terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Aprendendo com as curas - O paralítico de Cafarnaum


"E chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas e disse-lhes: negociai até que eu venha." - Jesus - ( Lucas, 19:13 )




Amados irmãos, bom dia!
"Com a precisa madureza do raciocínio, compreenderá o homem que toda a sua existência é um grande conjunto de negócios espirituais e que a vida, em si, não passa de ato religioso permanente, com vistas aos deveres divinos que nos prendem a Deus. Em razão desta verdade, meu amigo, vê o que fazes e não te esqueças de subordinar teus desejos a Deus, nos negócios que por algum tempo te forem confiados no mundo." -( Vinha de Luz - Chico Xavier / Emmanuel )-







Texto evangélico: 

"E vieram ter com Ele, conduzindo um paralítico, trazido por quatro. E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico. E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados. E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seu coração, dizendo: Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus? E Jesus, conhecendo logo em seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração? Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda? Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na Terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, e toma o teu leito, e vai para tua casa. E levantou-se e, tomando logo o leito, saiu em presença de todos, de sorte que todos se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: Nunca tal vimos (Mc 2:3-12). 

Relata-nos o Evangelho de Marcos a curiosa decisão do paralítico que, localizando a casa em que se achava o Senhor, plenamente sitiada pela multidão, longe de perder a oportunidade, amparou-se no auxílio de amigos, deixando-se resvalar por um buraco, levado a efeito no telhado, de maneira a beneficiar-se no contato do Salvador, aproveitando fervorosamente o ensejo divino.

A leitura atenta do relato de Marcos nos revela alguns ensinamentos que merecem ser destacados: 

a) o desejo de ser curado acalentado pelo paralítico; 

b) o dedicado apoio dos quatro amigos; 

c) as dificuldades que o doente e os seus amigos tiveram que enfrentar; 

d) a bênção da cura realizada por Jesus; 

e) a oportuna lição que o Mestre forneceu aos escribas em resposta à crítica que deles recebera. 

À época de Jesus as curas tinham um caráter religioso ou mágico, devido ao pouco desenvolvimento da Ciência. Evoluindo esta, afastou-se radicalmente da religião por considerar as suas práticas supersticiosas. Nos dias atuais, porém, sabemos que o apoio espiritual está sendo, aos poucos, aceito pela Ciência e, em “[...] sua luta contra a doença, a medicina utiliza os mais variados procedimentos e sistemas para a recuperação da saúde e restauração do equilíbrio de um organismo doente.”

Neste sentido, assinala o Espírito Bezerra de Menezes: Raia uma madrugada nova em que a Ciência e a religião dão-se as mãos em benefício da criatura humana. Amanhece dia novo para a sociedade terrestre, cansada de sofrer, voltando-se para Jesus Cristo, o modelo e guia da humanidade, a fim de transformar o mundo de provas e de expiações em um planeta de regeneração. Já não é possível, postergar o surgimento desses gloriosos dias, porque o Consolador que Jesus prometeu encontra-se na Terra para arrancar, pelas raízes, os fatores que levam ao desespero e à alucinação, não apenas para enxugar as lágrimas que os olhos vertem, senão para extirpar as causas das problemáticas aflitivas da criatura humana.

As curas realizadas por Jesus têm como base a sua poderosa vontade, suas elevadíssimas energias magnéticas e o grande amor demonstrado pelos sofredores e desvalidos de todos os tempos. Como em outros casos, a um impulso de sua vontade poderosíssima, a que se mesclava grande piedade pelo sofrimento daquele homem, as disfunções orgânicas que lhe causavam a paralisia desapareceram por completo, podendo ele levantar-se de pronto e sair caminhando com desenvoltura, sem que subsistissem quaisquer resquícios da doença que até então o retinha preso no leito." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






372. Que objetivo visa a Providência criando seres desgraçados, como os cretinos e os idiotas? 

“Os que habitam corpos de idiotas são Espíritos sujeitos a uma punição. Sofrem por efeito do constrangimento que experimentam e da impossibilidade em que estão de se manifestarem mediante órgãos não desenvolvidos ou desmantelados.” 

a) — Não há, pois, fundamento para dizer-se que os órgãos nada influem sobre as faculdades? 

“Nunca dissemos que os órgãos não têm influência. Têm-na muito grande sobre a manifestação das faculdades, mas não são eles a origem destas. Aqui está a diferença. Um músico excelente, com um instrumento defeituoso, não dará a ouvir boa música, o que não fará que deixe de ser bom músico.” 

Importa se distinga o estado normal do estado patológico. No primeiro, o moral vence os obstáculos que a matéria lhe opõe. Há, porém, casos em que a matéria oferece tal resistência que as manifestações anímicas ficam obstadas ou desnaturadas, como nos de idiotismo e de loucura. São casos patológicos e, não gozando nesse estado a alma de toda a sua liberdade, a própria lei humana a isenta da responsabilidade de seus atos.




Que a graça e a paz sejam conosco!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!


 "Quem lê, atenda." - Jesus - ( Mateus, 24:15 )




Amados irmãos, bom dia!
"Assim como as criaturas, em geral, converteram as produções sagradas da Terra em objeto de perversão dos sentidos, movimento análogo se verifica no mundo, com referência aos frutos do pensamento. O problema do discípulo do Evangelho não é o de ler para alcançar novidades emotivas ou conhecer a Escritura para transformá-la em arena de esgrima intelectual, mas, o de ler para atender a Deus, cumprindo-lhe a Divina Vontade." -( Vinha de Luz - Chico Xavier / Emmanuel )-






O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia  de mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado (Lc 18:13-14). 

"Percebe-se que o publicano mantinha-se numa posição de humilde respeito (“de longe”) ao se dirigir, em prece, a Deus. É certo que todo trabalho sincero de adoração espiritual nos levanta a alma, elevando-nos os sentimentos. [...] A oração refrigera, alivia, exalta, esclarece, eleva, mas, sobretudo, afeiçoa o coração ao serviço divino. Não olvidemos, porém, de que os atos íntimos e profundos da fé são necessários e úteis a nós próprios. Na essência não é o Senhor quem necessita de nossas manifestações votivas, mas somos nós mesmos que devemos aproveitar a sublime possibilidade da repetição, aprendendo com a sabedoria da vida.

Jesus aprova o comportamento do publicano e diz que este retornou justificado para casa. 

Além da atitude humilde, o publicano demonstra que conhece os seus defeitos, sabe que é pecador, daí nem ousar levantar os olhos para o céu. Em [...] seu sentido estritamente etimológico, humilde provém de húmus — rente com a terra. Entretanto, muitos interpretam o vocábulo como sinônimo de baixeza, servilismo, falta de brio, ausência de dignidade pessoal etc. Ora, é claro que Jesus jamais desejaria que um cristão se tornasse sem dignidade e fosse capaz de rebaixar a condição humana, tornando-se servil. É preciso, portanto, que se entenda humildade e humilde como condição de pessoa modesta, sóbria, recatada, discreta, moderada nas atitudes e nas palavras. Nunca, porém, como baixo de caráter, sem dignidade moralmente rasteiro. Humilde é antônimo de arrogante, presunçoso, parlapatão, agressivo, intrometido, insolente, orgulhoso e atrevido. Humilde é aquele que sabe calar, quando poderia gritar; que sabe tolerar e suportar com grandeza de ânimo o excesso alheio, para depois, serenamente, restabelecer a normalidade de uma situação. É aquele que compreende a superioridade da calma sobre a irritação, a ascendência da tolerância sobre a intolerância, o valor da modéstia sobre a insolência, a coragem da paciência sobre a irritação, a ascendência da tolerância sobre a intolerância, o valor da modéstia sobre a insolência, a coragem da paciência sobre a irritação, a elevação do comportamento ponderado sobre a atuação agressiva.

A humildade é, possivelmente, a mais difícil das virtudes a ser conquistada no mundo atual que, governado pelo materialismo, enfatiza o orgulho e a vaidade. A humildade se opõe ao orgulho, à vaidade, à presunção, à autossuficiência, causa de tanta ruína, de tanto desespero, de tanta desilusão. Acreditamos que a humildade possa ser conquistada pelo esforço cotidiano pela melhoria do caráter. [...] Para que sejamos fundamentalmente humildes [...] temos que educar a nossa alma, de modo que a ação de cada dia nos favoreça um exame rigoroso do comportamento adotado e, de confronto em confronto, possamos eliminar os pontos fracos e revigorar aqueles que nos mostramos coerentes com Doutrina. 

Humildade dirigida nem sempre adquire autenticidade. Ela tem de ser espontânea, exercendo-se naturalmente, sem que nos apercebamos que ela se desenvolve à revelia do controle da vontade. A humildade controlada, mas não livre, pode facilitar benefícios, mas não tem a força, o poder de expansão da humildade autêntica, como a que foi revelada por Jesus e praticada por numerosos Espíritos que, na Terra, seguiram de perto, ou tanto quanto possível, o exemplo do Mestre de Nazaré.

O último versículo do texto de Lucas (“porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado”) nos faz refletir que a humildade deve e pode ser exercitada por meio de serviço ao semelhante, em nome de Jesus, como bem nos esclarece o Espírito Irmão X: Onde está a humildade, há disposição para servir fielmente a Jesus. O verdadeiro humilde, embora conheça a insuficiência própria, declara-se escravo da vontade do Senhor, para atender-lhe aos sublimes desígnios, seja onde for." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






IDIOTISMO, LOUCURA 


371. Tem algum fundamento o pretender-se que a alma dos cretinos e dos idiotas é de natureza inferior? 

“Nenhum. Eles trazem almas humanas, não raro mais inteligentes do que supondes, mas que sofrem da insuficiência dos meios de que dispõem para se comunicar, da mesma forma que o mudo sofre da impossibilidade de falar.”




Que a graça e a paz sejam conosco!

domingo, 5 de fevereiro de 2017

“Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens..."


“Assim  como tu me enviaste  ao mundo, também eu os  enviei ao mundo.”  - Jesus - ( João, 17:18 )




Amados irmãos, bom dia!
"Se abraçaste, meu  amigo, a tarefa espiritista ­cristã, em nome da fé sublimada, sedento de vida superior, recorda que o  Mestre te enviou  o coração  renovado ao vasto campo do mundo para servi­-lo. Não só ensinarás o bom caminho. Agirás de acordo com os princípios elevados que apregoas. Ditarás diretrizes nobres para os outros, contudo, marcharás dentro delas, por tua vez. 
Ora e vigia. Ama e espera. Serve e renuncia. Se não te dispões a aproveitar a lição do Mestre Divino, afeiçoando  a própria vida aos seus ensinamentos, a tua fé terá sido vã." -( Pão Nosso - Chico Xavier / Emmanuel )-










O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo (Lc 18:11 a 12). 

"A oração do fariseu tem expressões infelizes que refletem, sobretudo, orgulho religioso, considerado como vaidade perniciosa, já que pode conduzir à falsa crença de que, sendo religioso ou praticante de uma religião, é uma criatura melhor, superior, iluminada ou escolhida por Deus. A vaidade de alguns religiosos pode ser entendida como uma exacerbação do amor-próprio, confiantes de que Deus se sente honrado em tê-los como adeptos. A posição de pé indica a forma de demonstrar respeito, comum entre os religiosos da Antiguidade. Nos dias atuais, encontramos essa prática nos templos religiosos quando se faz, por exemplo, a leitura de um texto considerado sagrado para os cristãos e para os não cristãos. 

Na verdade, sabemos que a posição do corpo não confere maior ou menor respeito ao ato de orar, mas, sim, a postura íntima de quem ora. O [...] objetivo da prece consiste em elevar a nossa alma a Deus; a diversidade das fórmulas nenhuma diferença deve criar entre os que nele creem, nem, ainda menos, entre os adeptos do Espiritismo, porquanto Deus as aceita todas quando sinceras. [...] O espiritismo reconhece boas as preces de todos os cultos, quando ditas de coração e não de lábios somente. Nenhuma impõe, nem reprova nenhuma. Deus, segundo ele, é sumamente grande para repelir a voz que lhe suplica ou lhe entoa louvores, porque o faz de um modo e não de outro. [...] A qualidade principal da prece é ser clara, simples e concisa, sem fraseologia inútil, nem luxo de epítetos, que são meros adornos de lentejoulas. Cada prece deve ter um alcance próprio, despertar uma ideia, pôr em vibração uma fibra da alma. Numa palavra: deve fazer refletir. Somente sob essa condição pode a prece alcançar o seu objetivo; de outro modo não passa de ruído. 

O fariseu não proferiu uma prece, propriamente dita, mas uma vaidosa auto louvação, identificada nas seguintes frases do texto evangélico: “Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens,  roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano”. 

A propósito, esclarece Allan Kardec como devemos orar: Jesus definiu claramente as qualidades da prece. Quando orardes, diz Ele, não vos ponhais em evidência; antes, orai em secreto. Não afeteis orar muito, pois não é pela multiplicidade das palavras que sereis escutados, mas pela sinceridade delas. Antes de orardes, se tiverdes qualquer coisa contra alguém, perdoai-lhe, visto que a prece não pode ser agradável a Deus, se não parte de um coração purificado de todo sentimento contrário à caridade. Orai, enfim, com humildade, como o publicano, e não com orgulho, como o fariseu. Examinai os vossos defeitos, não as vossas qualidades e, se vos comparardes aos outros, procurai o que há em vós de mau.

O que vale, dentro das técnicas preconizadas, é o sentimento vigorante. Ironizar, fazer comparações infelizes é fugir aos padrões de que se deve revestir. Orando, devemos nos colocar em estado de humildade e receptividade. A personalidade orgulhosa e vaidosa do fariseu revela também preconceito e discriminação quando se compara ao publicano. Trata-se de um religioso distanciado do seu papel de orientador espiritual. Este trecho nos faz lembrar o apóstolo Paulo que dizia: “Eu sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes” (Romanos 1:14). 

De todos os males o orgulho é o mais temível, pois deixa em sua passagem o germe de quase todos os vícios. [...] Desde que penetra as almas, como se fossem praças conquistadas, ele tudo se assenhoreia, instala-se à vontade e fortifica-se até se tornar inexpugnável. Ai de quem se deixou apanhar pelo orgulho! [...] Não poderá libertar-se desse tirano senão a preço de terríveis lutas, depois de dolorosas provações e de muitas existências obscuras, depois de bastantes insultos e humilhações, porque nisso somente é que está o remédio eficaz para os males que o orgulho engendra.

A postura do fariseu transmite significativa lição. Devemos ter cuidado para não nos julgarmos melhores, apenas porque ocupamos posição de destaque no meio social ou profissional que estamos inseridos. O que diferencia uma pessoa da outra são as qualidades do seu Espírito. Sim, porque aos olhos de Deus não basta que nos abstenhamos do mal e nos mostremos rigorosos no cumprimento de determinadas regrazinhas do bom comportamento social; acima disso, é-nos necessário reconhecer que todos somos irmãos, não nos julgamos superiores a nossos semelhantes, por mais culpados e miseráveis que pareçam, nem tampouco desprezá-los, porque isso constitui, sempre, falta de caridade.

A afirmativa do fariseu: não sou como os demais homens [...] nem ainda como este publicano”, além de ser improcedente, indica o desprezo que ele tinha pelos cobradores de impostos. Revela imaturidade espiritual não aprovar alguém em razão da profissão, até porque, no caso, existiram publicanos que se destacaram no bem, como foi o caso do evangelista Mateus (Lc 5:27-29) ou de Zaqueu, o publicano (Lc 19:1 a 10). No seu monólogo com o Senhor, o fariseu se vê também como pessoa justa quando afirma: “Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo”. Percebe-se que o seu foco de interesse não era difusão e vivência da palavra de Deus, mas as manifestações de culto externo. 

As práticas religiosas da lei moisaica determinavam o jejum e o pagamento do dízimo como regras de condutas dos fiéis. O jejum, definido como uma abstinência de alimentos por prescrição religiosa ou por espírito de mortificação, ainda é utilizado nos tempos modernos. As igrejas cristãs incorporaram essa prática ancestral em sua ortodoxia como forma de exercitar a disciplina quanto a privação de algo que produz prazer ou alegria, procurando domar os impulsos fisiológicos relativos à alimentação e ao sexo. Figuradamente, o jejum pode ser entendido como qualquer abstinência ou privação física, moral ou intelectual estabelecida por livre iniciativa. Isto é, jejum de maus pensamentos, de palavras e ações contrárias ao bem. É certo que para realizarmos a nossa transformação moral é necessário definirmos um “regime de jejum” contra as imperfeições que ainda possuímos. Jesus, entretanto, não prescreveu jejum de alimentos aos seus discípulos, como está claramente identificado nesta citação: “Por que jejuamos nós, e os fariseus, muitas vezes, e os teus discípulos não jejuam?” (Mt 9:14)." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






370. Da influência dos órgãos se pode inferir a existência de uma relação entre o desenvolvimento dos do cérebro e o das faculdades morais e intelectuais? 

“Não confundais o efeito com a causa. O Espírito dispõe sempre das faculdades que lhe são próprias. Ora, não são os órgãos que dão as faculdades, e sim estas que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos.” 

a) — Dever-se-á deduzir daí que a diversidade das aptidões entre os homens deriva unicamente do estado do Espírito? 

“O termo — unicamente — não exprime com toda a exatidão o que ocorre. O princípio dessa diversidade reside nas qualidades do Espírito, que pode ser mais ou menos adiantado. Cumpre, porém, se leve em conta a influência da matéria, que mais ou menos lhe cerceia o exercício de suas faculdades.” 

Encarnando, traz o Espírito certas predisposições e, se se admitir que a cada uma corresponda no cérebro um órgão, o desenvolvimento desses órgãos será efeito e não causa. Se nos órgãos estivesse o princípio das faculdades, o homem seria máquina sem livre-arbítrio e sem a responsabilidade de seus atos. Forçoso então fora admitir-se que os maiores gênios, os sábios, os poetas, os artistas, só o são porque o acaso lhes deu órgãos especiais, donde se seguiria que, sem esses órgãos, não teriam sido gênios e que, assim, o maior dos imbecis houvera podido ser um Newton, um Vergílio, ou um Rafael, desde que de certos órgãos se achassem providos. Ainda mais absurda se mostra semelhante hipótese, se a aplicarmos às qualidades morais. 

Efetivamente, segundo esse sistema, um Vicente de Paulo, se a Natureza o dotara de tal ou tal órgão, teria podido ser um celerado e o maior dos celerados não precisaria senão de um certo órgão para ser um Vicente de Paulo. Admita-se, ao contrário, que os órgãos especiais, dado existam, são consequentes, que se desenvolvem por efeito do exercício da faculdade, como os músculos por efeito do movimento, e a nenhuma conclusão irracional se chegará.  Sirvamo-nos de uma comparação, trivial à força de ser verdadeira. Por alguns sinais fisionômicos se reconhece que um homem tem o vício da embriaguez. Serão esses sinais que fazem dele um ébrio, ou será a ebriedade que nele imprime aqueles sinais? Pode dizer-se que os órgãos recebem o cunho das faculdades.




Que a graça e a paz sejam conosco!

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Um, fariseu, e o outro, publicano


“Porque também nós éramos, noutro tempo, insensatos.” - Paulo - ( Tito, 3:3 )




Amados irmãos, bom dia!
"Compreensão e respeito devem preceder-­nos a tarefa em qualquer parte. Recordemos nós mesmos, na passagem pelos círculos mais baixos, e estendamos braços fraternos aos irmãos que se debatem nas sombras. Se te encontras interessado no serviço do Cristo, lembra-­te de que Ele não  funcionou em promotoria de acusação e, sim, na tribuna do sacrifício até à cruz, na condição de advogado do mundo inteiro."  -( Pão Nosso - Chico Xavier / Emmanuel )-






"Dois homens subiram ao templo, a orar; um, fariseu, e o outro, publicano (Lc 18:10). 

Jesus montou um cenário que nos auxilia o entendimento da sua parábola, selecionando o local e personagens bastante conhecidos, para ilustrar os malefícios do orgulho e os benefícios da humildade. O templo, lugar onde ocorreu o encontro do fariseu e do publicano, é usualmente entendido como um espaço sagrado, destinado às práticas religiosas; ao louvor, agradecimento e súplicas dirigidas a Deus. É sempre visto como um local de oração. Quando alguém, religioso ou não, adentra um templo assume, de forma espontânea, uma postura contrita e respeitosa. Posição esta que foi rejeitada pelo fariseu e assumida pelo publicano. 

Templo, porém, tem outro significado, mais subjetivo: indica o centro ou a essência das nossas cogitações íntimas e autênticas, onde trazemos gravados nossos sonhos e ideais. O Espiritismo ensina que à medida que evoluímos santificamos também este templo íntimo, aperfeiçoando sentimentos, pensamentos, palavras e ações. Os personagens, da parábola, o fariseu e o publicano, eram elementos de destaque na sociedade judaica, à época de Jesus. Identificamos na figura do fariseu as pessoas que não se misturam com as demais, por escrúpulo ou por temor de serem por elas influenciadas. Em geral, são detalhistas, personalistas, isoladas em ideias e posições, inclusive na prática da lei de Deus. Por trazerem a visão focada, passam pela vida quase sempre indiferentes às necessidades dos semelhantes. Costumam ser, também, indivíduos cultos, mas vaidosos do saber que possuem. Mostram-se autoritários e exigentes em relação às pessoas que lhes estão subordinadas. 

O fariseu ou o espírito do farisaísmo retrata, infelizmente, muitos de nós, estudantes empenhados na luta do crescimento, mas ainda distanciados da capacidade operacional do amor. Em termos históricos, porém, sabemos que existiram fariseus notáveis, homens piedosos e de grande influência, que souberam superar os limites do farisaísmo, como é o caso de Nicodemos (Jo 3:1),  do homem que acolheu Simão (Lc 7:36), de Gamaliel (At 5:34-35) e do próprio Paulo de Tarso (At 3:5). 

Os fariseus (do hebreu parush, divisão, separação) formavam uma das mais influentes seitas judaicas à época de Jesus. Entre essas seitas, a mais influente era a dos fariseus, que teve por chefe Hillel, doutor judeu nascido na Babilônia, fundador de uma escola célebre, onde se ensinava que só se devia depositar fé nas Escrituras. Sua origem remonta a 180 ou 200 anos antes de Jesus Cristo [...]. Tomavam parte ativa nas controvérsias religiosas. Servis cumpridores das práticas exteriores do culto e das cerimônias; cheios de um zelo ardente de proselitismo, inimigos dos inovadores, afetavam grande severidade de princípios; mas, sob as aparências de meticulosa devoção, ocultavam costumes dissolutos, muito orgulho e, acima de tudo, excessiva ânsia de dominação. Tinham a religião mais como meio de chegarem a seus fins, do que como objeto de fé sincera. Da virtude nada possuíam, além das exterioridades e da ostentação; entretanto, por umas e outras, exerciam grande influência sobre o povo, a cujos olhos passavam por santas criaturas. Daí o serem muito poderosos em Jerusalém.

Os publicanos, por outro lado, não representavam uma casta sacerdotal, mas, sim, cobradores de impostos ou de tributos definidos pelo domínio romano na Palestina. Os riscos a que estavam sujeitos faziam que os olhos se fechassem para as riquezas que muitas vezes adquiriam e que, da parte de alguns, eram frutos de exações e de lucros escandalosos. O nome de publicano se estendeu mais tarde a todos os que superintendiam os dinheiros públicos e aos agentes subalternos. Hoje esse termo se emprega em sentido pejorativo, para designar os financistas e os agentes pouco escrupulosos de negócios. Diz-se por vezes: “Ávido como um publicano, rico como um publicano”, com referência a riquezas de mau quilate. [...] Os judeus de destaque consideravam um comprometimento ter com eles intimidade.

A opção de Jesus de ilustrar a parábola com esses dois personagens sugere ser proposital, nos permitindo refletir se, face o programa de melhoria que estamos empenhados, estamos colocando em prática as lições edificantes que nos chegam continuamente do plano maior. O nosso desejo, obviamente, é seguir o comportamento do publicano, devemos, porém, ficar atentos de que ainda trazemos muitas características da postura do fariseu nos meandros do nosso psiquismo." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






369. O livre exercício das faculdades da alma está subordinado ao desenvolvimento dos órgãos? 

“Os órgãos são os instrumentos da manifestação das faculdades da alma, manifestação que se acha subordinada ao desenvolvimento e ao grau de perfeição dos órgãos, como a excelência de um trabalho o está à da ferramenta própria à sua execução.” 




Que a graça e a paz sejam conosco!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Confiavam em si mesmos, crendo que eram justos


“Tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e  agora ouvis estar em mim.” - Paulo -  ( Filipenses, 1:30 )




Amados irmãos, bom dia!
"Se ainda não combates contigo mesmo, dia virá em que serás chamado a semelhante serviço. Ora e vigia, prepara-­te e afeiçoa o coração à humildade e à paciência. Lembra-­te, meu irmão, de que nem mesmo Paulo, agraciado pela visita pessoal de Jesus, conseguiu escapar." -( Pão Nosso - Chico Xavier / Emmanuel )-






Interpretação do texto evangélico: 


"E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros (Lc 18:9). 

Confiar em si mesmo não representa algo condenável. Ao contrário, demonstra confiança no que se sabe e na fé que se abraça. A ponderação de Jesus registrada nesse versículo nos fala, entretanto, do excesso de confiança que conduz a pessoa a julgar-se como referência de justiça. Este tipo de comportamento, em geral alimentado pelo orgulho e pela vaidade, nos transformam em pessoas presunçosas e arrogantes, a ponto de desprezar os outros, o que pensam e o que fazem. 

Do orgulho procedem todas as megalomanias, das mais grotescas às mais perigosas, como aquela que tem por escopo o domínio do mundo. São incontáveis os malefícios que o orgulho engendra no coração humano, ocultando-se e disfarçando-se de todas as formas. É assim que vemos pessoas cujas palavras, escritas ou faladas, são amenas e cheias de doçura; ao sentirem-se, porém, melindradas no seu excessivo amor-próprio, ei-las transformadas em verdadeiras feras, insultando e agredindo, na defesa do que chamam — dignidade." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






368. Após sua união com o corpo, exerce o Espírito, com liberdade plena, suas faculdades? 

“O exercício das faculdades depende dos órgãos que lhes servem de instrumento. A grosseria da matéria as enfraquece.” 

a) — Assim, o invólucro material é obstáculo à livre manifestação das faculdades do Espírito, como um vidro opaco o é à livre irradiação da luz? 

“É, como vidro muito opaco.” 

Pode-se comparar a ação que a matéria grosseira exerce sobre o Espírito à de um charco lodoso sobre um corpo nele mergulhado, ao qual tira a liberdade dos movimentos.




Que a graça e a paz sejam conosco!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O fariseu e o publicano


“Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são  da Terra.” - Paulo - ( Colossenses, 3:2 )




Amados irmãos, bom dia!
"O Cristianismo primitivo não desconhecia a necessidade da mente sã e iluminada de aspirações superiores, na vida daqueles que abraçam no Evangelho a renovação substancial.  O pensamento é energia irradiante. Espraiemo-­lo na Terra e prender-­nos­-emos, naturalmente, ao chão. Elevemo-­lo para o Alto  e conquistaremos a espiritualidade sublime. Nosso espírito residirá onde projetarmos nossos pensamentos, alicerces vivos do  bem e do mal. Por isto mesmo, dizia Paulo, sabiamente: –  “Pensai nas coisas que são de cima.” -( Pão Nosso - Chico Xavier / Emmanuel )-






Texto evangélico: 

"E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo, a orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado (Lc 18:9-14). 

A Parábola do Fariseu e do Publicano coloca em evidência os malefícios do orgulho e os benefícios da humildade. Ilustra também a maneira correta de orar. A parábola nos faz refletir que o processo evolutivo existente em nosso planeta segue um mecanismo básico de autovalorização e autopreservação das experiências humanas que, em síntese, se caracterizam por uma marcha horizontal de aquisição de conhecimento e uma caminhada na verticalidade, necessária à apreensão de valores morais. Por meio das inúmeras experiências reencarnatórias, o ser humano desenvolve os valores da inteligência e o seu aperfeiçoamento moral. 

Este último passa a ser buscado como processo evolutivo natural a partir do momento que o Espírito começa a valorizar os bons sentimentos, a conduta reta, o respeito ao semelhante e às suas necessidades. Nesse cenário a humildade, reconhecida como um componente essencial à felicidade faz oposição ao orgulho e à vaidade. 

O processo da espiritualização humana é marco evolutivo de grande significância. O Espírito, nestas condições, volta-se para Deus buscando vivenciar a religião no sentido pleno e verdadeiro, que é a ligação da criatura com o Criador, assim conceituada por Emmanuel:  Religião é o sentimento divino, cujas exteriorizações são sempre o Amor, nas expressões mais sublimes. Enquanto a Ciência e a Filosofia operam o trabalho da experimentação e do raciocínio [características da caminhada horizontal], a Religião edifica e ilumina os sentimentos [caminhada vertical]. As primeiras se irmanam na Sabedoria, a segunda personifica o Amor, as duas asas divinas com que a alma humana penetrará, um dia, nos pórticos sagrados da espiritualidade.

A maneira correta de orar, outro aspecto relevante no estudo da parábola, indica que uma prece deve estar sempre revestida de humildade, tal como agiu “[...] o publicano, e não com orgulho, como o fariseu”.

A prece é recurso divino em nosso benefício. Não basta, porém, orar é preciso saber como nos dirigir ao Senhor da vida, sintonizando com a falange de Espíritos superiores que, agindo em seu nome, nos concedem o necessário conforto moral para enfrentar as dificuldades e desafios inerentes ao processo ascensional. A prece deve ser cultivada, não para que sejam revogadas as disposições da lei divina, mas a fim de que a coragem e a paciência inundem o coração de fortaleza nas lutas ásperas, porém necessárias. A alma, em se voltando para Deus, não deve ter em mente senão a humildade sincera na aceitação de sua vontade superior." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






INFLUÊNCIA DO ORGANISMO 


367. Unindo-se ao corpo, o Espírito se identifica com a matéria? 

“A matéria é apenas o envoltório do Espírito, como o vestuário o é do corpo. Unindo-se a este, o Espírito conserva os atributos da natureza espiritual.”




Que a graça e a paz sejam conosco!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A candeia do corpo é o olho


“E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho  da  ressurreição  do  Senhor  Jesus,  e  em  todos  eles  havia  abundante graça”. -( Atos, 4:33 )-




Amados irmãos, bom dia!
"Os discípulos do Senhor conheciam a importância da certeza na sobrevivência para o triunfo na vida moral. Eles mesmos se viram radicalmente transformados, após a ressurreição do Amigo Celeste, ao reconhecerem que o amor  e a justiça regem o ser além do túmulo. Por isso mesmo, atraíam companheiros novos, transmitindo-­lhes a convicção de que o Mestre prosseguia vivo e operoso, para lá do sepulcro." -( Pão Nosso - Chico Xavier / Emmanuel )-






A candeia do corpo é o olho. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o teu corpo será tenebroso. Vê, pois, que a luz que em ti há não sejam trevas. Se, pois, todo o teu corpo é luminoso, não tendo em trevas parte alguma, todo será luminoso, como quando a candeia te alumia com o seu resplendor (Lc 11:34-36). 

"O benfeitor Emmanuel assim se expressa a respeito da candeia do corpo: Atentemos para o símbolo da candeia. A claridade na lâmpada consome força ou combustível. Sem o sacrifício da energia ou do óleo não há luz. Para nós, aqui, o material de manutenção é a possibilidade, o recurso, a vida. Nossa existência é uma candeia viva. É um erro lamentável despender nossas forças, sem proveito para ninguém, sob a medida de nosso egoísmo, de nossa vaidade ou de nossa limitação pessoal. Coloquemos nossas possibilidades ao dispor dos semelhantes. Ninguém deve amealhar as vantagens da experiência terrestre somente para si. Cada Espírito provisoriamente encarnado, no círculo humano, goza de imensas prerrogativas, quanto à difusão do bem, se persevera na observância do amor universal. Prega, pois, as revelações do Alto, fazendo-as mais formosas e brilhantes em teus lábios; insta com parentes e amigos para que aceitem as verdades imperecíveis; mas, não olvides que a candeia viva da iluminação espiritual é a perfeita imagem de ti mesmo. Transforma as tuas energias em bondade e compreensão redentoras para toda gente, gastando, para isso, o óleo de tua boa vontade, na renúncia e no sacrifício, e tua vida, em Cristo, passará realmente a brilhar.

O Espírito que já amealhou recursos no bem retira dos acontecimentos cotidianos, preciosas lições, inacessíveis ao cidadão comum. Isso acontece porque ele tem desenvolvida a visão interior, resultante das inúmeras experiências acumuladas ao longo das reencarnações. O seu centro coronário refulge à distância, consoantes os valores intelectuais e morais incorporados ao seu Espírito. 

No que diz respeito ao centro coronário, esclarece André Luiz: Temos particularmente no centro coronário o ponto de interação entre as forças determinantes do Espírito e as forças fisiopsicossomáticas organizadas. Dele parte, desse modo, a corrente de energia vitalizante formada de estímulos espirituais com ação difusível sobre a matéria mental que o envolve, transmitindo aos demais centros da alma os reflexos vivos de nossos sentimentos, ideias e ações, tanto quanto esses mesmos centros, interdependentes entre si, imprimem semelhantes reflexos nos órgãos e demais implementos de nossa constituição particular, plasmando em nós próprios os efeitos agradáveis ou desagradáveis de nossa influência e conduta.

Jesus destaca, porém, a importância de termos todo “o corpo luminoso não tendo em trevas parte alguma”. Ou seja, é preciso saber que há “[...] ciência e há sabedoria, inteligência e conhecimento, intelectualidade e luz espiritual.” 

A pessoa que não sabe fazer essa distinção está sujeita a muitos reveses na existência. Geralmente, todo homem de raciocínio fácil é interpretado à conta de mais sábio, no entanto, há que distinguir. O homem não possui ainda qualidades para registrar a verdadeira luz. Daí a necessidade de prudência e vigilância. Em todos os lugares, há industriosos e entendidos, conhecedores e psicólogos. Muitas vezes, porém, não passam de oportunistas prontos para o golpe do interesse inferior. Quantos escrevem livros abomináveis, espalhando veneno nos corações? Quantos se aproveitam do rótulo da própria caridade visando extrair vantagens à ambição? Não bastam o engenho e a habilidade. Não satisfaz a simples visão psicológica. É preciso luz divina.

Perante o desejo de auxiliar o próximo, devemos aprender a irradiar o bem de forma contínua, independentemente da pessoa ou situação, libertando-nos das manifestações nebulosas do personalismo. Nem sempre a luz reside onde a opinião comum pretende observá-la. Sagacidade não chega a ser elevação, e o poder expressivo apenas é respeitável e sagrado quando se torna ação construtiva com a luz divina. Raciocina, pois, sobre a própria vida. Vê, com clareza, se a pretensa claridade que há em ti não é sombra de cegueira espiritual.

Na medida em que há perseverança na luta educativa, as sugestões negativas do mal não atingem a criatura humana. Caminhando em direção ao bem, o Espírito se liberta pouco a pouco das paixões inferiores, revelando um corpo luminoso de virtudes. Perseverante. Por outro lado, mantendo-se envolvido pela túnica da humildade, da benevolência, do perdão e da fé, aprende a incorporar a luz em si mesmo." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






366. Que se deve pensar da opinião dos que pretendem que as diferentes faculdades intelectuais e morais do homem resultam da encarnação, nele, de outros tantos Espíritos, diferentes entre si, cada um com uma aptidão especial? 

“Refletindo, reconhecereis que é absurda. O Espírito tem que ter todas as aptidões. Para progredir, precisa de  uma vontade única. Se o homem fosse um amálgama de Espíritos, essa vontade não existiria e ele careceria de individualidade, pois que, por sua morte, todos aqueles Espíritos formariam um bando de pássaros escapados da gaiola. Queixa-se, amiúde, o homem de não compreender certas coisas e, no entanto, curioso é ver-se como multiplica as dificuldades, quando tem ao seu alcance explicações muito simples e naturais. Ainda neste caso tomam o efeito pela causa. Fazem, com relação à criatura humana, o que, com relação a Deus, faziam os pagãos, que acreditavam em tantos deuses quantos eram os fenômenos no Universo, se bem que as pessoas sensatas, com eles coexistentes, apenas viam em tais fenômenos efeitos provindos de uma causa única – Deus.” 

O mundo físico e o mundo moral nos oferecem, a este respeito, vários pontos de semelhança. Enquanto se detiveram na aparência dos fenômenos, os cientistas acreditaram fosse múltipla a matéria. Hoje, compreende-se ser bem possível que tão variados fenômenos consistam apenas em modificações da matéria elementar única. As diversas faculdades são manifestações de uma mesma causa, que é a alma, ou do Espírito encarnado, e não de muitas almas, exatamente como os diferentes sons do órgão, os quais procedem todos do ar e não de tantas espécies de ar, quantos os sons. De semelhante sistema decorreria que, quando um homem perde ou adquire certas aptidões, certos pendores, isso significaria que outros tantos Espíritos teriam vindo habitá-lo ou o teriam deixado, o que o tornaria um ser múltiplo, sem individualidade e, conseguintemente, sem responsabilidade. Acresce que o contradizem numerosíssimos exemplos de manifestações de Espíritos, em que estes provam suas personalidades e identidade.




Que a graça e a paz sejam conosco!