segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Pentecostes


"Os manjares são para o ventre, e o ventre para os manjares; Deus, porém, aniquilará tanto um quanto os outros." - Paulo - ( I Coríntios, 6: 13 )




Amados irmãos, bom dia!
Não quer dizer que não sejam importantes, porém, quem gasta o tempo consagrando todas as forças da alma às fantasias do corpo, esquecendo-se de que o corpo deve permanecer a serviço da alma, cedo esbarrará na perturbação, na inutilidade ou na sombra. -( Vinha de Luz - Chico Xavier / Emmanuel )-





                                  





"Petencostes é uma palavra grega que significa quinquagésimo dia. Os judeus depois que partiram do Egito, gastaram quarenta e nove dias até o monte Sinai; e no quinquagésimo dia, Moisés recebeu o Decálogo; em memória disto, instituiu-se a festa de Pentecostes, que no Cristianismo tomou um novo sentido: comemora a descida do Espírito Santo, ou seja, a recepção da mediunidade pelos Apóstolos no quinquagésimo dia após a ressurreição de Jesus, e também o início das lutas pela divulgação do Evangelho, as quais se prolongam até hoje e ainda estão longe de terminar. 

O que vem a ser, efetivamente a descida do Espírito Santo? As [...] antigas Escrituras não continham o qualificativo santo quando se falava do Espírito. [...] Foi só com a tradução das antigas escrituras e constituição da Vulgata que esse qualificativo foi acrescentado, com certeza para fortificar o Mistério da Santíssima Trindade [da teologia católica], tirado de uma lenda hindu, aventado por comentadores das Escrituras, que desde logo após à morte de Jesus, viviam em querelas, em discussões sobre os modos de se interpretar as Escrituras. Essa mesma trindade é que foi proclamada como artigo de fé, pelo Concílio de Niceia, em 325, após ter sido rejeitado por três concílios. 

Os fenômenos de pentecostes estão descritos em Atos dos Apóstolos, 2:1-11. Trata-se de um texto marcado por simbolismos: 50 dias depois da ascensão do Cristo acontece o fenômeno conhecido como a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, materializado na forma de línguas de fogo; explode a mediunidade de xenoglossia (poliglota) nos apóstolos; Pedro é envolvido pelas forças superiores e discursa sob forte inspiração; lança-se então a pedra fundamental da primeira igreja cristã do Planeta. Após o impacto inicial, provocado pelos fenômenos de efeitos físicos (línguas de fogo e xenoglossia), o discurso de Pedro demonstra, de forma contundente, uma ação programada do plano espiritual superior, conseguindo transformar o ânimo dos apóstolos e dos demais discípulos de Jesus — antes inseguros e medrosos — em cartas vivas do Evangelho. É por este motivo que o pentecostes cristão tem um significado especial para todos nós, os seguidores do Cristo: marca o início da pregação e da difusão do Evangelho, na Terra, pelos cristãos que, fazem surgir a primeira ekklesia (igreja) de Jerusalém, uma humilde comunidade formada de judeus convertidos ao Cristianismo. Pedro foi, possivelmente, o primeiro chefe desta igreja, seguido de Tiago. 

As palavras textuais dos Atos do Apóstolos, sobre o pentecostes, são as seguintes: “Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. E em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. E, correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! Não são galileus todos esses homens que estão falando? Como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos? Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, e Judeia, e Capadócia, e Ponto, e Ásia, e Frígia, e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos (tanto judeus como prosélitos), e cretenses, e árabes, todos os temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus. E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer? E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto” (Atos dos Apóstolos, 2:1-13). Ouvindo tais comentários, o apóstolo Pedro tomou a palavra e falou eloquente, dominado por inspiração superior: “Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a voz e disse-lhes: Varões judeus e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo esta a terceira hora do dia. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; e também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e minhas servas, naqueles dias, e profetizarão; e farei aparecer prodígios em cima no céu e sinais em baixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes de chegar o grande e glorioso Dia do Senhor; e acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; a este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela. Porque dele disse Davi: Sempre via diante de mim o Senhor, porque está à minha direita, para que eu não seja comovido; por isso, se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; e ainda a minha carne há de repousar em esperança. Pois não deixarás a minha alma no Hades, nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção. 

Fizeste-me conhecidos os caminhos da vida; com a tua face me encherás de júbilo. Varões irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura. Sendo, pois, ele profeta e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para o assentar sobre o seu trono, nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no Hades, nem a sua carne viu a corrupção. Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo. 

Ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, varões irmãos? E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar. E com muitas outras palavras isto testificava e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.(Atos dos Apóstolos, 2:14-40). 

Os fenômenos mediúnicos ocorridos no dia de pentecostes foram notáveis. Os pontos luminosos que a multidão percebeu sobre a cabeça de cada apóstolo nos revelam o conhecido fenômeno mediúnico de efeitos físicos. Na verdade, tais pontos nada mais eram do que Espíritos “[...] que não se mostraram visíveis de todo, mas apenas o suficiente para serem percebidos; e como brilhasse a parte que os discípulos puderam ver, interpretaram-na como línguas de fogo”.

A mediunidade poliglota (xenoglossia), permitiu que os representantes estrangeiros entendessem, na própria língua, “as maravilhas de Deus” (At 11). Um grupo de peregrinos, porém, ouvindo o mesmo ensinamento espiritual que os outros ouviram, preferiu acreditar que os apóstolos e os discípulos de Jesus estavam embriagados (At 12). Estamos aqui diante de duas classes de pessoas: uma que, ao se defrontar com o fenômeno, pergunta o que é e põe-se seriamente a estudá-lo para compreendê-lo e descobrir-lhe as causas. Outra que se não dá nem mesmo ao trabalho de perguntar o que é: ante o fenômeno, tece considerações infantis, desairosas, e passa. Estas duas classes de pessoas acompanham o desenvolvimento dos trabalhos evangélicos até os nossos dias e vemo-las com a mesma atitude perante o Espiritismo: há os que o estudam para compreendê-lo e há os que, sem nunca tê-lo estudado ou mesmo lido algo sério a respeito, escarnecem dele.

O discurso de Pedro foi, portanto, de grande significância naquele momento. Inspirado, a venerável figura do apóstolo se ergue, exalta o nome de Jesus e explica o que estava, efetivamente, acontecendo. A preleção evangélica de Pedro, majestosa e bela, assinala o marco da difusão do Evangelho, após a partida do Mestre. No seu discurso, fala da importância da mediunidade, que caracteriza o nascimento de um novo ciclo na evolução espiritual humana. A humanidade terrestre não mais seria a mesma, a partir daquele momento, pois o trabalho dos apóstolos e dos discípulos de Jesus iniciaria poderoso movimento revolucionário no Planeta: “[...] o Evangelho é portador de gigantesca transformação do mundo. Destina-se à redenção das massas anônimas e sofredoras. Reformará o caminho dos povos.”

Emmanuel nos oferece uma belíssima interpretação do fenômeno de pentecostes. A lição colhida pelos discípulos de Jesus, no Pentecostes, ainda é um símbolo vivo para todos os aprendizes do Evangelho, diante da multidão. A revelação da vida eterna continua em todas as direções. Aquele “som como de um vento veemente e impetuoso” e aquelas “línguas de fogo” a que se refere a descrição apostólica, descem até hoje sobre os continuadores do Cristo, entre os filhos de todas as nações. As expressões do Pentecostes dilatam-se, em todos os países, embora as vibrações antagônicas das trevas. Todavia, para milhares de ouvintes e observadores, apenas funcionam alguns raros apóstolos, encarregados de preservarem a divina luz. Realmente, são inumeráveis aqueles que, consciente ou inconscientemente, recebem os benefícios da celeste revelação; entretanto, não são poucos os zombadores de todos os tempos, dispostos à irreverência e à ironia, diante da verdade. Para esses, os leais seguidores do Mestre estão embriagados e loucos. Não compreendem a humildade que se consagra ao bem, a fraternidade que dá sem exigências descabidas e a fé que confia sempre, não obstante as tempestades. É indispensável não estranhar o assédio desses pobres inconscientes, se te dispões, efetivamente, a servir ao Senhor da Vida. Cercar-te-ão o trabalho, acusando-te de bêbado; criticar-te-ão as atitudes, chamando-te covarde; escutar-te-ão as palavra de amor, conservando a ironia na boca. Para eles, a tua abnegação será envilecimento, a tua renúncia significará incapacidade, a tua fé será interpretada à conta de loucura. Não hesites, porém, no espírito de serviço. Permaneces, como os primeiros apóstolos, nas grandes praças, onde se acotovelam homens e mulheres, ignorantes e sábios, velhos e crianças... Aperfeiçoa tuas qualidades de recepção, onde estiveres, porque o Senhor te chamou para intérprete de sua voz, ainda que os maus zombem de ti." -( FEB - EADE )-




Estudo do Livro dos Espíritos







231. São felizes ou desgraçados os Espíritos errantes? 

“Mais ou menos, conforme seus méritos. Sofrem por efeito das paixões cuja essência conservaram, ou são felizes, de conformidade com o grau de desmaterialização a que hajam chegado. Na erraticidade, o Espírito percebe o que lhe falta para ser mais feliz e, desde então, procura os meios de alcançá-lo. Nem sempre, porém, lhe é permitido reencarnar como fora de seu agrado, representando isso, para ele, uma punição.” 




Que a graça e a paz sejam conosco!

domingo, 18 de setembro de 2016

Estrutura dos atos dos apóstolos


"Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual." - Paulo - ( I Coríntios, 15, 44 )




Amados irmãos, bom dia!
"Muita gente aguarda a morte para entrar numa boa vida, contudo, a lei é clara quanto à destinação de cada um de nós. Toda criatura provisoriamente algemada à matéria pode aproveitar o tempo na criação de espiritualidade divina." -( Vinha de Luz - Chico Xavier / Emmanuel )-







"A despeito da atividade literária, sempre vigilante, que imprimiu em todo lugar a sua marca e assegura a unidade do livro, percebem-se, facilmente, algumas correntes principais nas tradições recolhidas por Lucas. Os doze primeiros capítulos do livro dos Atos contam a vida da primeira comunidade reunida ao redor de Pedro depois da Ascensão (1-5), e os inícios de sua expansão graças às iniciativas missionárias de Filipe (8:4-40) e dos “helenistas” (6:1-8, 3; 11:19-30; 13:1-3), e, enfim, do próprio Pedro (9,32, 11,18). As tradições petrinas subjacentes seriam aparentadas ao “evangelho de Pedro”, que é conhecido na literatura da Igreja antiga. Para a segunda parte dos Atos, o autor teria usado os relatos da conversão de Paulo, de suas viagens missionárias, e de sua viagem por mar para Roma como prisioneiro. 

Na escritura de Atos dos Apóstolos, Lucas emprega, corriqueiramente, a primeira pessoa do plural. Dessa forma, muitos exegetas viram, no “nós”, uma prova de que Lucas teria acompanhado Paulo nas segunda e terceira viagens, bem como na que Saulo fez, por mar, a Roma. Entretanto, é notável que Lucas nunca é mencionado por Paulo como companheiro de sua obra de evangelização. Esse “nós” parece mais o traço de um diário de viagem feito por um companheiro de Paulo (Silas?) e utilizado pelo autor de Atos. De qualquer forma, o trabalho realizado por Lucas foi ao mesmo tempo excepcional quanto fascinante. Nos fornece uma visão geral do trabalho realizado pelos primeiros cristãos, as suas lutas, desafios e extrema dedicação à causa do Cristo. O valor histórico dos Atos dos Apóstolos não é igual. De uma parte, as fontes de que Lucas dispunha não eram homogêneas; de outra, para manejar as suas fontes, Lucas gozava de liberdade muito grande segundo o espírito da historiografia antiga, subordinando seus dados históricos a seu desígnio literário e sobretudo a seus interesses teológicos. 

A descrição das viagens de Paulo muito nos esclarecem sobre a vida no primeiro século da Era Cristã: “administração romana, cidades gregas, cultos, rotas, geografia política, topografia local”. De valor histórico também inestimável são os relatos que Lucas nos transmite sobre a organização e administração da igreja cristã  primitiva, assim como a forma como se realizava a pregação nas comunidades cristãs nascentes, em que se utilizava, essencialmente da prédica ou explanação discursiva. Essa prédica tinha como base o kerygma [ensinamento essencial]: a pregação doutrinária dos apóstolos, a fé em Jesus Cristo — o Messias crucificado e ressuscitado, o servidor divino, um novo Moisés e um novo Elias (Atos dos Apóstolos, 2:24-32; 3:13-26; 4:27-30; 7:20, 8:32-33; 13:34-36). Atos dos Apóstolos demonstram, com clareza, como se realizou a propagação das ideias cristãs. 

1. A pregação dos apóstolos representava as “testemunhas” confiáveis dos ensinamentos do Cristo (Atos dos Apóstolos, 1:8; 2: 1-41), a despeito das imperfeições que ainda possuíam. Todos os Apóstolos do Mestre haviam saído do teatro humilde de seus gloriosos ensinamentos; mas, se esses pescadores valorosos eram elevados Espíritos em missão, precisamos considerar que eles estavam muito longe da situação de espiritualidade do Mestre, sofrendo as influências do meio a que foram conduzidos.

2. Formação e desenvolvimento da igreja de Jerusalém (1:1-5, 42): os integrantes da igreja de Jerusalém reuniram-se, primeiro, ao redor de Pedro e, posteriormente, de Tiago Maior, mas permaneceram fieis à tradição judaica (Atos dos Apóstolos, 15:1-5; 21:20). Esse fato dificultou a adesão dos gentílicos, provocando muitas discussões, sobretudo entre os judeus helenistas. Os helenistas eram judeus convertidos ao Cristianismo, que não aceitavam a lei judaica, nem seus ritos e práticas. Tão logo se verificou o regresso do Cordeiro às regiões da Luz, a comunidade cristã, de modo geral, começou a sofrer a influência do Judaísmo, e quase todos os núcleos organizados, da doutrina, pretenderam guardar feição aristocrática, em face das novas igrejas e a associações que se fundavam nos mais diversos pontos do mundo.

3. A ascensão e atividade dos judeus helenistas na igreja de Jerusalém. Esta questão, colocada no Concílio de Jerusalém, foi muito debatida, optando-se, então, por uma solução conciliadora. Por exemplo, foi dispensada aos convertidos a necessidade de realizar a circuncisão. Pedro, Tiago, Barnabé e Paulo muito contribuíram para conciliar as diferentes correntes de ideias existentes no Cristianismo nascente. Mesmo assim, os helenistas foram perseguidos e expulsos de Jerusalém pelos judeus não convertidos. Um helenista, muito famoso, foi Estêvão, preso e morto por apedrejamento, sob as ordens de Saulo de Tarso (Atos dos Apóstolos, 6:1-15; 15:1-31). 
A doutrina do crucificado propaga-se com a rapidez de um relâmpago. Fala-se dela tanto em Roma como nas gálias e no norte da África. Surgem os advogados e os detratores. Os prosélitos mais eminentes buscam doutrinar, disseminando as ideias e interpretações. As primeiras igrejas surgem ao pé de cada apóstolo, ou de cada discípulo mais destacado e estudioso.

4. A pregação apostólica procura, junto aos judeus, mostrar que Jesus é o Messias esperado, exortando-os a não resistirem ao recebimento desta graça: aceitar o Cristo como o enviado de Deus (Atos dos Apóstolos, 1:1-11; 7:2-53; 13:16-41). A pregação junto aos povos politeístas, por outro lado, tenta justificar a supremacia do amor do Cristo (Atos dos Apóstolos,14:15-17; 17:22-31). Doutrina alguma alcançara no mundo semelhante posição, em face da preferência das massas. É que o divino Mestre selara com exemplos as palavras de suas lições imorredouras. Os povos antigos eram submetidos a contínuas privações, morais e materiais, sobretudo a maioria deles, que era escrava. Dessa forma, a mensagem cristã surgia como um alento, um raio de esperança. Em virtude dos seus postulados sublimes de fraternidade, a lição do Cristo representava o asilo de todos os desesperados e de todos os tristes. As multidões dos aflitos pareciam ouvir aquela misericordiosa exortação: “vinde a mim, vós todos que sofreis e tendes fome de justiça e eu vos aliviarei” — e da cruz chegava-lhes, ainda, o alento de uma esperança desconhecida. 

5. Fazia parte das atividades doutrinárias da igreja cristã primitiva o culto de ação de graças. Esse culto caracterizava-se pelas das pregações dos apóstolos, seguida de comunhão fraterna, pela prece e pela partilha do pão e dos bens (Atos dos Apóstolos, 2:42-47). Envolvidos pelo espírito da caridade, abnegação e fraternidade que a mensagem cristã lhes transmitia, os primeiros cristãos procuravam conviver de forma solidária: “Tudo possuíam em comum” e “eram queridos de todo o povo” (Atos dos Apóstolos, 2:44-47; 4:32-36)." -( FEB - EADE )-




Estudo do Livro dos Espíritos






230. Na erraticidade, o Espírito progride? 

“Pode melhorar-se muito, tais sejam a vontade e o desejo que tenha de consegui-lo. Todavia, na existência corporal é que põe em prática as idéias que adquiriu.”




Que a graça e a paz sejam conosco!

sábado, 17 de setembro de 2016

Atos dos apóstolos


"Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã." -( Tiago, 4: 14 )-




Amados irmãos, bom dia!
"Quem não aproveita a benção doa dia, vive distante da glória do século" -( Vinha de Luz - Chico Xavier / Emmanuel )-
Portanto, assim como não devemos nos preocupar com o dia de amanhã, também não devemos nos abster de nossas obrigações para com o dia de hoje. Busquemos nos preciosos ensinamentos do divino Mestre a compreensão e prática dessa atitude.










Informações históricas 

"Atos dos Apóstolos é um dos livros do Novo Testamento, escrito em grego pelo evangelista Lucas, o autor do terceiro evangelho. Este livro contém a história do Cristianismo, desde a ascensão de Jesus Cristo, até a chegada de Paulo, em Roma, segundo dizem, no ano 63 [...]. Consta de 28 capítulos. Se quisermos resumi-lo, nele veríamos a história da fundação dos primeiros núcleos cristãos (igrejas) até a morte de Herodes: o cumprimento de muitas promessas do Cristo; a prova da ressurreição e aparições do divino Mestre; a difusão do Espírito no cenáculo de Jerusalém [Pentecostes]; o desinteresse, a caridade dos primeiros apóstolos, enfim, o que sucedeu a estes até a sua dispersão, para pregarem o Evangelho em todos os lugares ao seu alcance.

Consta na Bíblia de Jerusalém, várias informações sobre origem, organização, autoria e princípios doutrinários de Atos dos Apóstolos. O terceiro evangelho e o livro de Atos eram primitivamente as duas partes de uma só obra, à qual daríamos hoje o nome de “História das origens cristãs”. Logo o segundo livro ficou conhecido com o título de “Atos dos Apóstolos” ou “Atos de Apóstolos”, conforme o modo da literatura helenística que conhecia os “Atos” de Aníbal, os “Atos” de Alexandre etc.; no cânon do N.T. [Novo Testamento] é separado do evangelho de Lucas pelo de João, que é interposto. A relação original desses dois livros do N.T. é indicada por seus Prólogos e por seu parentesco literário. O Prólogo dos Atos, que se dirige como o do terceiro evangelho (Lc 1,1-4), a certo Teófilo (At 1,1) remete a esse evangelho como o “primeiro livro”, de que ele resume o objeto e retoma os últimos acontecimentos (aparições do Ressuscitado e Ascensão) para encadeá-los à sequência do relato. 

A língua é outro laço que liga estreitamente os dois livros um ao outro. Não somente suas características (de vocabulário, de gramática e de estilo) se reencontram ao longo dos Atos, estabelecendo a unidade literária dessa obra, mais ainda se reconhecem no terceiro evangelho, o que não permite mais duvidar que um mesmo autor escreve, aqui e lá. 

Atos dos apóstolos têm um único destinatário, explicitamente nomeado: é Teófilo, a quem o evangelho de Lucas também foi dedicado (Lucas,1:3). Não sabemos praticamente nada sobre ele. Sua designação “excelentíssimo” pode assinalá-lo como um membro da ordem equestre (a segunda ordem mais elevada na sociedade romana), ou ser simplesmente um título de cortesia. Seria possível vê-lo como um representante da classe média de Roma, a quem Lucas desejava apresentar uma exposição confiável da ascensão e do progresso do Cristianismo. 

Desde o ano 175 há um consenso das igrejas em aceitar Lucas como o autor dos Atos dos Apóstolos. Este consenso está impresso no documento romano, chamado “Cânon Muratori” e nos seguintes Prólogos: o “Antimarcionita”, o de santo Irineu, o de Tertuliano e os Alexandrinos. Segundo seus escritos, o autor deve ser cristão da geração apostólica, judeu bem helenizado, ou melhor, grego de boa educação, conhecendo a fundo as realidades judaicas e a Bíblia grega [Septuaginta]. Ora, o que sabemos de Lucas a partir das epístolas paulinas concorda bem com esses dados. Ele é apresentado pelo Apóstolo como companheiro querido que está ao seu lado durante seu cativeiro. (Colossenses, 4: 10-14; Filemon, 24; II Timóteo, 4:11) Lucas é de origem pagã (de Antioquia na Síria, segundo uma antiga tradição), e médico, o que implicaria certa cultura [...]. Para fixar a data em que se escreve, não encontramos nada de firme na tradição antiga. O livro termina com o cativeiro romano de Paulo, provavelmente 61–62. Em todo caso sua composição deve ser posterior à do terceiro Evangelho (antes de 70? ou por 80? mas nada impõe uma data posterior a 70) [...]. Antioquia e Roma são propostas como lugar de composição. Há indicações de que Lucas, ao escrever os Atos dos Apóstolos, estaria movido por um objetivo, além de apenas registrar informações sobre a igreja cristã primitiva. Teria procurado conciliar as críticas e tendências adversas ao Cristianismo, surgidas em decorrência da pregação de Pedro e de Paulo." -( FEB - EADE )-




Estudo do Livro dos Espíritos






229. Por que, deixando a Terra, não deixam aí os Espíritos todas as más paixões, uma vez que lhes reconhecem os inconvenientes? 

“Vês nesse mundo pessoas excessivamente invejosas. Imaginas que, mal o deixam, perdem esse defeito? Acompanha os que da Terra partem, sobretudo os que alimentaram paixões bem acentuadas, uma espécie de atmosfera que os envolve, conservando-lhes o que têm de mau, por  não se achar o Espírito inteiramente desprendido da matéria. Só por momentos ele entrevê a verdade, que assim lhe aparece como que para mostrar-lhe o bom caminho.”




Que a graça e a paz sejam conosco!

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Síntese dos principais ensinos das epístolas de Judas


"Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações." - Paulo - ( Hebreus, 3: 15 )




Amados irmãos, bom dia"
"Socorre a ti mesmo; "pregando o Evangelho do reino e curando todas as enfermidades." -( Mateus, 9, 35 )-.
Muitos problemas que enfrentamos decorrem do não ouvir a voz do Senhor quando nos aponta o caminho e mantendo assim nossos corações endurecidos. Recorramos aos sublimes conselhos da humildade e coloquemo-nos nas mãos do nosso Pai para que nos molde.










"A Epístola de Judas foi endereçada aos “que foram chamados, amados por Deus e guardados em Jesus Cristo. (Jd 1.) O tema básico, desenvolvido em 25 versículos, sem divisão por capítulos, se resume num alerta contra os falsos doutores e o perigo que sua ideias podem ocasionar às comunidades cristãs. 

» “Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da comum salvação, tive por necessidade escrever-vos e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos. Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.” (Jd 3-4.) 

» “Estes, porém, dizem mal do que não sabem; e, naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais, se corrompem. Ai deles! Porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Corá. Estes são manchas em vossas festas de caridade, banqueteando-se convosco e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas; ondas impetuosas do mar, que escumam as suas mesmas abominações, estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas. E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos, para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade que impiamente cometeram e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele. Estes são murmuradores, queixosos da sua sorte, andando segundo as suas concupiscências, e cuja boca diz coisas mui arrogantes, admirando as pessoas por causa do interesse”(Jd 10-16). 

» “Estes são os que causam divisões, sensuais, que não têm o Espírito. Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, conservai a vós mesmos na caridade de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna” (Jd 19-21). 

Em todos os lugares, encontramos pessoas sempre dispostas ao comentário desairoso e ingrato relativamente ao que não sabem. Almas levianas e inconstantes, não dominam os movimentos da vida, permanecendo subjugadas pela própria inconsciência. E são essas justamente aquelas que, em suas manifestações instintivas, se portam, no que sabem, como irracionais. Sua ação particular costuma corromper os assuntos mais sagrados, insultar as intenções mais generosas e ridiculizar os feitos mais nobres. Guardai-vos das atitudes dos murmuradores irresponsáveis. Concedeu-nos o Cristo a luz do Evangelho, para que nossa análise não esteja fria e obscura. O conhecimento com Jesus é a claridade transformadora da vida, conferindo-nos o dom de entender a mensagem viva de cada ser e a significação de cada coisa, no caminho infinito. Somente os que ajuízam, acerca da ignorância própria, respeitando o domínio das circunstâncias que desconhecem, são capazes de produzir frutos de perfeição com as dádivas de Deus que já possuem." -( FEB - EADE )-




Estudo do Livro dos Espíritos






228. Conservam os Espíritos algumas de suas paixões humanas? 

“Com o invólucro imaterial os Espíritos elevados deixam as paixões más e só guardam a do bem. Quanto aos Espíritos inferiores, esses as conservam, pois do contrário pertenceriam à primeira ordem.” 




Que a graça e a paz sejam conosco!

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Epístola de Judas


“Vai, e não peques mais.”  Jesus (João, 8:11) 




Amados irmãos, bom dia!
"O ensinamento de Jesus é suficiente e expressivo. O Médico Divino proporciona a cura, mas se não a conservamos, dentro de nós, ninguém poderá prever a extensão e as consequências dos novos desequilíbrios que nos sitiarão a invigilância." -( O Pão Nosso - Chico Xavier / Emmanuel )-








"Esta Epístola [...] foi escrita a uma igreja ou grupo de igrejas desconhecido para combater o perigo representado por certos mestres carismáticos que estavam pregando e praticando libertinagem moral. O autor procura denunciar esses mestres como pessoas ímpias cuja condenação foi profetizada, e insta os seus leitores a preservar o Evangelho apostólico vivendo segundo suas exigências morais. 

Apesar de sua brevidade, a carta é rica em conteúdo, graças à composição primorosa e sua economia de expressão, que por vez alcança um efeito quase poético. Judas, o autor da epístola, é usualmente identificado como “irmão de Jesus” (Mateus 13:55). O autor também se identifica como “irmão de Tiago” (versículo 1 da carta). “Nada nos obriga a identificá-lo  com o apóstolo que tem o mesmo nome (Lc 6;16; At 1:13); ele mesmo também se distingue do grupo apostólico.” 

O autor tem evidentemente grande respeito pelo livro de Henoc, que é citado nos versículos 14–15 e ressoa em outras passagens. O versículo 9 refere-se a um texto apócrifo não mais existente, talvez o final perdido do testamento de Moisés. O uso desse tipo de literatura pode situar a carta num contexto judaico-palestino, em que essas obras eram extremamente valorizadas. Outra indicação que aponta na direção do Cristianismo judaico-palestino, como o meio em que Judas escreveu, são seus métodos exegéticos, a confiança que deposita no texto hebraico da Bíblia em detrimento de sua tradução grega (a Septuaginta), a importância maior que confere à obrigação ética que à ortodoxia doutrinal, e sua perspectiva apocalíptica, que espera a parusia [nova vinda do Cristo] no futuro próximo. 

Essa epístola, aceita no cânone da igreja romana e da oriental, como escrita no ano 200. “A intenção de Judas é unicamente estigmatizar os falsos doutores que colocam em perigo a fé cristã. Ameaça-os com um castigo divino ilustrado com precedentes da tradição judaica [versículos 5-7).” Censura-lhes, igualmente, a impiedade e a licenciosidade moral, particularmente suas blasfêmias contra Jesus e os anjos (versículos 4, 8-10)."





Estudo do Livro dos Espíritos






227. De que modo se instruem os Espíritos errantes? Certo não o fazem do mesmo modo que nós outros? 

“Estudam e procuram meios de elevar-se. Vêem, observam o que ocorre nos lugares aonde vão; ouvem os discursos dos homens doutos e os conselhos dos Espíritos mais elevados e tudo isso lhes incute idéias que antes não tinham.”




Que a graça e a paz sejam conosco!

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Síntese dos principais ensinos das epístolas de João


"Mas quem não possui o espírito de Cristo, este tal não é dele." - Paulo - ( Romanos, 8: 9 )




Amados irmãos, bom dia!
Fomos chamados ao privilégio de ser partícipes na construção do reino Celestial, mas, para tanto temos que ter o "espírito de Cristo" em todo o nosso proceder. Não basta externar aparência dele, mas sim, que Ele esteja presente em todos os momentos da nossa vida. Que nosso Mestre Jesus e os bons Espíritos nos auxiliem a assim viver.








 "João apela aos cristãos, nas três cartas, no sentido de preservarem a pureza doutrinária do Cristianismo, superando as divergências pela legítima prática do amor. O apelo do apóstolo atravessa os séculos e chega até nós, mantendo uma atualidade surpreendente, nos faz ver as dificuldades para se manter a pureza doutrinária dos ensinamento superiores. 

Percebe-se, nas três epístolas, a tentativa do apóstolo de encontrar uma solução para evitar que a crença cristã seja adulterada por ideias gnósticas e outras ideias correntes nas comunidades cristãs da Ásia Menor.


» “Aquele que diz que está na luz e aborrece a seu irmão até agora está em trevas. 

Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo. Mas aquele que aborrece a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos” (1 João, 2:9-11). Quem ama o próximo sabe, acima de tudo, compreender. E quem compreende sabe livrar os olhos e os ouvidos do venenoso visco do escândalo, a fim de ajudar, ao invés de acusar ou desservir. É necessário trazer o coração sob a luz da verdadeira fraternidade, para reconhecer que somos irmãos uns dos outros, filhos de um só Pai.


» “Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” (1 João, 5:5). 

» “Se recebemos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior; porque o testemunho de Deus é este, que de seu Filho testificou. Quem crê no Filho de Deus em si mesmo tem o testemunho; quem em Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu” (1 João, 5:9-10). 


» “Todo aquele que prevarica e não persevera na doutrina de Cristo não tem a Deus; quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras” (2 João, 1:9-11). Em todos os lugares e situações da vida, a caridade será sempre a fonte divina das bênçãos do Senhor. [...] Assistência, medicação e ensinamento constituem modalidades santas da caridade generosa que executa os programas do bem. São vestiduras diferentes de uma virtude única. Conjugam-se e completam-se num todo nobre e digno. [...] Antes, porém, da caridade que se manifesta exteriormente nos variados setores da vida, pratiquemos a caridade essencial, sem o que não poderemos efetuar a edificação e a redenção de nós mesmos. Trata-se da caridade de pensarmos, falarmos e agirmos, segundo os ensinamentos do divino Mestre, no Evangelho. É a caridade de vivermos verdadeiramente nele para que Ele viva em nós.


» “O presbítero ao amado Gaio, a quem, na verdade, eu amo. Amado, procedes fielmente em tudo o que fazes para com os irmãos e para com os estranhos, que em presença da igreja testificaram da tua caridade, aos quais, se conduzires como é digno para com Deus, bem farás; porque  pelo seu nome saíram, nada tomando dos gentios. Portanto, aos tais devemos receber, para que sejamos cooperadores da verdade. Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe. Pelo que, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja. Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz bem é de Deus; mas quem faz mal não tem visto a Deus” (3 João, 1:1, 9-11). 


A sociedade humana não deveria operar a divisão de si própria, como um campo em que se separam bons e maus, mas sim viver qual grande família em que se integram os espíritos que começam a compreender o Pai e os que ainda não conseguiram pressenti-lo. Claro que as palavras “maldade” e “perversidade” ainda comparecerão, por vastíssimos anos, no dicionário terrestre, definindo certas atitudes mentais inferiores; todavia, é forçoso convir que a questão do mal vai obtendo novas interpretações na inteligência humana.[...] Muita gente acredita que o “homem caído” é alguém que deve ser aniquilado. Jesus, no entanto, não adotou essa diretriz. Dirigindo-se, amorosamente, ao pecador, sabia-se, antes de tudo, defrontado por enfermo infeliz, a quem não se poderia subtrair as características de eternidade. Lute-se contra o crime, mas ampare-se a criatura que se lhe enredou nas malhas tenebrosas. O Mestre indicou o combate constante contra o mal, contudo, aguarda a fraternidade legítima entre os homens por marco sublime do Reino Celeste." -( FEB - EADE )-




Estudo do Livro dos Espíritos






226. Poder-se-á dizer que são errantes todos os Espíritos que não estão encarnados? 

“Sim, com relação aos que tenham de reencarnar. Não são errantes, porém, os Espíritos puros, os que chegaram à perfeição. Esses se encontram no seu estado definitivo.”  

No tocante às qualidades íntimas, os Espíritos são de diferentes ordens, ou graus, pelos quais vão passando sucessivamente, à medida que se purificam Com relação ao estado em que se acham, podem ser: encarnados, isto é, ligados a um corpo; errantes, isto é, sem corpo material e aguardando nova encarnação para se melhorarem; Espíritos puros, isto é, perfeitos, não precisando mais de encarnação.




Que a graça e a paz sejam conosco!

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Epístolas de João


"E qual dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra?" - Jesus - ( Lucas, 11: 11 )




Amados irmãos, bom dia!
Muitas vezes nos deixamos levar pelos defeitos que ainda conservamos e somente enxergamos dificuldades. Até parece que o Senhor não se importa conosco e que somos deixados à parte. Isso nada mais é que a presença do véu a nos obscurecer o entendimento, pois, em tudo devemos ter a certeza que conosco está o Senhor. Seu amor ultrapassa nosso entendimento e, se nem tudo parece a nosso favor, tenhamos a certeza que são os frutos que semeamos e que agora estamos colhendo. Revisemos nosso proceder e nossas sementes para que a próxima safra nos seja favorável.






Epístola de João 

"Além do seu evangelho, João, filho de Zebedeu e irmão de Tiago Maior, escreveu três epístolas e o livro do apocalipse. Há muita semelhança, literária e doutrinária, entre as epístolas e o evangelho de João, de forma que é praticamente impossível negar a sua autoria. É verdade que a segunda e a terceira epístolas deram lugar a certas dúvidas, cujo eco se encontra em Orígenes, Eusébio de Cesareia e Jerônimo. 

As três epístolas joaninas formam uma unidade de composição, embora cada uma possua a sua especificidade. A terceira epístola é provavelmente a primeira na data; procura resolver um conflito de autoridade que surgira em uma das igrejas sob a autoridade de João. A segunda epístola põe de sobreaviso uma ou outra igreja particular contra a propaganda de falso doutores que negam a realidade da encarnação. Quanto à primeira epístola, sem dúvida a mais importante. Apresenta-se como mais  uma carta encíclica destinadas às comunidades [cristãs] da Ásia, ameaçadas pelos dilaceramentos das primeiras heresias. João nela condensou o essencial de sua experiência religiosa. 

É quase certo que essas cartas foram escritas em Éfeso, na virada do século I para o II, à mesma época da escritura do seu evangelho. As três Epístolas de João apresentam um ponto em comum, relacionado aos conflitos existentes nas comunidades cristãs de Éfeso e da Ásia Menor. “Pode-se supor que, nas diversas comunidades joaninas, tenham começado a aparecer grupos religiosos influenciados pelo gnosticismo.” 

A influência das ideias gnósticas provocam divisões nas igrejas. As cartas de João representam um tipo de reação a essa situação, apelando para a necessidade de manter a mensagem cristã intocável. Gnosticismo foi um movimento histórico e religioso cristão, fundamentado na gnose (palavra grega que significa conhecimento), surgido nos séculos II e III, e de natureza filosófica e inspirada nas ideias do neoplatonismo e dos pitagóricos. Originou-se provavelmente na Ásia menor a partir de pensamentos existentes na Babilônia, Egito, Síria e Grécia. O gnosticismo combinava alguns elementos da Astrologia e mistérios das religiões gregas, como os mistérios de Elêusis, com as doutrinas do Cristianismo. Em seu sentido mais abrangente, gnosticismo significa “a crença na salvação pelo conhecimento.” 

O apóstolo João enfrentou sérias dificuldades para manter a mensagem cristã livre do intelectualismo, gnóstico e de outras ideias, especialmente na cidade de Éfeso. “Geralmente reconhecida como a primeira e a mais notável metrópole da província romana da Ásia, Éfeso desempenhou um papel histórico no movimento do Cristianismo desde a Palestina até Roma”. Do período clássico ao bizantino, Éfeso exerceu hegemonia na região jônica. Era famosa por seus filósofos, artistas, poetas, historiadores e retóricos. Deu nítidas contribuições para a história intelectual e religiosa desde o período pré-socrático até os ressurgimentos filosóficos do Império Romano mais tardio. Não admira que [...] João tenha, ao que se conta, escrito o quarto Evangelho em Éfeso, e que tenha sido o local de conversão de Justino Mártir, o primeiro filósofo cristão.[...] A cidade era [também] famosa como um centro de magia e taumaturgia. A expressão grega Ephesia grammata (letras efésias) tornou-se uma designação genérica para toda sorte de palavras mágicas e encantações apotropaicas [orações ou frases para afastarem influências maléficas]. A cidade atraia exorcitas judeus bem como seus equivalentes gentios, como Apolônio de Tiana." -( FEB - EADE )-




Estudo do Livro dos Espíritos






225. A erraticidade é, por si só, um sinal de inferioridade dos Espíritos? 

“Não, porquanto há Espíritos errantes de todos os graus. A encarnação é um estado transitório, já o dissemos. O Espírito se acha no seu estado normal, quando liberto da matéria.”




Que a graça e a paz sejam conosco!