sábado, 18 de julho de 2015

Formação da Terra


A matéria cósmica primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os universos que estadeiam suas magnificências diante da eternidade. Ela é a mãe fecunda de todas as coisas, a primeira avó e, sobretudo, a eterna geratriz.




Amados irmãos, bom dia!
E chegou a vez da nossa casa. Quis o Senhor assim. Quão perfeita é a sua obra e quão maravilhosa sua sabedoria.
Cada detalhe programado, Ele não se esqueceu de nada.
Que saibamos amar nossa casa e nossa oportunidade de aqui estarmos.










Formação da Terra



“Rezam as tradições do mundo espiritual que [...] existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias. Essa comunidade de seres angélicos e perfeitos, da qual é Jesus um dos membros divinos,[...] apenas já se reuniu, nas proximidades da Terra para a solução de problemas decisivos da organização e da direção do nosso planeta, por duas vezes no curso dos milênios conhecidos.

A primeira, verificou-se quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no Tempo e no Espaço, as balizas do nosso sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição, do planeta, e a segunda, quando se decidia a vinda do Senhor à face da Terra, trazendo à família humana a lição imortal do seu Evangelho de amor e redenção.

Assim, sob a direção de Jesus – o governador espiritual da Terra – e seus propostos divinos, temos informações sobre a formação do Planeta. A Terra conserva em si os traços evidentes da sua formação. Acompanham-se-lhe as fases com precisão matemática, nos diferentes terrenos que lhe constituem o arcabouço. O conjunto desses estudos forma a ciência chamada Geologia, ciência nascida deste século (XIX) e que projetou luz sobre a tão controvertida questão da origem do globo terreno e da dos seres vivos que o habitam. Neste ponto, não há simples hipótese; há o resultado rigoroso da observação dos fatos e, diante dos fatos, nenhuma dúvida se justifica. A história da formação da Terra está escrita nas camadas geológicas, de maneira bem mais certa do que nos livros preconcebidos, porque é a própria Natureza que fala, que se põe a nu, e não a imaginação dos homens a criar sistemas. [...] Sem as descobertas da Geologia, como sem as da Astronomia, a Gênese do mundo ainda estaria nas trevas da lenda. Graças a elas, o homem conhece hoje a história da sua habitação, tendo desmoronado, para não mais tornar a erguer-se a estrutura de fábulas que lhe rodeavam o berço.

Que força sobre-humana pôde manter o equilíbrio da nebulosa terrestre, destacada do núcleo central do sistema, conferindo-lhe um conjunto de leis matemáticas, dentro das quais se iam manifestar todos os fenômenos inteligentes e harmônicos de sua vida, por milênios de milênios? Distanciando do Sol cerca de 149.600.000 quilômetros e deslocando-se no espaço com a velocidade diária de 2.500.000 quilômetros, em torno do grande astro do dia, imaginemos a sua composição nos primeiros tempos de existência, como planeta. Laboratório de matérias ignescentes, o conflito das forças telúricas e das energias físico-químicas opera as grandiosas construções do teatro da vida, no imenso cadinho onde a temperatura se eleva, por vezes, a 2.000 graus de calor, como se a matéria colocada num forno, incandescente, estivesse sendo submetida aos mais diversos ensaios, para examinar-se a sua qualidade e possibilidades na edificação da nova escola dos seres.


As descargas elétricas, em proporções jamais vistas da Humanidade, despertam estranhas comoções no grande organismo planetário, cuja formação se processa nas oficinas do Infinito. Na grande oficina surge, então, a diferenciação da matéria ponderável, dando origem ao hidrogênio. As vastidões atmosféricas são amplo repositório de energias elétricas e de vapores que trabalham as substâncias torturadas no orbe terrestre. O frio dos espaços atua, porém, sobre esse laboratório de energias incandescentes e a condensação dos metais verifica-se com a leve formação da crosta solidificada. É o primeiro descanso das tumultuosas comoções geológicas do globo. Formam-se os primitivos oceanos, onde a água tépida sofre pressão difícil de descrever-se. A atmosfera está carregada de vapores aquosos e as grandes tempestades varrem, em todas as direções, a superfície do planeta, mas sobre a Terra o caos fica dominado como por encanto. As paisagens aclaram-se, fixando a luz solar, que se projeta nesse novo teatro de evolução e vida. As mãos de Jesus haviam descansado, após o longo período de confusão dos elementos físicos da organização planetária”. -( FEB )-








Que a graça e a paz sejam conosco!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Formação dos mundos e da Terra




A matéria cósmica primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os universos que estadeiam suas magnificências diante da eternidade. Ela é a mãe fecunda de todas as coisas, a primeira avó e, sobretudo, a eterna geratriz.



Amados irmãos, bom dia!
Eis um assunto que há séculos vem sendo especulado e que quis o Senhor nos fosse revelado através dos bons Espíritos. Não podendo ser "apenas" uma obra do acaso, veremos como em tudo sempre encontraremos as mãos do Criador.








Formação dos mundos



“Allan Kardec assinala em O Livro dos Espíritos: O Universo abrange a infinidade dos mundos que vemos e dos que não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço, assim como os fluidos que o enchem. Diz-nos a razão [continua Kardec] não ser possível que o Universo se tenha feito a si mesmo e que, não podendo também ser obra do acaso, há de ser obra de Deus. Como, entretanto, terá Deus criado o Universo? Allan, Kardec, ouvindo os Espíritos Superiores, nos apresenta os esclarecimentos que se seguem.

Existindo, por sua natureza, desde toda a eternidade, Deus criou desde toda eternidade e não poderia ser de outro modo, visto que, por mais longínqua que seja a época a que recuemos, pela imaginação, os supostos limites da criação, haverá sempre, além desse limite, uma eternidade [...] durante a qual as divinas hipóstases(*), as volições infinitas teriam permanecido sepultadas em muda letargia inativa e infecunda, uma eternidade de morte aparente para o Pai eterno que dá vida aos seres, de mutismo indiferente para o Verbo que os governa; de esterilidade fria e egoísta para o Espírito de amor e vivificação.

(*) Hipóstase: (Fil.) para os pensadores da Antiguidade, realidade permanente, concreta e fundamental; substância. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.

Compreendamos melhor a grandeza da ação divina e a sua perpetuidade sob a mão do Ser absoluto!

Deus é o Sol dos seres, é a Luz do mundo. Ora, a aparição do Sol dá nascimento instantâneo a ondas de luz que se vão espalhando por todos os lados, na extensão. Do mesmo modo, o Universo, nascido do Eterno, remonta aos períodos inimagináveis do infinito de duração, ao Fiat lux! [faça-se a luz!] do início. O começo absoluto das coisas remonta, pois, a Deus. As sucessivas aparições delas no domínio da existência constituem a ordem da criação perpétua. Que mortal poderia dizer das magnificências desconhecidas e soberbamente veladas sob a noite das idades que se desdobraram nesses tempos antigos, em que nenhuma das maravilhas do Universo atual existia; nessa época primitiva em que, tendo-se feito ouvir a voz do Senhor, os materiais que no futuro haviam de agregar-se por si mesmos e simetricamente, para formar o templo da Natureza, se encontraram de súbito no seio das vácuos infinitos; quando aquela voz misteriosa, que toda criatura venera e estima como a de uma mãe, produziu notas harmoniosamente variadas, para irem vibrar juntas e modular o concerto dos céus imensos! O mundo, no nascedouro, não se apresentou assente na sua virilidade e na plenitude da sua vida, não. O poder criador nunca se contradiz e, como todas as coisas, o Universo nasceu criança. Revestido das leis mencionadas acima e da impulsão inicial inerente à sua formação mesma, a matéria cósmica primitiva fez que sucessivamente nascessem turbilhões, aglomerações desse fluido difuso, amontoados de matéria nebulosa que se cindiram por si próprios e se modificaram ao infinito para gerar, nas regiões incomensuráveis da amplidão, diversos centros de criações simultâneas ou sucessivas. Em virtude das forças que predominaram sobre um ou sobre outro deles e das circunstâncias ulteriores que presidiram aos seus desenvolvimentos, esses centros primitivos se tornaram focos de uma vida especial: uns, menos disseminados no espaço e mais ricos em princípios e em forças atuantes, começaram desde logo a sua particular vida astral; os outros, ocupando ilimitada extensão, cresceram com lentidão extrema, ou de novo se dividiram em outros centros secundários.

Transportando-nos a alguns milhões de séculos somente, acima da época atual, verificamos que a nossa Terra ainda não existe, que mesmo o nosso sistema solar ainda não começou as evoluções da vida planetária; mas, que, entretanto, já esplêndidos sóis iluminam o éter; já planetas habitados dão vida e existência a uma multidão de seres, nossos predecessores na carreira humana, que as produções opulentas de uma natureza desconhecida e os maravilhosos fenômenos do céu desdobram, sob outros olhares, os quadros da imensa criação. Que digo! Já deixaram de existir esplendores que muito antes fizeram palpitar o coração de outros mortais, sob o pensamento da potência infinita! E nós, pobres seres pequeninos, que viemos após uma eternidade de vida, nós nos cremos contemporâneos da criação! Ainda uma vez, compreendamos melhor a Natureza. Saibamos que atrás de nós, como à nossa frente, está a eternidade, que o espaço é teatro de inimaginável sucessão e simultaneidade de criações. Tais nebulosas, que mal percebemos nos mais longínquos pontos do céu, são aglomerados de sóis em vias de formação; tais outras são vias-lácteas de mundos habitados; outras, finalmente, sedes de catástrofes e de deperecimento. Saibamos que, assim como estamos colocados no meio de uma infinidade de mundos, também estamos no meio de uma dupla infinidade de durações, anteriores e ulteriores; que a criação universal não se acha restrita a nós, que não nos é lícito aplicar essa expressão à formação isolada do nosso pequenino globo.

Podemos então afirmar, como nos esclarecem os Espíritos Superiores, que Deus criou o Universo e os seres pela sua Vontade.

A base de construção dos mundos e dos corpos materiais é o fluido cósmico universal, igualmente chamado de matéria cósmica primitiva. A matéria cósmica primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os universos que estadeiam suas magnificências diante da eternidade. Ela é a mãe fecunda de todas as coisas, a primeira avó e, sobretudo, a eterna geratriz. Absolutamente não desapareceu essa substância donde provêm as esferas siderais; não morreu essa potência, pois que ainda, incessantemente, dá à luz novas criações e incessantemente recebe, reconstituídos, os princípios dos mundos que se apagam do livro eterno. A substância etérea, mais ou menos rarefeita, que se difunde pelos espaços interplanetários; esse fluido cósmico que enche o mundo, mais ou menos rarefeito, nas regiões imensas, opulentas de aglomerações de estrelas; mais ou menos condensado onde o céu astral ainda não brilha; mais ou menos modificado por diversas combinações, de acordo com as localidades da extensão, nada mais é do que a substância primitiva onde residem as forças universais, donde a Natureza há tirado todas as coisas.

Conforme estudamos, encontramos no fluido cósmico as forças inerentes [...]que presidiram às metamorfoses da matéria, as leis imutáveis e necessárias que regem o mundo. Essas múltiplas forças, indefinidamente variáveis segundo as combinações da matéria, localizadas segundo as massas [atômicas], diversificadas em seus modos de ação, segundo as circunstâncias e os meios, são conhecidas na Terra sob os nomes de gravidade, coesão, afinidade, atração, magnetismo, eletricidade ativa. Os movimentos vibratórios do agente [ou dessas forças] são conhecidos sob os nomes de som, calor, luz, etc.

Os mundos, assim, se formam [...] pela condensação da matéria disseminada no Espaço”. -( FEB )- 






Que a graça e a paz sejam conosco!

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Elementos gerais do universo: O princípio inteligente



Importa considerar que o elemento geral espírito — escrito com e minúsculo, também chamado princípio inteligente do Universo, difere de Espírito (palavra escrita com E maiúsculo), que designa a individualidade humana, dotada de razão.



Amados irmãos, bom dia!
Hoje nos instruiremos sobre nossa verdadeira identidade e como ela é formada. Nosso Pai maravilhoso criou-nos com muita sabedoria e amor, lembremos disso a cada passo.








Formação do princípio inteligente


“Os Espíritos Orientadores da Codificação Espírita afirmam que não é fácil analisar a natureza íntima do espírito — aqui entendido como princípio inteligente — pela nossa linguagem, uma vez que esse princípio, mesmo sem representação inteligível para nós, significa alguma coisa para eles, Espíritos possuidores de esclarecimento superior. Informam também que a inteligência é um atributo essencial do espírito, mas não é o próprio princípio inteligente, e que, devido à limitação dos nossos conhecimentos, podemos facilmente confundir o atributo com a causa. Os Espíritos Orientadores afirmam que o espírito ou princípio inteligente independe da matéria, sendo, ao contrário, distintos um do outro. No entanto, informam que [...] a união do espírito e da matéria é necessária para intelectualizar a matéria. Refletindo a respeito, perguntamos: qual é o verdadeiro significado da expressão «intelectualizar a matéria?» Como é que uma matéria pode ser intelectualizada?

Realizando uma pesquisa mais aprofundada, vimos que no original francês está escrito «intelligenter la matière», frase que Guillon Ribeiro traduziu por intelectualizar a matéria, uma vez que na nossa Língua não existe o verbo «inteligenciar». Na verdade, também não existe o verbo «intelligenter» na Língua Francesa. Compreendemos então que os Espíritos Orientadores criaram um neologismo na tentativa de melhor explicar o assunto. Etimologicamente, o verbo intelectualizar origina-se de intelecto (intellectus do latim) e quer dizer: dar caráter intelectual a; dar forma ou conteúdo racional; elevar algo (um sentimento, uma discussão) à categoria das coisas intelectuais. Por outro lado, «intelligenter» ou «inteligenciar», caso existissem, respectivamente, no francês ou no português, originaria do vocábulo inteligência (do latim, intelligentia) de diferentes significados. 
Citemos alguns: inteligência é um substantivo que pode ser entendido como faculdade de entender, de compreender, de conhecer, de aprender; juízo; discernimento; penetração do espírito; conjunto de funções psíquicas e psicofisiológicas que contribuem para o conhecimento ou compreensão das coisas e significado dos fatos; para a Psicologia é a capacidade de apreender e organizar os dados de uma situação, em circunstâncias para as quais de nada servem o instinto, o aprendizado e o hábito; ainda na Psicologia, é a habilidade em tirar partido das circunstâncias; para a Metafísica, é a substância espiritual e abstrata considerada como fonte de toda a intelectualidade. Entendemos, assim, que intelectualizar a matéria está relacionada, em última análise, à capacidade ou à habilidade de o princípio inteligente conhecer ou compreender a matéria, e, quando em contato com esta, imprime-lhe ajustes e organizações, tantas quantas forem necessárias. A ligação matéria-princípio inteligente é conduzida pela ação dos Espíritos Crísticos diretamente ligados à Inteligência Divina, os quais retiram do fluido cósmico universal os elementos necessários à formação de novas substâncias e novos corpos materiais. Em outro sentido, a ação dos Espíritos Superiores faz que também sejam repercutidas no princípio inteligente os ajustes e organizações impressos na matéria, de forma que novos aprendizados ocorram igualmente no princípio inteligente e este possa gerar, sucessivamente, matérias em níveis de complexidade inimagináveis.

Existe uma certa dificuldade em concebermos os princípios material e inteligente atuando, isoladamente, na Natureza. Acreditamos que este foi um dos motivos que levou Kardec a perguntar aos Espíritos Superiores: Essa união é igualmente necessária para a manifestação do espírito? (Entendemos aqui por espírito o princípio da inteligência, abstração feita das individualidades que por esse nome se designam.) É necessária [dizem eles] a vós outros, porque não tendes organização apta a perceber o espírito sem a matéria. A isto não são apropriados os vossos sentidos. Esta resposta nos faz concluir que a nossa condição evolutiva representa um impedimento natural à percepção, mais aprofundada, dos dois princípios gerais existentes no Universo. Parece que a compreensão do assunto requer, não apenas condições intelectivas adiantadas, mas, também, uma organização física mais especializada. As orientações da Revelação Espírita indicam, em síntese, que há dois elementos gerais do Universo: matéria e espírito, [...] e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas, ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o espírito [princípio inteligente] e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o espírito não o fosse. Está colocado entre o espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.  


Reconhecemos, com o Codificador, que os vocábulos matéria e espírito produzem, na nossa linguagem, equívocos de interpretação. Aliás, Kardec até sugeriu denominar os elementos gerais do Universo, respectivamente, de matéria inerte e de matéria inteligente. Os Espíritos Superiores, porém, lhe responderam dizendo: As palavras pouco nos importam. Compete-vos a vós formular a vossa linguagem de maneira a vos entenderdes. As vossas controvérsias provêm, quase sempre, de não vos entenderdes acerca dos termos que empregais, por ser incompleta a vossa linguagem para exprimir o que não vos fere os sentidos. O certo mesmo é o que constata admiravelmente o lúcido Codificador do Espiritismo: Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um princípio inteligente que independe da matéria. A origem e a conexão destas duas coisas nos são desconhecidas. Se promanam ou não de uma só fonte; se há pontos de contato entre ambas; se a inteligência tem existência própria, ou se é uma propriedade, um efeito; se é mesmo, conforme à opinião de alguns, uma emanação da Divindade, ignoramos. Elas se nos mostram como sendo distintas; daí o considerarmo-las formando os dois princípios constitutivos do Universo. Vemos, acima de tudo isso, uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que se distingue delas por atributos essenciais. A essa inteligência suprema é que chamamos Deus”. -( FEB )-






A graça e a paz sejam conosco!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Elementos gerais do universo: matéria


A matéria é o laço que prende o Espírito; é o instrumento de que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação. Allan Kardec: O livro dos espíritos, questão 22-a.



Amados irmãos, bom dia!
A cada novo estudo mais me encanto com a grandeza da obra do Senhor. Assim como há somente um Deus, toda a matéria se origina de uma só e suas variações são "provocadas" a partir da grande sabedoria do nosso Pai. Admitimos a existência da matéria e do espírito, hoje nos ateremos à matéria.








Elementos gerais do universo: matéria e espírito


“Ensina o Espiritismo que há dois elementos gerais do Universo: matéria e espírito e, [...] acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Importa considerar que o elemento geral espírito — escrito com e minúsculo, também chamado princípio inteligente do Universo, difere de Espírito (palavra escrita com E maiúsculo), que designa a individualidade humana, dotada de razão. (Veja, a propósito, as questões 23 a 28 e 76 a 81 de O Livro dos Espíritos). 1.

Formação da matéria

A matéria tem origem no fluido cósmico universal, também conhecido como éter ou matéria cósmica primitiva, conforme vimos no roteiro anterior deste módulo. Sabemos também que nessa [...] substância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a Ele agregadas, em processo de comunhão indescritível, os grandes Devas da teologia hindu ou os Arcanjos da interpretação de variados templos religiosos, extraindo desse hálito espiritual os celeiros de energia com que constroem os sistemas da Imensidade, em serviço de Co-criação em plano maior, de conformidade com os desígnios do Todo-Misericordioso, que faz deles agentes orientadores da Criação Excelsa. 
Sob a orientação das Inteligências Superiores, congregam-se os átomos em colmeias imensas, e, sob a pressão, espiritualmente dirigida, de ondas eletromagnéticas, são controladamente reduzidas as áreas espaciais intra-atômicas, sem perda de movimento, para que se transformem na massa nuclear adensada, de que se esculpem os planetas, em cujo seio as mônadas celestes [princípio inteligente] encontrarão adequado berço ao desenvolvimento. Temos, assim, a luz e o calor, que teoricamente classificamos entre as irradiações nascidas dos átomos supridos de energia. São estes que, excitados na íntima estrutura, despedem as ondas eletromagnéticas. 
Todavia, não obstante tatearmos com relativa segurança as realidades da matéria, definindo a natureza corpuscular do calor e da luz, e embora saibamos que outras oscilações eletromagnéticas se associam, insuspeitadas por nós, na vastidão universal, aquém do [espectro] infravermelho e além do ultravioleta, completamente fora da zona de nossas percepções, confessamos com humildade que não sabemos ainda, principalmente no que se refere à elaboração da luz, qual seja a força que provoca a agitação inteligente dos átomos, compelindo-os a produzir irradiações capazes de lançar ondas no Universo com a velocidade de 300.000 quilômetros por segundo, preferindo reconhecer, em toda parte, com a obrigação de estudarmos e progredirmos sempre, o hálito divino do Criador. 

Esse processo de Co-criação em plano maior resultou na produção de variados tipos de matéria no cosmos. Para se ter uma ideia da grandiosidade do processo, observamos que as nossas análises químicas apontam para a existência de [...] cerca de um quarto de milhão de substâncias da Terra, que podem ser reduzidas, aproximadamente, como originárias de noventa elementos [naturais da tabela periódica]. Na verdade, a atual tabela periódica é formada por cerca de 103 elementos químicos, sendo que os seus noventa primeiros elementos são classificados como de ocorrência natural no nosso planeta. As substâncias químicas restantes foram produzidas pela inteligência humana. Emmanuel nos esclarece que [...] a Química necessita apresentar essa divisão de elementos para a catalogação dos valores educativos, com vistas às investigações de natureza científica, no mundo; contudo, se na sua base estão os átomos, na mais vasta expressão de diversidade, mesmo assim tenderá sempre para a unidade substancial, em remontando com as verdades espirituais às suas fontes de origem. Aliás, em se tratando das individuações químicas [acrescenta o benfeitor], já conheceis que o hidrogênio, no quadro dos conhecimentos terrestres, é o elemento mais simples de todos. Seu átomo é a forma primordial da matéria planetária, constituindo-se do sistema absolutamente simplificado, porque composto de um só elétron, de onde partem as demais individuações no mecanismo evolutivo da matéria, em suas expressões rudimentares. 

Observando a matéria existente no nosso planeta, constatamos que [...] não há o que pareça tão profundamente variado, nem tão essencialmente distinto como as diversas substâncias que compõem o mundo. Entre os objetos que a Arte ou a Natureza nos fazem passar diariamente ante o olhar, haverá duas que revelem perfeita identidade, ou, sequer, paridade de composição? Quanta dessemelhança, sob os aspectos da solidez, da compressibilidade, do peso e das múltiplas propriedades dos corpos, entre os gases atmosféricos e um filete de ouro entre a molécula aquosa da nuvem e a do mineral que forma a carcaça óssea do globo! Que diversidade entre o tecido químico das variadas plantas que adornam o reino vegetal e o dos representantes não menos numerosos da animalidade na Terra! 

Entretanto, podemos estabelecer como princípio absoluto que todas as substâncias, conhecidas e desconhecidas, por mais dessemelhantes que pareçam, quer do ponto de vista da constituição íntima, quer pelo prisma de suas ações recíprocas, são, de fato, apenas modos diversos sob que a matéria se apresenta; variedades em que ela se transforma sob a direção das forças inumeráveis que a governam. Se se observa tão grande diversidade na matéria, é porque, sendo em número ilimitado as forças que hão presidido às suas transformações e as condições em que estas se produziram, também as várias combinações da matéria não podiam deixar de ser ilimitadas. Logo, quer a substância que se considere pertença aos fluidos propriamente ditos, isto é, aos corpos imponderáveis, quer revista os caracteres e as propriedades ordinárias da matéria, não há, em todo o Universo, senão uma única substância primitiva; o «cosmo», ou «matéria cósmica» dos uranógrafos”. -( FEB )-



Que a graça e a paz sejam conosco!

terça-feira, 14 de julho de 2015

Pluralidade dos Mundos Habitados



De onde se originam os corpos materiais existentes no Universo?



Amados irmãos, bom dia!
É com grande alegria que iniciamos um novo tema e que vem nos mostrar mais um pouco da infinita sabedoria do Criador. A origem dos corpos materiais existentes no Universo. Que a Espiritualidade Maior seja conosco a fim de que a possamos compreender.








O fluido cósmico universal


“Os Espíritos Superiores nos esclarecem que há [...] um fluido etéreo que enche o espaço e penetra os corpos. Esse fluido é o éter ou matéria cósmica primitiva, geradora do mundo e dos seres. São-lhe inerentes as forças que presidiram às metamorfoses da matéria, as leis imutáveis e necessárias que regem o mundo. Essas múltiplas forças, indefinidamente variadas segundo as combinações da matéria, localizadas segundo as massas, diversificadas em seus modos de ação, segundo as circunstâncias e os meios, são conhecidas na Terra sob os nomes de gravidade, coesão, afinidade, atração, magnetismo, eletricidade ativa. Os movimentos vibratórios do agente são conhecidos sob os nomes de som, calor, luz, etc. Em outros mundos, elas se apresentam sob outros aspectos, revelam outros caracteres desconhecidos na Terra e, na imensa amplidão dos céus, forças em número indefinido se têm desenvolvido numa escala inimaginável, cuja grandeza tão incapazes somos de avaliar, como o é o crustáceo, no fundo do oceano, para apreender a universalidade dos fenômenos terrestres.

Ora, assim como só há uma substância simples, primitiva, geradora de todos os corpos, mas diversificada em suas combinações, também todas essas forças dependem de uma lei universal diversificada em seus efeitos e que, pelos desígnios eternos, foi soberanamente imposta à criação, para lhe imprimir harmonia e estabilidade. A grande diversidade de corpos materiais existentes no Universo, inclusive no nosso planeta, [...] é porque, sendo em número ilimitado as forças que hão presidido às suas transformações e as condições em que estas se produziram, também as várias combinações da matéria não podiam deixar de ser ilimitadas. Logo, quer a substância que se considere pertença aos fluidos propriamente ditos, isto é, aos corpos imponderáveis, quer revista os caracteres e as propriedades ordinárias da matéria, não há, em todo o Universo, senão uma única substância primitiva; o cosmo, ou matéria cósmica dos uranógrafos.

Esclarecem ainda os Espíritos Superiores que a matéria cósmica primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os universos que estadeiam suas magnificências diante da eternidade. Ela é a mãe fecunda de todas as coisas, a primeira avó e, sobretudo, a eterna geratriz. Absolutamente não desapareceu essa substância donde provêm as esferas siderais; não morreu essa potência, pois que ainda, incessantemente, dá à luz novas criações e incessantemente recebe, reconstituídos, os princípios dos mundos que se apagam do livro eterno. A substância etérea, mais ou menos rarefeita, que se difunde pelos espaços interplanetários; esse fluido cósmico que enche o mundo, mais ou menos rarefeito, nas regiões imensas, opulentas de aglomerações de estrelas; mais ou menos condensado onde o céu astral ainda não brilha; mais ou menos modificado por diversas combinações, de acordo com as localidades da extensão, nada mais é do que a substância primitiva onde residem as forças universais, donde a Natureza há tirado todas as coisas.

O Espírito André Luiz elucida que no fluido cósmico, entendido como sendo o plasma divino [...], hausto do Criador ou força-nervosa do Todo-Sábio. [...] vibram e vivem constelações e sóis, mundos e seres, como peixes no oceano. [...] Nessa substância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a Ele agregadas, em processo de comunhão indescritível [...], extraindo desse hálito espiritual os celeiros da energia com que constroem os sistemas da Imensidade, em serviço de Co-Criação em plano maior, de conformidade com os desígnios do Todo-Misericordioso, que faz deles agentes orientadores da Criação Excelsa. O fluido cósmico, entendido como sendo o princípio elementar do Universo, demonstra possuir propriedades «sui generis» assumindo [...] dois estados distintos: o de eterização ou imponderabilidade, que se pode considerar o primitivo estado normal, e o de materialização ou de ponderabilidade, que é, de certa maneira, consecutivo àquele. O ponto intermédio é o da transformação do fluido em matéria tangível. Mas, ainda aí, não há transição brusca, porquanto podem considerar-se os nossos fluidos imponderáveis como termo médio entre os dois estados. Cada um desses dois estados dá lugar, naturalmente, a fenômenos especiais: ao segundo pertencem os do mundo visível e ao primeiro os do mundo invisível. Uns, os chamados fenômenos materiais, são da alçada da Ciência propriamente dita, os outros, qualificados de fenômenos espirituais ou psíquicos, porque se ligam de modo especial à existência dos Espíritos, cabem nas atribuições do Espiritismo. Como, porém, a vida espiritual e a vida corporal se acham incessantemente em contato, os fenômenos das duas categorias muitas vezes se produzem simultaneamente. No estado de encarnação, o homem somente pode perceber os fenômenos psíquicos que se prendem à vida corpórea; os do domínio espiritual escapam aos sentidos materiais e só podem ser percebidos no estado de Espírito.

No estado de eterização, o fluido cósmico não é uniforme; sem deixar de ser etéreo, sofre modificações tão variadas em gênero e mais numerosas talvez do que no estado de matéria tangível. Essas modificações constituem fluidos distintos que, embora procedentes do mesmo princípio, são dotados de propriedades especiais e dão lugar aos fenômenos peculiares ao mundo invisível. Dentro da relatividade de tudo, esses fluidos têm para os Espíritos, que também são fluídicos, uma aparência tão material, quanto a dos objetos tangíveis para os encarnados e são, para eles, o que são para nós as substâncias do mundo terrestre. Eles os elaboram e combinam para produzirem determinados efeitos, como fazem os homens com os seus materiais, ainda que por processos diferentes. Devido à natureza e o tipo de forças que atuam na vida extra-fisica, os elementos fluídicos do mundo espiritual escapam aos nossos instrumentos de análise e à percepção dos nossos sentidos, feitos para perceberem a matéria tangível e não a matéria etérea. Alguns há, pertencentes a um meio diverso a tal ponto do nosso, que deles só podemos fazer ideia mediante comparações tão imperfeitas como aquelas mediante as quais um cego de nascença procura fazer ideia da teoria das cores. Mas, entre tais fluidos, há os tão intimamente ligados à vida corporal, que, de certa forma, pertencem ao meio terreno. Em falta de observação direta, seus efeitos podem observar-se, como se observam os do fluido do imã, fluido que jamais se viu, podendo-se adquirir sobre a natureza deles conhecimentos de alguma precisão. É essencial esse estudo, porque está nele a chave de uma imensidade de fenômenos que não se conseguem explicar unicamente com as leis da matéria.


Finalmente, nos parece oportuno esclarecer a respeito de um subproduto do fluido cósmico, existente em todos os seres vivos. Trata-se do fluido ou princípio vital. O princípio vital é [...] o princípio da vida material e orgânica, qualquer que seja a fonte donde promane, princípio esse comum a todos os seres vivos, desde as plantas até o homem. Pois que pode haver vida com exclusão da faculdade de pensar, o princípio vital é coisa distinta e independente. [...] Para uns é uma propriedade da matéria, um efeito que se produz achando-se a matéria em dadas circunstâncias. O princípio vital – também chamado de fluido magnético ou fluido elétrico animalizado –, e tendo como fonte o fluido cósmico universal, é encontrado em todos os corpos vivos da Natureza. Modificado segundo as espécies, é [...] ele que lhes dá movimento e atividade e os distingue da matéria inerte [...]. Podemos então dizer que o princípio ou fluido vital [...] é a força motriz dos corpos orgânicos. Ao mesmo tempo que o agente vital dá impulsão aos órgãos, a ação destes entretém e desenvolve a atividade daquele agente, quase como sucede com o atrito, que desenvolve o calor”. -( FEB )-


Que a graça e a paz sejam conosco!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Reencarnação na Bíblia - Visão Espírita


" Nascer, morrer, renascer ainda e progredir. Tal é a Lei". - Allan Kardec –



Amados irmãos, bom dia!
Hoje estamos sugerindo um vídeo cujo tema, bastante oportuno, irá nos auxiliar em nossos estudos. Trata-se de uma palestra do nosso irmão Haroldo Dutra. Que a Espiritualidade Maior possa nos auxiliar em sua compreensão.






Que a graça e a paz sejam conosco!

domingo, 12 de julho de 2015

O esquecimento do passado: justificativas da sua necessidade


" Nascer, morrer, renascer ainda e progredir. Tal é a Lei". - Allan Kardec –




Amados irmãos, bom dia!
Hoje concluímos mais um capítulo de nosso estudo. Por se tratar de um tema grandioso e extenso, peçamos aos bons Espíritos que nos auxiliem em seu entendimento e que possamos observá-lo no nosso dia a dia.










O esquecimento do passado: justificativas da sua necessidade


“Mergulhado na vida corpórea, perde o Espírito, momentaneamente, a lembrança de suas existências anteriores, como se um véu as cobrisse. Todavia, conserva algumas vezes vaga consciência dessas vidas, que, mesmo em certas circunstâncias, lhe podem ser reveladas. Esta revelação, porém, só os Espíritos superiores espontaneamente lha fazem, com um fim útil, nunca para satisfazer a vã curiosidade [...]. 

O esquecimento das faltas praticadas não constitui obstáculo à melhoria do Espírito, porquanto, se é certo que este não se lembra delas com precisão, não menos certo é que a circunstância de as ter conhecido na erraticidade e de haver desejado repará-las o guia por intuição e lhe dá a ideia de resistir ao mal, ideia que é a voz da consciência, tendo a secundá-la os Espíritos superiores que o assistem, se atende às boas inspirações que lhe dão. O homem não conhece os atos que praticou em suas existências pretéritas, mas pode sempre saber qual o gênero das faltas de que se tornou culpado e qual o cunho predominante do seu caráter. Bastará então julgar do que foi, não pelo que é, sim, pelas suas tendências. As vicissitudes da vida corpórea constituem expiação das faltas do passado e, simultaneamente, provas com relação ao futuro. Depuram-nos e elevam-nos, se as suportamos resignados e sem murmurar. A natureza dessas vicissitudes e das provas que sofremos também nos podem esclarecer acerca do que fomos e do que fizemos, do mesmo modo que neste mundo julgamos dos atos de um culpado pelo castigo que lhe inflige a lei. Assim, o orgulhoso será castigado no seu orgulho, mediante a humilhação de uma existência subalterna; o mau rico, o avarento, pela miséria; o que foi cruel para os outros, pelas crueldades que sofrerá; o tirano, pela escravidão; o mau filho, pela ingratidão de seus filhos; o preguiçoso, por um trabalho forçado, etc. Em vão se objeta que o esquecimento constitui obstáculo a que se possa aproveitar da experiência de vidas anteriores. Havendo Deus entendido de lançar um véu sobre o passado, é que há nisso vantagem. Com efeito, a lembrança traria gravíssimos inconvenientes. Poderia, em certos casos, humilhar-nos singularmente, ou, então, exaltar-nos o orgulho e, assim, entravar o nosso livre-arbítrio. Em todas as circunstâncias, acarretaria inevitável perturbação nas relações sociais.

Frequentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes haja feito. Se reconhecesse nelas as a quem odiara, quiçá o ódio se lhe despertaria outra vez no íntimo. De todo modo, ele se sentiria humilhado em presença daquelas a quem houvesse ofendido. Para nos melhorarmos, outorgou-nos Deus, precisamente, o de que necessitamos e nos basta: a voz da consciência e as tendências instintivas. Priva-nos do que nos seria prejudicial. Ao nascer, traz o homem consigo o que adquiriu, nasce qual se fez; em cada existência, tem um novo ponto de partida. Pouco lhe importa saber o que foi antes: se se vê punido, é que praticou o mal. Suas atuais tendências más indicam o que lhe resta a corrigir em si próprio e é nisso que deve concentrar-se toda a sua atenção, porquanto, daquilo de que se haja corrigido completamente, nenhum traço mais conservará. As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, advertindo-o do que é bem e do que é mal e dando-lhe forças para resistir às tentações. Aliás, o esquecimento ocorre apenas durante a vida corpórea. Volvendo à vida espiritual, readquire o Espírito a lembrança do passado; nada mais há, portanto, do que uma interrupção temporária, semelhante à que se dá na vida terrestre durante o sono, a qual não obsta a que, no dia seguinte, nos recordemos do que tenhamos feito na véspera e nos dias precedentes. E não é somente após a morte que o Espírito recobra a lembrança do passado. Pode dizer-se que jamais a perde, pois que, como a experiência o demonstra, mesmo encarnado, adormecido o corpo, ocasião em que goza de certa liberdade, o Espírito tem consciência de seus atos anteriores; sabe por que sofre e que sofre com justiça. A lembrança unicamente se apaga no curso da vida exterior, da vida de relação. Mas, na falta de uma recordação exata, que lhe poderia ser penosa e prejudicá-lo nas suas relações sociais, forças novas haure ele nesses instantes de emancipação da alma, se os sabe aproveitar. Percebemos, dessa forma, que no esquecimento do passado [...] a bondade do Criador se manifesta, porquanto, adicionada aos amargores de uma nova existência, a lembrança muitas vezes aflitiva e humilhante, do passado, poderia turbá-lo [o Espírito] e lhe criar embaraços. Ele apenas se lembra do que aprendeu, por lhe ser isso útil. Se às vezes lhe é dado ter uma intuição dos acontecimentos passados, essa intuição é como a lembrança de um sonho fugitivo. Ei-lo, pois, novo homem, por mais antigo que seja como Espírito. Adota novos processos, auxiliado pelas suas aquisições precedentes.

O esquecimento do passado, [...] obedecendo às leis superiores que presidem ao destino, representa a diminuição do estado vibratório do Espírito, em contato com a matéria. Esse olvido é necessário, e, afastando-se os benefícios espirituais que essa questão implica, à luz das concepções científicas, pode esse problema ser estudado atenciosamente. Tomando um novo corpo, a alma tem necessidade de adaptar-se a esse instrumento. Precisa abandonar a bagagem dos seus vícios, dos seus defeitos, das suas lembranças nocivas, das suas vicissitudes nos pretéritos tenebrosos. Necessita de nova virgindade; um instrumento virgem lhe é então fornecido. Os neurônios desse novo cérebro fazem a função de aparelhos quebradores da luz; o sensório limita as percepções do Espírito, e, somente assim, pode o ser reconstruir o seu destino. Para que o homem colha benefícios da sua vida temporária, faz-se mister que assim seja. Sua consciência é apenas a parte emergente da sua consciência espiritual; seus sentidos constituem apenas o necessário à sua evolução no plano terrestre. Daí, a exiguidade das suas percepções visuais e auditivas, em relação ao número inconcebível de vibrações que o cercam. Todavia, como o esquecimento não é absoluto, [...] dentro dessa obscuridade requerida pela sua necessidade de estudo e desenvolvimento, experimenta a alma, às vezes, uma sensação indefinível... é uma vocação inata que a impele para esse ou aquele caminho; é uma saudade vaga e incompreensível, que a persegue nas suas meditações; são os fenômenos introspectivos, que a assediam frequentemente. Nesses momentos, uma luz vaga da subconsciência atravessa a câmara de sombras, impostas pelas células cerebrais, e, através dessa luz coada, entra o Espírito em vaga relação com o seu passado longínquo; tais fatos são vulgares nos seres evolvidos, sobre quem a carne já não exerce atuação invencível. Nesses vagos instantes, parece que a alma encarnada ouve o tropel das lembranças que passam em revoada; aversões antigas, amores santificantes, gostos aprimorados, de tudo aparece uma fração no seu mundo consciente; mas, faz-se mister olvidar o passado para que se alcance êxito na luta.

É oportuno lembrar que – conforme nos esclarece o Espiritismo –, a nitidez das lembranças acompanha o nosso progresso espiritual. Assim como as fibras do cérebro são as últimas a se consolidarem no veículo físico em que encarnamos na Terra, a memória perfeita é o derradeiro altar que instalamos, em definitivo, no templo de nossa alma, que, no Planeta, ainda se encontra em fases iniciais de desenvolvimento. É por isso que nossas recordações são fragmentárias... Todavia, de existência a existência, de ascensão em ascensão, nossa memória gradativamente converte-se em visão imperecível, a serviço de nosso espírito imortal... Léon Denis assinala que o [...] esquecimento do passado é a condição indispensável de toda prova e de todo progresso. 

O nosso passado guarda as suas manchas e nódoas. Percorrendo a série dos tempos, atravessando as idades de brutalidade, devemos ter acumulado bastantes faltas, bastantes iniquidades. Libertos apenas ontem da barbaria, o peso dessas recordações seria acabrunhador para nós. A vida terrestre é, algumas vezes, difícil de suportar; ainda mais o seria se, ao cortejo dos nossos males atuais, acrescesse a memória dos sofrimentos ou das vergonhas passadas. A recordação de nossas vidas anteriores não estaria também ligada à do passado dos outros? Subindo a cadeia de nossas existências, o entrecho de nossa própria história, encontraríamos o vestígio das ações de nossos semelhantes. As inimizades perpetuar-se-iam; as rivalidades, os ódios e as discórdias agravar-se-iam de vida em vida, de século em século. Os nossos inimigos, as nossas vítimas de outrora, reconhecer-nos-iam e estariam a perseguir-nos com sua vingança. Bom é que o véu do esquecimento nos oculte uns aos outros, e que, apagando momentaneamente de nossa memória penosas recordações, nos livre de um remorso incessante. 

O conhecimento das nossas faltas e suas consequências, erguendo-se diante de nós como ameaça medonha e perpétua, paralisaria os nossos esforços, tornaria estéril e insuportável a nossa vida. Sem o esquecimento, os grandes culpados, os criminosos célebres estariam marcados a ferro em brasa por toda a eternidade. Vemos os condenados da justiça humana, depois de sofrida a pena, serem perseguidos pela desconfiança universal, repelidos com horror por uma sociedade que lhes recusa lugar em seu seio, e assim muitas vezes os atira ao exército do mal. Que seria se os crimes do passado longínquo se desenhassem aos olhos de todos? Quase todos temos necessidade de perdão e de esquecimento. A sombra que oculta as nossas fraquezas e misérias conforta-nos o ser, tornando-nos menos penosa a reparação”. -( FEB )-







Que a graça e a paz sejam conosco!