sexta-feira, 7 de julho de 2017

A situação de Lázaro, no plano espiritual


“Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o  dia de amanhã, cuidará de si mesmo”.  - Jesus - ( Mateus, 6:34 )




Amados irmãos, bom dia!
"O homem não pode nutrir a pretensão de retificar  o mundo ou  os seus semelhantes de um dia para outro, atormentando-­se em aflições descabidas, mas deve ter cuidado de si, melhorando-­se, educando-­se e iluminando­-se, sempre mais. Realmente, a ave canta, feliz, mas edifica a própria casa. A flor adorna­-se, tranuila; entretanto, obedece aos desígnios do Eterno. O homem deve viver confiante, sempre atento, todavia, em engrandecer­-se na sabedoria e no amor para a obra divina da perfeição." -( Vinha de Luz - Chico Xavier / Emmanuel )-  







"A situação de Lázaro, no plano espiritual, é de alguém vitorioso que, ao vencer a prova da pobreza, desenvolveu também a paciência, a humildade e a fé. Esta é a razão de sua felicidade, compartilhada junto a Abraão, o grande patriarca do povo hebreu. O rico por sua vez, falhou na prova, uma vez que a riqueza lhe obliterou os sentimentos de amor ao próximo, desenvolveu-lhe o egoísmo, acirrou-lhe o orgulho, «[...] tornando-o homem licencioso, amigo de bebedices e deleites.» 

Merece comentário o significado da palavra “abismo” existente nestes versículos: “E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá”. “Abismo” indica a distância evolutiva que há entre um e outro Espírito. Nesta situação, Lázaro não pode retroceder à posição anteriormente ocupada porque, pelas provações sabiamente suportadas, ascendeu na escala espiritual. Por outro lado, o rico não possuía, ainda, qualidades que o colocasse em um nível mais adiantado. Por este motivo esclarece Abraão: “de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá”. 

O sofrimento e o remorso, vivenciados pelo rico, e as benesses desfrutadas por Lázaro, no plano espiritual, são representativas da palavra “abismo.” Abismo de ordem moral, visto que como Abraão e o rico se viam e conversava. Para o Espírito culpado ou falido se reabilitar não basta o arrependimento, que é o primeiro passo a dar; é necessária a reparação. Portanto o rico não podia ser atendido em seu pedido. Cumpria-lhe voltar à Terra, e reparar o mal. A súplica do rico (“Abraão, meu pai, tem misericórdia de mim e manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama”) revela que ele não só reconheceu as dificuldades em que se encontrava, como soube curvar a cabeça e pedir auxílio. Não era, pois, um rico tão orgulhoso; talvez tenha sido mais negligente ou indiferente ao sofrimento do próximo do que propriamente mau.  

E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos. E disse ele: Não, Abraão, meu pai; mas, se algum dos mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. Porém Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite (Lc 16: 22-31). 

É admirável a persistência do rico em minorar, de alguma forma, as consequências do mau uso da riqueza: se não podia, naquele momento, reparar as ações cometidas, tentou beneficiar os seus familiares que ainda permaneciam reencarnados. Esta característica da sua personalidade indica que ele não era também pessoa excessivamente egoísta. Existiam aqueles que eram objeto de sua preocupação, ainda que restrita ao círculo familiar. Lázaro fortificou-se na dor: resistiu, venceu, subiu. O mesmo rico, apesar de sucumbir, tirou sérios proveitos da própria queda. Acordou para a realidade, arrependeu-se, humilhou-se e mostrou interesse pela sorte dos irmãos; numa palavra: as cordas de seus sentimentos despertaram. Ele viu Lázaro. Não viu os demais. Certamente Lázaro não era o único habitante da celestial mansão; mas, cumpria que o rico o visse, porque fora sobre ele que incidira a dureza do seu coração. O algoz deve ver e reconhecer sua vítima. 

A resposta de Abraão é sábia: o testemunho de um Espírito desencarnado não seria jamais considerado, tendo em vista que Espíritos de categoria superior, como Moisés e os profetas, não foram acreditados. Esta resposta nos faz refletir que temos o Evangelho e a Doutrina Espírita para nos guiar e nos garantir a felicidade eterna. Entretanto, agimos como crianças espirituais que muitas vezes desprezam as seguras orientações e se enveredam por caminhos que resultam em amargas provações. A propósito, esclarece Emmanuel: A resposta de Abraão ao rico da parábola ainda é ensinamento de todos os dias, no caminho comum. Inúmeras pessoas se aproximam das fontes de revelação espiritual, entretanto, não conseguem a libertação dos laços egoísticos de modo que vejam e ouçam, qual lhes convém aos interesses essenciais. [...] Ninguém justifique a própria cegueira com a insatisfação do capricho pessoal. O mundo está repleto de mensagens e emissários, há milênios. O grande problema, no entanto, não está em requisitar-se a verdade para atender ao círculo exclusivista de cada criatura, mas na deliberação de cada homem, quanto a caminhar com o próprio valor, na direção das realidades eternas." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






PRESSENTIMENTOS 

522. O pressentimento é sempre um aviso do Espírito protetor? 

“É o conselho íntimo e oculto de um Espírito que vos quer bem. Também está na intuição da escolha que se haja feito. É a voz do instinto. Antes de encarnar, tem o Espírito conhecimento das fases principais de sua existência, isto é, do gênero das provas a que se submete. Tendo estas caráter assinalado, ele conserva, no seu foro íntimo, uma espécie de impressão de tais provas e esta impressão, que é a voz do instinto, fazendo-se ouvir quando lhe chega o momento de sofrê-las, se torna pressentimento.”




Que a graça e a paz sejam conosco!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Os dois lados da moeda


“Disse-­lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar.” -( João, 11:23 )-




Amados irmãos, bom dia!
"O Senhor não se sensibilizou tão ­somente por Lázaro. Amigo Divino, a sua mão carinhosa se estende a nós todos. Reponhamos a morte em seu lugar de processo renovador e enchei­-vos de confiança no futuro, multiplicando as sementeiras de afeições e serviços santificantes. Quando perderdes temporariamente a companhia direta de um ente amado, recordai as palavras do Cristo; aquela reduzida família de Betânia é a miniatura da imensa família da Humanidade." -( Vinha de Luz - Chico Xavier / Emmanuel )-  






E aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico e foi sepultado. E, no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão e Lázaro, no seu seio. E, clamando, disse: Abraão, meu pai, tem misericórdia de mim e manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro, somente males; e, agora, este é consolado, e tu, atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá (Lc 16:19-21). 

"Os efeitos de nosso proceder durante a existência atual vão refletir-se na outra vida. O rico banqueteava-se, ria, folgava. Lázaro gemia, chorava resignadamente. Vem a morte e a ambos arrebata, porque a morte é inexorável. O corpo para o túmulo, a alma para o Juízo. 

A consciência é a faculdade que o Espírito possui de refletir sobre si mesmo a luz da divina justiça. Cada um traz consigo o seu juiz. Por isso o rico se viu envolvido nas chamas devoradoras do remorso, enquanto Lázaro fruía o repouso do justo. 

Cairbar Schutel compara a situação do rico e a de Lázaro, no além-túmulo, com os dois lados de uma moeda, ou medalha, esclarecendo sobre as dificuldades de compreender o que cada face simboliza, efetivamente. O [...] mendigo vai para a abundância, e o rico é que passa a mendigar! É o reverso da medalha. Vós tendes visto muitas medalhas? Figuremo-las numa libra esterlina: de um lado traz a figura do rei [ou rainha], mas, do outro o seu valor real. [...] 

Cada um de nós é uma medalha; e como medalha, a libra de ouro vale segundo o câmbio corrente, assim também nós valemos de acordo com o câmbio espiritual, que taxa o valor das nossas almas. Aqueles que olham só a efígie, não conhecem o valor do dinheiro [...]. Assim também os que olham o homem só pelas aparências, pelo exterior, não conhecem o homem, porque o exterior do homem é a efígie da vaidade, do egoísmo e do orgulho.  O que vale na moeda é o reverso; o que vale no homem é o interior, ou seja, o Espírito. O rico trazia no verso o característico do rei,  mas, depois que morreu, apurou-se o valor da medalha gravado no reverso, e esse valor não permitiu o rico senão uma “entrada” no Hades [submundo, “inferno”]." -( FEB - EADE )- 





Estudo do Livro dos Espíritos






521. Podem certos Espíritos auxiliar o progresso das artes, protegendo os que às artes se dedicam? 

“Há Espíritos protetores especiais e que assistem os que os invocam, quando dignos dessa assistência. Que queres, porém, que façam com os que julgam ser o que não são? Não lhes cabe fazer que os cegos vejam, nem que os surdos ouçam.” 

Os antigos fizeram, desses Espíritos, divindades especiais. As Musas não eram senão a personificação alegórica dos Espíritos protetores das ciências e das artes, como os deuses Lares e Penates simbolizavam os Espíritos protetores da família. Também modernamente, as artes, as diferentes indústrias, as cidades, os países têm seus patronos, que mais não são do que Espíritos superiores, sob várias designações. Tendo todo homem Espíritos que com ele simpatizam, claro é que, nos corpos coletivos, a generalidade dos Espíritos que lhes votam simpatia está em proporção com a generalidade dos indivíduos; que os Espíritos estranhos são atraídos para essas coletividades pela identidade dos gostos e das idéias; em suma, que esses agregados de pessoas, tanto quanto os indivíduos, são mais ou menos bem assistidos e influenciados, de acordo com a natureza dos sentimentos dominantes entre os elementos que os compõem. 

Nos povos, determinam a atração dos Espíritos os costumes, os hábitos, o caráter dominante e as leis, as leis sobretudo, porque o caráter de uma nação se reflete nas suas leis. Fazendo reinar em seu seio a justiça, os homens combatem a influência dos maus Espíritos. Onde quer que as leis consagrem coisas injustas, contrárias à Humanidade, os bons Espíritos ficam em minoria e a multidão, que aflui, dos maus mantém a nação aferrada às suas idéias e paralisa as boas influências parciais, que ficam perdidas no conjunto, como insuladas espigas entre espinheiros. Estudando-se os costumes dos povos ou de qualquer reunião de homens, facilmente se forma idéia da população oculta que se lhes imiscui no modo de pensar e nos atos.




Que a graça e a paz sejam conosco!

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Dívida de amor


“Portanto, dai a cada um o que deveis; a quem tributo,  tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem  honra, honra.”  - Paulo - ( Romanos, 13:7 )




Amados irmãos, bom dia!
"Resgata os títulos de amor que te prendem a todos os seres e coisas do  caminho.Quanto maior a compreensão de um homem, mais alto é o débito dele para com a Humanidade; quanto mais sábio, mais rico para satisfazer aos impositivos de cooperação no progresso universal. Não te iludas. Deves sempre alguma coisa ao companheiro de luta, tanto  quanto à estrada que pisas despreocupadamente. E quando  resgatares as tuas obrigações, caminharás na Terra recebendo o amor e a recompensa de todos." -( Vinha de Luz - Chico Xavier / Emmanuel )-  








Interpretação do texto evangélico:

Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele. E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas (Lc 16:19-21). 

"O rico e Lázaro personificam os extremos de duas classes sócio-econômicas existentes na Humanidade: uma possuidora de recursos e facilidades concedidas pela riqueza: bens (“homem rico”); vestimentas (“vestia-se de púrpura e linho finíssimo”), alimentação e confortos (“vivia todos os dias regalada e  esplendidamente”). A outra pobre e portadora de dificuldades decorrentes da privação ou escassez de bens materiais: extrema pobreza ou miséria (“certo mendigo, chamado Lázaro”), enfermidades (“que jazia cheio de chagas”), fome (“e desejava alimentar-se com migalhas”), ausência de cuidados básicos de saúde (“os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas”). 

Este rico que vestia de púrpura e que todos os dias se regalava esplendidamente, é o símbolo daqueles que querem tratar da vida do corpo e esquecem-se da vida da alma. São os que buscam a felicidade no comer, no beber e no vestir; são os que se entregam a todos os gozos da matéria, são os egoístas que vivem unicamente para si, os orgulhosos que, entronados nos altares das paixões vis, da vaidade, da soberba, não vêem senão o que pode saciar a sede de prazeres, não cultivam senão a luxúria, que mata os sentimentos afetivos e anula os dotes do coração. 

A riqueza é um meio concedido por Deus para avaliar a sabedoria e a bondade do ser humano. É forma de testar-lhe a capacidade moral. «Dando-lhe o livre-arbítrio, quis ele que o homem chegasse, por experiência própria, a distinguir o bem do mal [...]. Cada um tem de possuí-la, para se exercitar em utilizá-la e demonstrar que uso fazer dela.» 

Representa [...] os excluídos da sociedade terrena, aqueles que, quando muito, pode chegar ao portão dos grandes templos, aqueles que não podem atravessar os umbrais dos palácios dourados, aqueles que essa sociedade corrompida do mundo despreza, amaldiçoa, cobre de labéus [desonra], crava de setas venenosas que lhes chagam o corpo todo.  Os lázaros da parábola simbolizam todos os que, a despeito da difícil situação em que vivem, sofrem com resignação, por compreenderem que os bens do mundo são passageiros. São Espíritos que confiam em Deus, em sua bondade e misericórdia. Ainda que submetidos às dolorosas provações, determinadas pela lei de causa e efeito, não se revoltam, mas mantêm-se pacientes, guiando-se pela esperança em dias melhores, no futuro, após o ressarcimento de suas faltas. 

Outro ponto relevante da parábola diz respeito ao que é necessário e ao que é supérfluo na vida, temas estudados nas questões 704 a 710 de O Livro dos Espíritos ou no Evangelho segundo o Espiritismo, capítulos 9 e 16, itens 5 e 14, respectivamente. É preciso refletir sobre as implicações morais dos desperdícios, considerando o estado de fome e miséria existente no mundo.  

A sobra em todas as situações é o agente aferidor do nosso ajustamento à Lei Eterna que estatui sejam os recursos do Criador divididos justificadamente por todas as criaturas, a começar pela bênção vivificante do Sol. É assim que o leite a desperdiçar-Se, na mesa, é a migalha de alimento que sonegas à criancinha órfã de pão, tanto quanto a roupa a emalar-se, desnecessária, no recanto doméstico, é o agasalho que deves à nudez que a noite fria vergasta. [...] Não olvides, assim, que toda sobra desaproveitada nos bens que desfrutas, por efeito de empréstimo da Providência Maior, se converte em cadeia de retaguarda, situando-te pensamentos e aspirações na cidadela da sombra. E, repartindo com o próximo as vantagens que te enriquecem os dias, seguirás, desde a Terra, pelos investimentos do amor puro e incessante, em direitura à Plenitude Celestial." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






520. Os Espíritos protetores das coletividades são de natureza mais elevada do que os que se ligam aos indivíduos? 

“Tudo é relativo ao grau de adiantamento, quer se trate de coletividades, quer de indivíduos.” 




Que a graça e a paz sejam conosco!

terça-feira, 4 de julho de 2017

A parábola do rico e de Lázaro


“E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e  recuperou a vista.” -(  Atos, 9:18 )-




Amados irmãos, bom dia!
"Quanto lutou e sofreu Paulo, a fim de purificar os pés, as mãos, a mente e o  coração? Trata­-se de pergunta digna de ser meditada em todos os tempos. Não te esqueças, pois, de que na luta diária poderás encontrar os Ananias da fraternidade, em nome do Mestre; aproximar­-se-­ão, compassivos, de tuas necessidades, mas não olvides que o Senhor  apenas permite que te devolvam os olhos, a fim de que, vendo claramente, retifiques a vida por ti mesmo." -( Vinha de Luz - Chico Xavier / Emmanuel )-








Texto evangélico:

Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele. E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas. E aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico e foi sepultado. E, no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão e Lázaro, no seu seio. E, clamando, disse: Abraão, meu pai, tem misericórdia de mim e manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro, somente males; e, agora, este é consolado, e tu, atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá. E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos. E disse ele: Não, Abraão, meu pai; mas, se algum dos mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. Porém Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite. Lucas, 16: 19-31 

Esta parábola analisa algumas questões fundamentais relativas à riqueza: utilidade, emprego e provas; desigualdades sócio-econômicas; apego aos bens  materiais. Proclama, também, a importância da prática da caridade e revela as consequências do egoísmo, do orgulho e da humildade, assim como do desprendimento das coisas materiais. A utilidade e benefício providencial da riqueza é o controle da pobreza, não um obstáculo à melhoria de quem a possui. É um instrumento de progresso espiritual como tantos outros disponibilizados por Deus. Sem dúvida, pelos arrastamentos a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui uma prova muito arriscada, mais perigosa do que a miséria. É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. É o laço mais forte que prende o homem à Terra e lhe desvia do céu os pensamentos. Produz tal vertigem que, muitas vezes, aquele que passa da miséria à riqueza esquece de pronto a sua primeira condição, os que com ele a partilharam, os que o ajudaram, e faz-se insensível, egoísta e vão. Mas, do fato de a riqueza tornar difícil a jornada, não se segue que a torne impossível e não possa vir a ser um meio de salvação para o que dela sabe servir-se [...]. 

O emprego correto da riqueza impulsiona o progresso através dos trabalhos desenvolvidos pelos homens. «Com efeito, o homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do planeta. Cabe-lhe desobstruí-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a população que a sua extensão comporta.» 

A atividade que esses mesmos trabalhos impõem lhe amplia e desenvolve a inteligência, e essa inteligência que ele concentra, primeiro, na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais. Sendo a riqueza o meio primordial de execução, sem ela não mais grandes trabalhos, nem atividade, nem estimulante, nem pesquisas. Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de progresso." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






519. As aglomerações de indivíduos, como as sociedades, as cidades, as nações, têm Espíritos protetores especiais? 

“Têm, pela razão de que esses agregados são individualidades coletivas que, caminhando para um objetivo comum, precisam de uma direção superior.” 




Que a graça e a paz sejam conosco!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

As pérolas verdadeiras


“Ora vós sois corpo do Cristo e seus membros em particular.”  - Paulo - ( I Coríntios, 12:27 )




Amados irmãos, bom dia!
"O Senhor age em nós, a favor de nós. É indiscutível que Jesus pode tudo, mas, para fazer tudo, não prescinde da colaboração do homem que lhe procura as determinações. Os cooperadores fiéis do  Evangelho são o corpo de trabalho em sua obra redentora. Haja, pois, entre o servo e o orientador legítimo entendimento. Jesus reclama instrumentos e companheiros. Quem puder satisfazer  ao  imperativo sublime, recorde que deve comparecer diante d’Ele, demonstrando  harmonia de vistas e objetivos, em primeiro lugar." -( Vinha de Luz - Chico Xavier / Emmanuel )-






Outrossim, o Reino dos céus é semelhante ao homem negociante que busca boas pérolas; e, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a (Mt 13:45-46). 

"As pérolas verdadeiras costumam ser muito caras, em razão das dificuldades para capturá-las e pelo tempo consumido em sua produção por um certo tipo de animal marinho: o molusco. As pérolas crescem no interior das conchas desses moluscos que vivem nas águas profundas dos mares, sendo constituídas de secreções solidificadas e opacas, expelidas do corpo deste animal marinho, quando ele é seriamente ferido. A beleza e o brilho da pérola só se revelam quando expostos à luz do Sol. Nada mais justo, pois, Jesus comparar o Reino dos Céus a uma pérola de grande valor que, ao ser encontrada pelo negociante, vendeu tudo o que tinha  para tê-la consigo. 

À semelhança da produção da pérola, o homem que alcança o Reino dos céus passou por muitas provações e dores; foi “ferido” em diferentes oportunidades, durante o seu processo de ascensão. Superados, porém, tais desafios, ele sai da “concha” e resplandece a sua luz espiritual, à vista de todos. Somente assim, após ter passado pela forja das dores e das lágrimas, consegue revelar a beleza e o brilho do cabedal de virtudes que conquistou. 

O homem vale mais que o mundo com as suas jazidas, os seus diamantes, e toda a sorte de pedras preciosas. Não obstante, o homem, esquecido de seu valor intrínseco, cujo preço é inestimável, consome-se e esgota-se na conquista do que é perecível, daquilo cujo valor é muito discutível, visto como só vale mediante certa convenção estabelecida pelos caprichos e veleidades do mesmo homem. [...] Mas o verdadeiro valor está interior do homem: está no seu caráter, nos seus sentimentos, na sua inteligência [...]: é o Espírito, é a alma, o eu imortal, sede das faculdades e poderes cuja origem é divina." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






518. Assim como são atraídos, pela simpatia, para certos indivíduos, são-no igualmente os Espíritos, por motivos particulares, para as reuniões de indivíduos?  

“Os Espíritos preferem estar no meio dos que se lhes assemelham. Acham-se aí mais à vontade e mais certos de serem ouvidos. É pelas suas tendências que o homem atrai os Espíritos e isso quer esteja só, quer faça parte de um todo coletivo, como uma sociedade, uma cidade, ou um povo. Portanto, as sociedades, as cidades e os povos são, de acordo com as paixões e o caráter neles predominantes, assistidos por Espíritos mais ou menos elevados. Os Espíritos imperfeitos se afastam dos que os repelem. Segue-se que o aperfeiçoamento moral das coletividades, como o dos indivíduos, tende a afastar os maus Espíritos e a atrair os bons, que estimulam e alimentam nelas o sentimento do bem, como outros lhes podem insuflar as paixões grosseiras.”




Que a graça e a paz sejam conosco!

domingo, 2 de julho de 2017

O tesouro imperecível


“Recebei­-nos em vossos corações.”  - Paulo - ( II Coríntios, 7:2 )




Amados irmãos, bom dia!
"Registra a lição do Evangelho no édito do ser. Não te descuides, relegando­  a ao mundo externo, ao sabor da maledicência, da perturbação e do  desentendimento. Abriga­-a dentro de ti, preservando  a própria felicidade. Orna-­te com o brilho que decorre de sua grandeza e o Céu  comunicar­-se­-á com a Terra, através de teu coração." -( Vinha de Luz - Chico Xavier / Emmanuel )- 








"A parábola informa que o tesouro que o homem encontrou no campo causou-lhe imensa felicidade, tão pura e verdadeira que ele correu e vendeu tudo que o possuía, a fim de adquirir aquele campo. Percebe-se, claramente, o sentido simbólico deste ensinamento de Jesus: o tesouro encontrado representa o ápice do esforço humano de transformação para o bem. Trata-se de um marco de grande significância, que faz o Espírito ascender de um patamar evolutivo para outro. 

É por este motivo que ele abre mão de todos as suas posses, passando a viver a vida do espírito. O “campo”, local onde o tesouro foi encontrado, indica o plano onde são desenvolvidas as experiências do aprendizado humano: na existência física, durante as reencarnações; no além-túmulo, nos estágios realizados nos diferentes planos vibracionais. Neste contexto, é importante não deixar passar as oportunidades de crescimento espiritual que nos alcançam a existência, em geral manifestadas sob a forma de provas. É preciso exercitarmos a faculdade de “ver” e “ouvir”, segundo o espírito. 

O egoísta fala de seu tesouro, exaltando as posses precárias; o avarento refere-se a mesquinhas preocupações; o gozador demonstra apetites insaciáveis; o fanático repete pedidos loucos. Cada qual apresenta seu capricho ferido como sendo a dor maior. Cristo ouve-lhes as solicitações e espera a oportunidade de dar-lhes a conhecer o tesouro imperecível." -( FEB - EADE )- 





Estudo do Livro dos Espíritos







517. Haverá Espíritos que se liguem a uma família inteira para protegê-la? 

“Alguns Espíritos se ligam aos membros de uma determinada família, que vivem juntos e unidos pela afeição; mas, não acrediteis em Espíritos protetores do orgulho das raças.”




Que a graça e a paz sejam conosco!

sábado, 1 de julho de 2017

O reino dos céus


“E outra vez lhes falou Jesus, dizendo: Eu sou a luz do  mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da  vida.” -( João, 8:12 )-




Amados irmãos, bom dia!
"O Mestre não prometeu claridade à senda dos que apenas falam e crêem. Assinou, no entanto, real compromisso de assistência continua aos discípulos que o  seguem. Nesse passo, é importante considerar que Jesus não se reporta a lâmpadas de natureza física, cujas irradiações ferem os olhos orgânicos. Assegurou a doação  de luz da vida. Quem efetivamente se dispõe a acompanhá-­lo, não encontrará tempo  a gastar com exames particularizados de nuvens negras e espessas, porque sentirá a claridade eterna, dentro de si mesmo. Quando fizeres, pois, o costumeiro balanço de tua fé, repara, com honestidade imparcial, se estás falando apenas do Cristo ou se procuras seguir-­lhe os passos, no caminho comum." -( Vinha de Luz - Chico Xavier / Emmanuel )-






Interpretação do texto evangélico:

Também o Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem e compra aquele campo (Mt 13:44). 

"A parábola do tesouro escondido, de extraordinária beleza e simplicidade, aplica-se aos Espíritos que já possuem desenvolvida a capacidade de discernimento relativa às suas reais necessidades para a edificação de uma vida feliz. Graças [...] aos ensinos espíritas, aos Espíritos do Senhor, hoje é muito fácil ao homem achar esse tesouro. Mais difícil lhe pode ser, “vender o que tem e comprar o campo”, isto é, desembaraçar-se das suas velhas crenças, do egoísmo, do preconceito, do amor aos bens terrestres, para possuir os bens celestes. 

Materializado como está, o homem prefere sempre os bens aparentes e perecíveis, porque os considera positivos; os bens reais e imperecíveis ele os julga abstratos. A Parábola do Tesouro Escondido é significativa e digna de meditação: o homem terreno morre e fica sem seus bens; o homem espiritual permanece para a vida eterna e o tesouro do Céu, que ele adquiriu é de sua posse permanente. 

A expressão “Reino dos céus”, citada no texto evangélico, não se refere a um lugar específico, situado no plano físico ou no espiritual. De acordo com o entendimento espírita, indica “estado de alma” ou de plenitude espiritual. Afirma Jesus que o Reino de Deus não vem com aparência exterior. É sempre ruinosa a preocupação por demonstrar pompas e números vaidosamente, nos grupos da fé. Expressões transitórias de poder humano não atestam o Reino de Deus. A realização divina começará do íntimo das criaturas, constituindo gloriosa luz do templo interno. Não surge à comum apreciação, porque a maioria dos homens transitam semicegos, através do túnel da carne, sepultando os erros do passado culposo." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos







516. Poderiam os nossos bom e mau gênios encarnar, a fim de mais de perto nos acompanharem na vida? 

“Isso às vezes se dá. Porém, o que mais frequentemente se verifica é encarregarem dessa missão outros Espíritos encarnados que lhes são simpáticos.” 




Que a graça e a paz sejam conosco!