domingo, 7 de agosto de 2016

Paulo: De Tarso a Roma - palestra Haroldo Dutra


"Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora virá o vosso Senhor." - Jesus - ( Mateus, 24: 42 )



Amados irmãos, bom dia!
E no serviço de construção cristã do mundo futuro, é indispensável vigiar o campo que nos compete. Nosso Mestre Jesus não precisa de nós para tal, mas, escolheu nos dar a oportunidade de sermos partícipes nesse trabalho. Compreendamos então, que é uma honra o trabalho fraterno e quem mais ganha com ele somos nós próprios.
O apóstolo Paulo soube muito bem responder ao chamado e hoje disponibilizamos uma palestra do nosso irmão Haroldo Dutra onde poderemos aprender um pouco mais.








Estudo do Livro dos Espíritos







187. A substância do perispírito é a mesma em todos os mundos? 

“Não; é mais ou menos etérea. Passando de um mundo a outro, o Espírito se reveste da matéria própria desse outro, operando-se, porém, essa mudança com a rapidez do relâmpago.”




Que a graça e a paz sejam conosco!

sábado, 6 de agosto de 2016

A missão de Paulo


"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados e venham assim os tempos do refrigério, pela presença do Senhor." -( Atos, 3: 19 )-



Amados irmãos, bom dia!
É chegado o tempo em que devemos nos interrogar quanto ao nosso comportamento frente aos ensinamentos obtidos. Muitos se julgam infelizes por não conseguirem  viver os tempos de refrigério prometidos pela presença do Senhor, mas, não observam o desleixo na prática dos mesmos. Somente a prática da verdadeira fé e a reforma íntima poderão nos levar a desfrutar as alegrias do coração onde habita o Senhor.








“Todos os Apóstolos do Mestre haviam saído do teatro humilde de seus gloriosos ensinamentos; mas, se esses pescadores valorosos eram elevados Espíritos em missão, precisamos considerar que eles estavam muito longe da situação de espiritualidade do Mestre, sofrendo as influências do meio a que foram conduzidos. Tão logo se verificou o egresso do Cordeiro às regiões da Luz, a comunidade cristã, de modo geral, começou a sofrer a influência do Judaísmo, e quase todos os núcleos organizados, da doutrina, pretenderam guardar feição aristocrática, em face das novas igrejas e associações que se fundavam nos mais diversos pontos do mundo. É então que Jesus resolve chamar o Espírito luminoso e enérgico de Paulo de Tarso ao exercício do seu ministério. Essa deliberação foi um acontecimento dos mais significativos na história do Cristianismo. As ações e as epístolas de Paulo tornam-se poderoso elemento de universalização da nova doutrina. De cidade em cidade, de igreja em igreja, o convertido de Damasco, com o seu enorme prestígio, fala do Mestre, inflamando os corações. A princípio, estabelece entre ele e os demais apóstolos uma penosa situação de incompreensibilidade, mas sua influência providencial teve por fim evitar uma aristocracia injustificável dentro da comunidade cristã, nos seus tempos inesquecíveis de simplicidade e pureza. Concluindo o seu período em Damasco, em que recebeu o auxílio de Ananias e conheceu a mensagem de Jesus, Saulo parte para o deserto, vivendo no oásis de Palmira como humilde tecelão de tendas. Nessa localidade, prossegue no seu aprendizado, tendo oportunidade de vir a conhecer o idoso Esequias, irmão de Gamaliel, cristão valoroso, assim como o casal Prisca (Priscila) e Áquila, judeus também convertidos ao Cristianismo. (Veja, a propósito, maiores informações sobre esse período da vida de Saulo, no livro de Emmanuel, Paulo e Estêvão, segunda parte, capítulos 1 e 2). Retornando a Jerusalém, após estágio no deserto, os cristãos fugiam dele, temerosos. Por influência de Barnabé, Saulo foi conduzido aos apóstolos que, após ouvirem o relato dos acontecimentos na estrada de Damasco, passaram a aceitá-lo como discípulo. Sendo, porém, ameaçado de morte por alguns judeus, os apóstolos levaram-no a Cesareia e, depois, a Tarso (Atos dos Apóstolos, 9: 2-30).

Os cristãos que se dispersaram após a morte de Estêvão, em consequência da perseguição de Saulo, espalharam-se pela Fenícia, Chipre e Antioquia, pregando, nessas localidades, os ensinamentos de Jesus. A notícia desta pregação, porém, se espalhou, chegando aos ouvidos de Barnabé, que se encontrava em Jerusalém. Entusiasmado, este apóstolo partiu para Tarso em busca de Paulo e, durante um ano, pregaram juntos o Evangelho na igreja recém-criada de Antioquia, para judeus e gentios. Foi em Antioquia, que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados de “cristãos” (Atos dos Apóstolos, 11: 25-26) A palavra cristão significa “[...] partidários ou sectários do Cristo (gr. Khristós, forma popular de Chrestós). Ao criarem esta alcunha, os gentios de Antioquia tomaram o título de ‘Cristo’ (Ungido, Messias) por um nome próprio”. A missão de Paulo não foi fácil. Sofreu toda sorte de atribulações. No entanto, a partir da sua conversão na estrada de Damasco, por volta do ano 36 da nossa Era, [...] ele vai consagrar toda a sua vida ao serviço de Cristo que o “conquistou” (Filipenses, 3:12). Depois de uma temporada na Arábia e do regresso a Damasco (Gálatas, 1:17), onde ele já prega (Atos dos Apóstolos, 9:20), sobe a Jerusalém pelo ano 39 (Gálatas, 1:18; Atos dos Apóstolos, 9: 30), de onde é reconduzido a Antioquia por Barnabé, com o qual ensina (Atos dos Apóstolos, 9:26-27 e 11: 25-26).


A missão de Paulo pode ser resumida em três palavras: fé, esperança e caridade. “Agora, portanto, permanecem fé, esperança e caridade, estas três coisas. A maior delas, porém, é a caridade” (I Coríntios, 13:13). A fé é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se veem. E para demonstrá-lo, discorreu longamente sobre todas as coisas maravilhosas que os hebreus haviam aceitado, no passado, pelo puro e singular testemunho da fé. Ancorava-se a fé na retidão do homem, pois o justo vive pela sua fé, sustentando-se nela, confiante nela. Não, contudo uma fé passiva, de braços cruzados, nem uma fé apoiada simplesmente nos velhos preceitos da lei de Moisés. A fé precisava ser ativa, construtiva, fraterna, atuante, fortalecida na esperança, dinamizada na caridade. A esperança, em Paulo, está intimamente ligada à fé “[...] que, por sua vez, vem do testemunho daqueles que viram e falaram com um ser oficialmente morto.” A ressurreição do Cristo é o seu argumento decisivo em relação à esperança. Na estrada de Damasco, ele viu o Cristo vivo e recoberto de luz, depois de estar oficialmente morto há vários anos. Dessa forma, para Paulo, a descoberta mais retumbante foi que o ser não morre para sempre; que existe a grandeza da imortalidade, a existência de outro corpo leve e luminoso que permite a sobrevivência do Espírito; de que há um reino de glórias e alegrias à espera de cada um de nós; de que é preciso aceitar a leve tribulação do momento que passa, como Ele afirmava, em troca de um enorme caudal de glória eterna. A fé e esperança, porém, embora pessoais, e, muitas vezes, incomunicáveis, intransferíveis por simples tradição, não seriam conquistas inativas, estáticas e infrutíferas. Na dinâmica do amor, convertido em caridade, elas poderiam expandir-se, acendendo em outros corações o fogo sagrado. Da esperança primeiro, para, só mais tarde, chegar à terceira irmã: a fé, como um retorno sobre si mesma. [...] A fé e o amor devem contemplar o futuro com o olhar da confiança e, portanto, da esperança. A fé, unida à esperança, pode ser apenas egoísmo. A esperança e o amor podem não ser suficientes para construir a fé e, nesse caso, a felicidade seria apenas uma hipótese. É preciso as três, como acentuou Paulo, e todos aspirassem às três, mas a maior delas é o amor... Fica claro, assim, porque um dos mais belos textos de sua autoria é o capítulo 13, da primeira epístola aos coríntios, que versa sobre a caridade e o amor. Assim como o capítulo 11, epístola aos hebreus, que trata da fé. Não nos esqueçamos, contudo, de que, balanceado as duas, em sua mente privilegiada, ele conclui que o amor ainda é mais importante do que a própria fé, especialmente a dinâmica do amor que se expressa na caridade, no serviço ao próximo, a tônica do pensamento de Jesus. A fé foi, sem dúvida, o instrumento que garantiu a Paulo a força moral para vencer as vicissitudes da vida. Todavia, soube compreender que somente o amor faz o homem elevar-se aos píncaros da felicidade verdadeira. [...] Coloca assim, sem equívoco, a caridade acima até da fé. É que a caridade está ao alcance de toda gente: do ignorante, como do sábio, do rico, como do pobre, e independe de qualquer crença em particular. Faz mais: define a verdadeira caridade, mostra-a não só na beneficência, como no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo.” -( FEB - EADE )-




Estudo do Livro dos Espíritos






186. Haverá mundos onde o Espírito, deixando de revestir corpos materiais, só tenha por envoltório o perispírito? 

“Há e mesmo esse envoltório se torna tão etéreo que para vós é como se não existisse. Esse o estado dos Espíritos puros.” 

a) — Parece resultar daí que, entre o estado correspondente às últimas encarnações e a de Espírito puro, não há linha divisória perfeitamente demarcada; não? 

“Semelhante demarcação não existe. A diferença entre um e outro estado se vai apagando pouco a pouco e acaba por ser imperceptível, tal qual se dá com a noite às primeiras claridades do alvorecer.” 




Que a graça e a paz sejam conosco!

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

A conversão de Saulo de Tarso ao Cristianismo


"Sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, segundo o que também nosso Senhor Jesus Cristo já mo tem revelado." -( II Pedro, 1: 14 )-



Amados irmãos, bom dia!
Muitas vezes usamos a expressão "a carne é fraca" para justificar nossas mazelas, nosso não comprometimento com nossa reforma íntima. Não irmãos, a carne não é fraca, ao contrário, nosso Pai Celestial quando nos criou deu-nos esse templo forte e capaz, para que através do bom uso dele pudéssemos evoluir e desenvolver as capacidades que nos deu. Nosso Mestre Jesus foi categórico ao afirmar que jamais nos seria permitido tentações que não pudéssemos resistir, portanto, sejamos responsáveis com o nosso templo terrestre e o usemos com respeito e consideração.








“O plano de Saulo foi totalmente aceito pelo Sinédrio que lhe concedeu liberdade para agir livremente. De posse das cartas de habilitação para agir convenientemente, em cooperação com as sinagogas de Damasco, aceitou a companhia de três varões respeitáveis, que se ofereceram a acompanhá-lo na qualidade de servidores muito amigos. A fim de três dias, a pequena caravana se deslocou de Jerusalém para a extensa planície da Síria. As ações de Paulo antes da sua conversão, iniciada, propriamente, na estrada de Damasco foram guiadas por uma consciência mal informada. Assume a postura do inquisidor religioso que não oferece espaço mental para as orientações superiores ou para ponderações justas proferidas por amigos, por exemplo, as de Gamaliel. Não satisfeito com a perseguição que promoveu em Jerusalém, pediu cartas ao príncipe dos sacerdotes para aprisionar, nas sinagogas de Damasco, os cristãos que ali buscavam abrigo (Atos dos Apóstolos, 9: 1-2).

Aproximando-se de Damasco, subitamente uma luz vinda do céu o envolveu de claridade. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. Ele perguntou: “quem és, Senhor?”. E a resposta: “Eu sou Jesus, a quem tu estás perseguindo. Mas levante-te, entra na cidade, e te dirão o que deves fazer”. Os homens que com ele viajavam detiveram-se, emudecidos de espanto, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém. Saulo ergueu-se do chão. Mas, embora tivesse os olhos abertos, não via nada. Conduzindo-o, então, pela mão, fizeram-no entrar em Damasco. Esteve três dias sem ver, e nada comeu ou bebeu. Ora, vivia em Damasco um discípulo chamado Ananias. O Senhor lhe disse em visão: “Ananias!”. Ele respondeu: “Estou aqui Senhor!”. E o Senhor prosseguiu: “Levanta-te, vai pela rua chamada Direita e procura, na casa de Judas, por alguém de nome Saulo, de Tarso. Ele está orando e acaba de ver numa visão um homem chamado Ananias entrar e lhe impor as mãos para que recobre a vista”. Ananias respondeu: “Senhor, ouvi de muitos, a respeito deste homem, quantos males fez a teus santos em Jerusalém. E está aqui com a autorização dos chefes dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome”. Mas o Senhor insistiu: “Vai, porque este homem é para mim um instrumento de escol para levar o meu nome diante das nações pagãs, dos reis, e dos filhos de Israel. Eu mesmo lhe mostrarei quanto lhe é preciso sofrer em favor do meu nome”. Ananias partiu. Entrou na casa, impôs sobre ele as mãos e disse: “Saulo, meu irmão, o Senhor me enviou, Jesus o mesmo que te apareceu no caminho por onde vinhas. É para que recuperes a vista e fique repleto do Espírito Santo”. Logo caíram-lhe dos olhos como que umas escamas, e recobrou a vista. Recebeu, então, o batismo e, tendo tomado alimento, sentiu-se reconfortado. Saulo esteve alguns dias com os discípulos em Damasco e, imediatamente, nas sinagogas, começou a proclamar Jesus, afirmando que ele é o filho de Deus. Todos os que o ouviam ficavam estupefatos e diziam: “mas não é este o que devastava em Jerusalém os que invocavam esse nome, e veio para cá expressamente com o fim de prendê-los e conduzi-los aos chefes sacerdotes?”. Saulo, porém, crescia mais e mais em poder e confundia os judeus que moravam em Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo (Atos dos Apóstolos, 9: 3-22).


Os acontecimentos relativos à conversão de Saulo, merecem reflexões mais aprofundadas. O socorro concedido a Paulo de Tarso oferece, porém, ensinamento profundo. Antes de recebê-lo, o ex-perseguidor rende-se incondicionalmente ao Cristo; penetra a cidade, em obediência à recomendação divina, derrotado e sozinho, revelando extrema renúncia, onde fora aplaudido triunfador. Acolhido em hospedaria singela, abandonado de todos os companheiros, confiou em Jesus e recebeu-lhe a sublime cooperação. É importante notar, contudo, que o Senhor, utilizando a instrumentalidade de Ananias, não lhe cura senão os olhos, restituindo-lhe o dom de ver. Paulo sente que lhe caem escamas dos órgãos visuais e, desde então, oferecendo-se ao trabalho do Cristo, entra no caminho do sacrifício, a fim de extrair, por si mesmo, as demais escamas que lhe obscureciam as outras zonas do ser. É raro alguém transformar-se tão rapidamente, como aconteceu com Saulo. Sob o influxo da presença e chamamento do Mestre, na estrada de Damasco, o impetuoso fariseu muda radicalmente a sua posição na vida: de perseguidor passa a ser protetor de todos os cristãos. Não é difícil imaginar os sacrifícios e conflitos que o doutor de Tarso vivenciou para se transformar em discípulo sincero do Evangelho. Deve ter experimentado enormes dificuldades nos inevitáveis testemunhos. Importa considerar, porém, o significativo amparo fraternal que recebeu de muitos, um bálsamo para aliviar as suas chagas morais. Neste sentido, esclarece Emmanuel: O Mestre, para estender a sublimidade do seu programa salvador, pede braços humanos que o realizem e intensifiquem. Começou o apostolado, buscando o concurso de Pedro e André, formando, em seguida, uma assembleia de doze companheiros para atacar o serviço da regeneração planetária. [...] Ainda mesmo quando surge, pessoalmente, buscando alguém para a sua lavoura de luz, qual aconteceu na conversão de Paulo, o Mestre não dispensa a cooperação dos servidores encarnados. Depois de visitar o doutor de Tarso, diretamente, procura Ananias, enviando-o a socorrer o novo discípulo.” -( FEB - EADE )- 




Estudo do Livro dos Espíritos







185. O estado físico e moral dos seres vivos é perpetuamente o mesmo em cada mundo? 

“Não; os mundos também estão sujeitos à lei do progresso. Todos começaram, como o vosso, por um estado inferior e a própria Terra sofrerá idêntica transformação. Tornar-se-á um paraíso, quando os homens se houverem tornado bons.” 

É assim que as raças, que hoje povoam a Terra, desaparecerão um dia, substituídas por seres cada vez mais perfeitos, pois que essas novas raças transformadas sucederão às atuais, como estas sucederam a outras ainda mais grosseiras.




Que a graça e a paz sejam conosco!

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A perseguição de Saulo de Tarso aos cristãos


"Guardando o mistério da fé numa consciência pura." - Paulo - ( I Timóteo, 3: 9 )



Amados irmãos, bom dia!
Para atingir o nosso melhor, cabe observar o íntimo do nosso comportamento. Os que preferem enganar a si próprios jamais conquistarão a vida plena. Portanto, guardemos as palavras do nosso irmão Paulo e cultivemos a pura consciência.










“Com a morte de Estêvão, a vida do impetuoso doutor da Lei sofre profunda e irreversível transformação. Alucinado por descobrir que Estêvão é o mesmo Jeziel, irmão desaparecido da sua amada noiva Abigail, vê desmoronar os seus sonhos matrimoniais. Abigail, por outro lado, afastada de Saulo, se converte ao Cristianismo, recebendo de Ananias as luzes sagradas da nova revelação. Não muito tempo depois da sua conversão ao Cristianismo, Abigail cai irremediavelmente doente, vindo a morrer nos braços de um Saulo enlouquecido de dor.

Durante três dias, Saulo deixou-se ficar em companhia dos amigos generosos, recordando a noiva inesquecível. Profundamente abatido, procurava remédio para as mágoas íntimas, na contemplação da paisagem que Abigail tanto amara. [...] Acusava a si próprio de não haver chegado mais cedo para arrebatá-la à enfermidade dolorosa. Pensamentos amargos o atormentavam, tomado de angustioso arrependimento. Afinal, com a rigidez das suas paixões, aniquilara todas as possibilidades de ventura. Com o rigorismo de sua perseguição implacável, Estêvão encontrara o suplício terrível; com o orgulho inflexível do coração, atirara a noiva ao antro indevassável do túmulo. Entretanto, não podia esquecer que devia todas as coincidências penosas àquele Cristo crucificado, que não pudera compreender. Ensandecido pela dor, o orgulhoso fariseu transferiu sua mágoa e revolta para Jesus e para seus seguidores. [...] Saulo de Tarso galvanizara o ódio pessoal ao Messias escarnecido. Agora que se encontrava só [...] buscaria concentrar esforços na punição e corretivo de quantos encontrasse transviados da Lei. Julgando-se prejudicado pela difusão do Evangelho, renovaria processos da perseguição infamante. Sem outras esperanças, sem novos ideais, já que lhe faltavam os fundamentos para constituir um lar, entregar-se-ia de corpo e alma à defesa de Moisés, preservando a fé e a tranquilidade dos compatrícios. Elabora então um plano de perseguição aos cristãos, especialmente dirigido a Ananias, responsável direto pela conversão de Abigail. Posteriormente, apresenta esse plano ao Sinédrio, esclarecendo que, a despeito da paz reinante em Jerusalém, obtida pelo encarceramento dos principais líderes da igreja do “Caminho”, o mesmo não acontecia nas cidades de Jope e Cesareia onde eram frequentes os distúrbios provocados pelos adeptos do Cristo. Concluindo a exposição, afirma: [...] Não somente nesses núcleos precisamos desenvolver a obra saneadora mas, ainda agora, chegam-se notícias alarmantes de Damasco, a requerem providências imediatas. Localizam-se ali perigosos elementos. Um velho, chamado Ananias, lá está perturbando a vida de quantos necessitam de paz nas sinagogas. Não é justo que o mais alto tribunal da raça se desinteresse das coletividades israelitas noutros setores. Proponho, então, estendermos o benefício dessa campanha a outras cidades. Para esse fim, ofereço todos os meus préstimos pessoais, sem ônus à causa que servimos. Bastar-me-á, tão só, o necessário documento de habilitação, a fim de acionar todos os recursos que me pareçam acertados, inclusive o da própria pena de morte, quando se julgue necessária e oportuna.” -( FEB - EADE )- 




Estudo do Livro dos Espíritos







184. Tem o Espírito a faculdade de escolher o mundo onde passe a habitar? 

“Nem sempre. Pode pedir que lhe seja permitido ir para este ou aquele e pode obtê-lo, se o merecer, porquanto a acessibilidade dos mundos, para os Espíritos, depende do grau da elevação destes.”

a) — Se o Espírito nada pedir, que é o que determina o mundo em que ele reencarnará? 

“O grau da sua elevação.”




Que a graça e a paz sejam conosco!

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Dados biográficos de Saulo de Tarso


"Não amemos de palavras, nem de língua, mas por obras e em verdade." -( I João, 3: 18 )-



Amados irmãos, bom dia!
Amar uns aos outros e não esse ou aquele. Amai os vossos inimigos, os esquecidos da sociedade, os de caminhada mais difícil e os segregados por diversas razões. É amar aos ladrões, à prostitutas, aos de sexualidade incomum, esses sim precisam do nosso amor. É a isso a que se referia nosso Mestre Jesus, portanto, aprendamos a amar.







“Paulo é conhecido como o Apóstolo dos Gentios (Atos dos Apóstolos, 9:15; Gálatas, 1:15-23; Efésios, 3:1-6), em razão do devotado trabalho evangélico que realizou junto aos povos pagãos. Nasceu em Tarso, capital da Cilícia, no início do séc. I da nossa Era (Atos dos Apóstolos, 9:11; 21:39; 22:3), recebendo o nome hebraico de Saulo. Fazia parte de uma família judaica helenística, da tribo de Benjamim (Filipenses, 3:5 e Romanos, 11:1), cujos integrantes eram judeus da diáspora. Na infância, aprendeu sobre a sua herança judaica na sinagoga local de Tarso. No entanto, obteve os estágios finais de sua educação religiosa em Jerusalém, sob a orientação do rabino Gamaliel (Atos dos Apóstolos, 5:34 e 22:3). Era também cidadão romano, por ter nascido numa província de Roma (Atos dos Apóstolos, 22:25-28; 23:27). A Cilícia era um distrito da Ásia Menor, situado próximo da Síria, pertencendo à província de Acaia. O limite, ao norte, era o monte Tauro [ou Taurus]. Estava dividida em duas províncias: Cilícia Traquéa e Cilícia Pádias, a primeira muito montanhosa e agreste, e a segunda, embora também em parte coberta de rochedos, dispunha de algumas planícies férteis. Importante estrada cortava o país de este a oeste, passando pela cidade de Tarso. [...] Nos tempos romanos a Cilícia exportava grande quantidade de lã caprina, chamada cilicium, da qual se faziam tendas. Esse foi, aliás o ofício de Saulo, uma vez que era praxe entre os de sua raça, inclusive os mais ricos e ilustrados, aprender sempre um ofício manual.

Atualmente, a Cilícia pertence à Turquia. Pelo Ocidente se liga a Europa, através do estreito de Bosfóro; pelo Oriente, com o Irã e a Rússia; fazendo fronteira com o Iraque e a Síria, ao sul. A terra natal do apóstolo contava com cerca de 500 mil habitantes, na época do seu nascimento, possuindo um bom porto e um centro comercial movimentado e importante. Era uma cidade cosmopolita que desempenhou relevante papel nas guerras civis dos romanos e estava isenta de pagar impostos a Roma. Tarso era formada de uma população heterogênea de marcada influência grega. A Cilícia era altamente civilizada ao longo da costa, mas bárbara nos altiplanos do monte Taurus. Tarso, a capital, era famosa pelos seus filósofos e por suas escolas. Os judeus da diáspora estabeleceram ali importante colônia, como também em Antioquia, Mileto, Éfeso, Esmirna [...]. Essas cidades fariam parte do roteiro da pregação evangélica do apóstolo. Em Jerusalém, conquistou uma posição de importância, como fariseu (Atos dos Apóstolos, 23: 6; 26:5 e Filipenses, 3:5), tornando-se membro do Sinédrio. Paulo possuía poderosa inteligência e considerável cultura, fatores que muito o favoreceram em suas viagens missionárias. Falava fluentemente o grego, o latim, além do hebraico. Elevado à posição de doutor da Lei, vivia em Jerusalém, desfrutando do prestígio que a posição lhe impunha, junto ao sinédrio, e em razão das relações de sua família.” -( FEB - EADE )- 




Estudo do Livro dos Espíritos







183. Indo de um mundo para outro, o Espírito passa por nova infância? 

“Em toda parte a infância é uma transição necessária, mas não é, em toda parte, tão obtusa como no vosso mundo.”



Que a graça e a paz sejam conosco!

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Estêvão, o primeiro mártir do Cristianismo


"E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo." -( Atos, 2: 21 )-



Amados irmãos, bom dia!
Isso foi a promessa que nos fez nosso Mestre Jesus, portanto, se ao invocarmos o seu Santo Nome crermos que Ele nos atendeu, cabe também compreender que o seu auxílio nem sempre é o que desejamos como solução. Ele sabe o que é o melhor para nós e se não nos dá, segundo nosso desejo, é devido ao fato de que está nos livrando de algo que estamos pedindo sem saber as consequências. Descansai das preocupações e esperai no Senhor. Mesmo que ainda não compreendamos, Ele está agindo e o que sucederá sempre é o melhor para nós.







“Após a crucificação de Jesus numerosos judeus se converteram ao Cristianismo. Os sacerdotes e membros do Sinédrio, entretanto, temiam que a propagação dos preceitos cristãos provocasse desestabilização no Judaísmo. Sendo assim, iniciou-se um movimento de perseguição aos cristãos, a princípio realizado portas adentro das sinagogas, posteriormente em público, nas ruas e no interior das residências, durante as festividades corriqueiramente, ou nas atividades diárias. Vieram então alguns da sinagoga chamada dos Libertos, dos Cirineus e Alexandrinos, dos da Cilícia e da Ásia, e puseram-se a discutir com Estêvão. Mas não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito que o levavam a falar. Pelo que subornaram homens que atestassem: “Ouvimo-lo pronunciar palavras blasfematórias contra Moisés e contra Deus”. Amotinaram assim o povo, os anciãos e os escribas e, chegando de improviso, arrebataram-no e levaram-no à presença do Sinédrio. Lá apresentaram falsas testemunhas que depuseram: “Esse homem não cessa de falar contra o Lugar Santo e contra a Lei. Ouvimo-lo dizer que Jesus Nazareno destruiria este lugar e modificaria as tradições que Moisés nos legou”. Ora, todos os membros do Sinédrio estavam com os olhos fixos nele, e viram-lhe o rosto semelhante ao de um anjo. Essa farsa montada contra Estêvão, foi apoiada por Saulo de Tarso. O apóstolo dos gentios aparece no cenário da história cristã como o principal elemento do julgamento, condenação e morte, por apedrejamento, de Estêvão, considerado o primeiro mártir do Cristianismo. Esses fatos aconteceram no ano 35 de nossa Era. O jovem Saulo apresentava toda a vivacidade de um homem solteiro, bordejando os seus trinta anos. Na fisionomia cheia de virilidade e máscula beleza, os traços israelitas fixavam-se particularmente nos olhos profundos e percucientes, próprios dos temperamentos apaixonados e indomáveis, ricos de agudeza e resolução. Trajando a túnica do patriciato, falava de preferência o grego, a que se afeiçoara na cidade natal, ao convívio dos mestres bem-amados, trabalhados pelas escolas de Atenas e Alexandria. Chegando a Jerusalém, vindo de Damasco, Saulo se encontra com o amigo Sadoque que lhe fornece informações a respeito de Estêvão e o efeito que este provocava nas pessoas. Cheio de zelo religioso, interpreta equivocadamente as preleções de Estêvão, considerando-o blasfemador. Influenciando o espírito de Saulo, acrescenta: — Não me conformo em ver os nossos princípios aviltados e proponho-me a cooperar contigo [...], para estabelecermos a imprescindível repressão a tais atividades. Com as tuas prerrogativas de futuro rabino, em destaque no Templo, poderás encabeçar uma ação decisiva contra esses mistificadores e falsos taumaturgos.

Tempos depois, num sábado, Saulo e Sadoque se dirigem até a humilde igreja de Jerusalém para ouvirem a pregação de Estêvão. Os apóstolos “Tiago [Maior], Pedro e João surpreenderam-se com a presença do jovem doutor da Lei, que se popularizara na cidade pela sua oratória veemente e pelo acurado conhecimento das Escrituras”. A despeito de ter ficado impressionado com a pregação de Estêvão, Saulo interpela o expositor, por meio de ríspida conversa, na tentativa de desacreditá-lo perante a assembleia. Estêvão, porém, manteve-se sereno, respondendo com gentileza e firmeza os apartes do doutor da Lei. Desse momento em diante destacam-se, nas sinagogas, os debates religiosos entre Saulo, o orgulhoso fariseu, e Estêvão, o humilde e iluminado cristão. Gamaliel, o generoso e brilhante rabino, orientador de Saulo, sempre presente aos debates, contribuía com palavras ponderadas, buscando acalmar os ânimos. Incorformado com as serenas proposições de Estêvão, Saulo perturbou-se, e, deixando levar-se pelo orgulho, denunciou Estêvão ao Sinédrio, onde montou um ardiloso esquema de condenação com apoio de amigos. Durante o julgamento, a defesa de Estêvão no Sinédrio foi brilhante, revelando a grandeza do seu Espírito. Teve oportunidade também de demonstrar o domínio que possuía das Escrituras, discursando com serenidade e segurança (Atos dos Apóstolos, 7:11-54). Foi, entretanto, implacavelmente julgado e condenado à morte por apedrejamento, homicídio aprovado por Saulo (Atos dos Apóstolos, 7:55-60). Mesmo sendo acusado de blasfemador, caluniador e feiticeiro Estêvão manteve-se firme até o final, quando entregou sua alma a Deus. Nessa hora suprema, recordava os mínimos laços de fé que o prendiam a uma vida mais alta. Lembrou de todas as orações prediletas da infância. Fazia o possível por fixar na retina o quadro da morte do pai supliciado e incompreendido. Intimamente, repetia o Salmo 23 de Davi, qual fazia junto da irmã, nas situações que pareciam insuperáveis. “O Senhor é meu pastor. Nada me faltará...” As expressões dos Escritos Sagrados, como as promessas do Cristo no Evangelho, estavam-lhe no âmago do coração. O corpo quebrantava-se no tormento, mas o Espírito estava tranquilo e esperançoso. Antes de emitir o último suspiro, Estêvão perdoa Saulo e os demais perseguidores, adentrando vitorioso no mundo espiritual. Para o futuro Apóstolo dos Gentios, entretanto, iniciava-se a sua via crucis, marcada por uma dor extrema: acabara de perseguir, condenar e aprovar a matança do irmão de Abigail, o seu amor adorado. Compreendeu, assim, que os seus sonhos conjugais e familiares estavam definitivamente comprometidos.” -( FEB - EADE )-




Estudo do Livro dos Espíritos






182. É-nos possível conhecer exatamente o estado físico e moral dos diferentes mundos? 

“Nós, Espíritos, só podemos responder de acordo com o grau de adiantamento em que vos achais. Quer dizer que não devemos revelar estas coisas a todos, porque nem todos estão em estado de compreendê-las e semelhante revelação os perturbaria.” 

À medida que o Espírito se purifica, o corpo que o reveste se aproxima igualmente da natureza espírita. Torna-se-lhe menos densa a matéria, deixa de rastejar penosamente pela superfície do solo, menos grosseiras se lhe fazem as necessidades físicas, não mais sendo preciso que os seres vivos se destruam mutuamente para se nutrirem. O Espírito se acha mais livre e tem, das coisas longínquas, percepções que desconhecemos. Vê com os olhos do corpo o que só pelo pensamento entrevemos. Da purificação do Espírito decorre o aperfeiçoamento moral, para os seres que eles constituem, quando encarnados. As paixões animais se enfraquecem e o egoísmo cede lugar ao sentimento da fraternidade. Assim é que, nos mundos superiores ao nosso, se desconhecem as guerras, carecendo de objeto os ódios e as discórdias, porque ninguém pensa em causar dano ao seu semelhante. A intuição que seus habitantes têm do futuro, a segurança que uma consciência isenta de remorsos lhes dá, fazem que a morte nenhuma apreensão lhes cause. Encaram-na de frente, sem temor, como simples transformação. A duração da vida, nos diferentes mundos, parece guardar proporção com o grau de superioridade física e moral de cada um, o que é perfeitamente racional. Quanto menos material o corpo, menos sujeito às vicissitudes que o desorganizam. Quanto mais puro o Espírito, menos paixões a miná-lo. É essa ainda uma graça da Providência, que desse modo abrevia os sofrimentos.




Que a graça e a paz sejam conosco!

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Dados biográficos de Estêvão


"Não useis, porém, da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pela caridade." -( Paulo aos Gálatas, 5: 13 )-



Amados irmãos, bom dia!
A liberdade é a maior prova da esperança que nosso Pai Celestial tem em nós. Ele espera que a usemos para o bem e à elevação de todos. Quão raros são os que a sabem usar assim. Sejamos vigilantes quanto a essa questão, pois, as escolhas que fazemos hoje serão nossa colheita no porvir.









“Estêvão era um judeu helenista, nascido na cidade de Corinto, província de Acaia, dominada pelos romanos. A cidade, reedificada por Júlio César, era a mais bela joia da velha Acaia, servindo de capital à formosa província. Não se podia encontrar, na sua intimidade, o espírito helênico em sua pureza antiga, mesmo porque, depois de um século de lamentável abandono [...], restaurando-a, o grande imperador transformara Corinto em colônia importante de romanos, para onde ocorrera grande número de libertos ansiosos de trabalho remunerador, ou proprietários de promissoras fortunas. A estes, associara-se vasta corrente de israelitas e considerável percentagem de filhos de outras raças que ali se aglomeravam, transformando a cidade em núcleo de convergência de todos os aventureiros do Oriente e do Ocidente.

Descendente da tribo de Issacar, Estêvão se revelou, desde jovem, destacado estudioso das escrituras, apreciando, em especial, os ensinamentos de Isaías que anunciavam a promessa da vinda do Messias. A sua vida foi marcada por grandes sacrifícios e renúncias, sobretudo quando se converteu ao Cristianismo. A partir deste momento, Jeziel rompe definitivamente com as tradições do Judaísmo, adotando o pseudônimo de Estêvão, o primeiro mártir do movimento cristão. Possuidor de personalidade envolvente, Estêvão “cheio de graça e de força, operava grandes prodígios e sinais entre o povo” (Atos dos Apóstolos, 6:8).


No ano de 34 d. C., os habitantes de Corinto sofreram dolorosa perseguição do Procônsul romano, Licínio Minúcio, que, [...] cercado de grande número de agentes políticos e militares e estabelecendo o terror entre todas as classes, com seus processos infamantes. [...] Numerosas famílias de origem judaíca foram escolhidas como vítimas preferenciais da nefanda extorsão. A família de Estêvão se resumia ao pai Jochedeb e a irmã Abigail — que futuramente seria noiva de Paulo de Tarso —, uma vez que a sua mãe era falecida. Essa família foi diretamente atingida pela perseguição do preposto de César, quando o idoso Jochedeb foi covardemente assassinado, Estêvão foi feito prisioneiro e atirado ao trabalho forçado nas galeras (galés) romanas. Abigail fugiu para Jerusalém sob a proteção de uma família judia, Zacarias e Ruth, também vítima de perseguição, que teve os filhos mortos. Esse casal adotou a jovem irmã de Jeziel como uma filha querida. Estêvão, ou Jeziel, enfrentou com coragem e grande fortaleza moral as provações que a vida lhe reservara. Nas galés romanas o valoroso seguidor do Cristo foi submetido às mais ásperas privações, mas, estoicamente, tudo suportou, jamais perdendo a fé em Deus. Voltando de Cefalônia, a galera recebeu um passageiro ilustre. Era o jovem romano Sérgio Paulo, que se dirigia para a cidade de Citium, em comissão de natureza política. [...] Dada a importância do seu nome e o caráter oficial da missão a ele cometida, o comandante Sérvio Carbo lhe reservou as melhores acomodações. Sérgio Paulo, entretanto [...] adoeceu com febre alta, abrindo-se-lhe o corpo em chagas purulentas. [...] O médico de bordo não conseguiu explicar a enfermidade e os amigos do enfermo começaram a retrair-se com indisfarçável escrúpulo. Ao fim de três dias, o jovem romano achava-se quase abondonado. O comandante, preocupado por sua vez, com a própria situação e receoso por si mesmo, chamou Lisipo [feitor da galera], pedindo-lhe que indicasse um escravo dos mais educados e maneirosos, capaz de incumbir-se de toda assistência ao passageiro ilustre. O feitor designou Jeziel, incontinenti, e, na mesma tarde, o moço hebreu penetrou o camarote do enfermo, com o mesmo espírito de serenidade que costumava testemunhar nas situações díspares e arriscadas. Estêvão cuidou do romano com extremada dedicação, conquistando-lhe a simpatia. Entre ambos estabeleceu-se laços de amizade sincera, de sorte que usando do prestígio político que possuia, Sérgio Paulo obteve a libertação do seu dedicado enfermeiro, fazendo-o aportar em Jerusalém. Estêvão chegou em Jerusalém extremamente enfermo, pois contraíra a estranha doença que atingira o seu libertador. Um desconhecido, denominado Irineu de Crotona, encaminhou a Efraim, um cristão, conhecido como seguidor do “Caminho” (designação primitiva do Cristianismo) que, por sua vez, o conduziu à “Casa do Caminho”, moradia do apóstolo Pedro, transformada em local de atendimento a todos os necessitados. Na Casa do Caminho, Estêvão recebeu o amparo que necessitava, encontrando no apóstolo Pedro um verdadeiro amigo, que lhe prestou esclarecimentos a respeito de Jesus e da sua iluminada mensagem de amor. O valoroso Simão Pedro, após tomar conhecimento do drama vivido por Jeziel, desde a perseguição ocorrida em Corinto até a liberdade alcançada por intercessão de Sérgio Paulo, recomenda-lhe manter-se em anonimato, afirmando: [...] Jerusalém regurgita de romanos e não seria justo comprometer o generoso amigo que te restituiu à liberdade. [...] — Serás meu filho, doravante — exclamou Simão num transporte de júbilo. [...] — Para que não te esqueças da Acaia, onde o Senhor se dignou de buscar-te para o seu ministério divino, eu te batizarei no credo novo com o nome grego de Estêvão. A partir desse momento, Estêvão absorveu-se no estudo dos ensinos do Cristo, participando da difusão da mensagem da Boa Nova na modesta moradia da Casa do Caminho, cujos serviços de alimentação, enfermagem e de semeadura da palavra divina cresciam celeremente. Com a ampliação dos serviços prestados à comunidade, surgiu, então, a necessidade de dividir as tarefas, evitando que um servidor ficasse mais sobrecarregado que outro. Na primeira reunião da Igreja humilde, Simão Pedro pediu, então, nomeassem sete auxiliares para o serviço de enfermarias e dos refeitórios, resolução que foi aprovada com geral aprazimento. Entre os sete irmãos escolhidos, Estêvão foi designado com a simpatia de todos. Começou para o jovem de Corinto uma vida nova. Aquelas mesmas virtudes espirituais que iluminavam a sua personalidade e que tanto haviam contribuído para a cura do patrício, que o restituíra à liberdade, difundiam entre os doentes e indigentes de Jerusalém os mais santos consolos. [...] Simão Pedro não cabia em si de contente, em face das vitórias do filho espiritual. Os necessitados tinham a impressão de haver recebido um novo arauto de Deus para o alívio de suas dores. Em pouco tempo, Estêvão tornou-se famoso em Jerusalém, pelos seus feitos quase miraculosos. Considerado o escolhido do Cristo, sua ação resoluta e sincera arregimentara, em poucos meses, as mais vastas conquistas para o Evangelho do amor e do perdão.” -( FEB - EADE )- 




Estudo do Livro dos Espíritos






181. Os seres que habitam os diferentes mundos têm corpos semelhantes aos nossos? 

“É fora de dúvida que têm corpos, porque o Espírito precisa estar revestido de matéria para atuar sobre a matéria. Esse envoltório, porém, é mais ou menos material, conforme o grau de pureza a que chegaram os Espíritos. É isso o que assinala a diferença entre os mundos que temos de percorrer, porquanto muitas moradas há na casa de nosso Pai, sendo, conseguintemente, de muitos graus essas moradas. Alguns o sabem e desse fato têm consciência na Terra; com outros, no entanto, o mesmo não se dá.” 




Que a graça e a paz sejam conosco!