril de 2021

A Gênese

 

"No dia do teu nascimento, já possuis a realeza no esplendor da santidade; semelhante ao orvalho, eu te gerei antes da aurora." -( Salmos, 109: 3 )-



Amados irmãos, bom dia!

Desde a eternidade o Senhor nos criou e nos deu um objetivo. Que saibamos viver, segundo a razão pela qual fomos criados.



6. Desse quadro comparativo, o primeiro fato que ressalta é que a obra de cada um dos seis dias não corresponde de maneira rigorosa, como o supõem muitos, a cada um dos seis períodos geológicos. A concordância mais notável se verifica na sucessão dos seres orgânicos, que é quase a mesma, com pequena diferença, e no aparecimento do homem, por último. É esse um fato importante. Há também coincidência, não quanto à ordem numérica dos períodos, mas quanto ao fato em si, na passagem em que se lê que, ao terceiro dia, “as águas que estão debaixo do céu se reuniram num só lugar e apareceu o elemento árido”. É a expressão do que ocorreu no período terciário, quando as elevações da crosta sólida puseram a descoberto os continentes e repeliram as águas, que foram formar os mares. Foi somente então que apareceram os animais terrestres,122 segundo a Geologia e segundo Moisés.

122N.E.: Anfíbios e insetos foram os primeiros animais presentes no planeta, sugiram no Período Devoniano, da Era Paleozoica.



Que a graça e a paz sejam conosco!

sexta-feira, 2 de abril de 2021

A Gênese

 

"Ajudai-me, Senhor, meu Deus, salvai-me segundo a vossa misericórdia." -( Salmos, 108: 26 )-



Amados irmãos, bom dia!

A confiança no Senhor é o que nos faz viver.



5. O quadro comparativo aqui abaixo, em o qual se acham resumidos os fenômenos que caracterizam cada um dos seis períodos, permite se considere o conjunto e se notem as relações e as diferenças que existem entre os referidos períodos e a gênese bíblica. 

CIÊNCIA GÊNESE

I. PERÍODO ASTRONÔMICO – Aglomeração da matéria cósmica universal, num ponto do espaço, em nebulosa que deu origem, pela condensação da matéria em diversos pontos, às estrelas, ao Sol, à Terra, à Lua e a todos os planetas. Estado primitivo, fluídico e incandescente da ­Terra. – Atmosfera imensa, carregada de toda a água em vapor e de todas as matérias volatilizáveis. 1o DIA – O Céu e a Terra. – A luz. Gênese moisaica 213 

II. PERÍODO PRIMÁRIO – Endurecimento da superfície da Terra, pelo resfriamento; formação das camadas graníticas. – Atmosfera espessa e ardente, impenetrável aos raios solares. – Precipitação gradual da água e das matérias sólidas volatilizadas no ar. – Ausência completa de vida orgânica. 2o DIA – O firmamento. – Separação das águas que estão acima do firmamento das que lhe estão debaixo. 

III. PERÍODO DE TRANSIÇÃO – As águas cobrem toda a superfície do globo. – Primeiros depósitos de sedimentos formados pelas águas. – Calor úmido. – O Sol começa a atravessar a atmosfera brumosa. – Primeiros seres organizados da mais rudimentar constituição. – Liquens, musgos, fetos, licopódios, plantas herbáceas. Vegetação colossal. – Primeiros animais marinhos: zoófitos, polipeiros, crustáceos. — Depósitos de hulha. 3o DIA – As águas que estão debaixo do firmamento se reúnem; aparece o elemento árido. – A terra e os mares. – As plantas. 

IV. PERÍODO SECUNDÁRIO – Superfície da Terra pouco acidentada; águas pouco profundas e paludosas. Temperatura menos ardente; atmosfera mais depurada. Consideráveis depósitos de calcários pelas águas. – Vegetação menos colossal; novas espécies; plantas lenhosas; primeiras árvores. – Peixes; cetáceos; animais aquáticos e anfíbios. 4o DIA – O Sol, a Lua e as estrelas. 

V. PERÍODO TERCIÁRIO – Grandes intumescimentos da crosta sólida; formação dos continentes. Retirada das águas para os lugares baixos; formação dos mares. – Atmosfera depurada; temperatura atual produzida pelo calor solar. – ­Gigantescos animais terrestres. Vegetais e animais da atualidade. Pássaros. 5o DIA – Os peixes e os pássaros. DILÚVIO UNIVERSAL 

VI. PERÍODO QUATERNÁRIO OU ­PÓS-DILUVIANO – Terrenos de aluvião. – Vegetais e animais da atualidade. – O homem. 6o DIA – Os animais terrestres. – O homem.



Que a graça e a paz sejam conosco!

quinta-feira, 1 de abril de 2021

A Gênese

 

"Meu coração está firme, ó Deus, meu coração está firme; vou cantar e salmodiar. Desperta-te, ó minha alma." -( Salmos, 107: 2 )-



Amados irmãos, bom dia!

Minha alegria vem do Senhor, por isso, minha alma o busca a todo instante.



4. Notemos, em primeiro lugar, que, como já se disse (cap. VII, item 14), é inteiramente arbitrário o número de seis períodos geológicos, pois que se eleva a mais de vinte e cinco o das formações bem caracterizadas, número que, ademais, apenas determina as grandes fases gerais. Ele só foi adotado, em começo, para encaixar as coisas, o mais possível, no  texto bíblico, numa época, aliás, pouco distante, em que se entendia que a Ciência devia ser controlada pela Bíblia. Essa a razão por que os autores da maior parte das teorias cosmogônicas, tendo em vista facilitar-lhe a aceitação, se esforçaram por pôr-se de acordo com o texto sagrado. Logo que se apoiou no método experimental, a Ciência sentiu-se mais forte e se emancipou. Hoje, é ela que controla a Bíblia. Doutro lado, a Geologia, tomando por ponto de partida unicamente a formação dos terrenos graníticos, não abrange, no cômputo de seus períodos, o estado primitivo da Terra. Tampouco se ocupa com o Sol, com a Lua e com as estrelas, nem com o conjunto do universo, assuntos esses que pertencem à Astronomia. Para enquadrar tudo na ­Gênese, cumpre se acrescente um primeiro período, que abarque essa ordem de fenômenos e ao qual se poderia chamar — período astronômico. Além disso, nem todos os geólogos consideram o diluviano como formando um período distinto, mas como um fato transitório e passageiro, que não mudou sensivelmente o estado climático do globo, nem marcou uma fase nova para as espécies vegetais e animais, pois que, com poucas exceções, as mesmas espécies se encontram, assim antes, como depois do dilúvio. Pode-se, pois, abstrair desse período, sem menosprezo da verdade.



Que a graça e a paz sejam conosco!