sábado, 21 de janeiro de 2017

A rede


“E  sede  cumpridores  da  palavra,  e  não  somente  ouvintes, enganando-­vos com falsos discursos.” -( Tiago, 1:22 )-




Amados irmãos, bom dia!
"Cumprir a palavra do Mestre em nós é o programa divino. Sem a execução desse plano de salvação, os demais serviços sob  nossa responsabilidade constituirão sublimada teologia, raciocínios brilhantes, magnífica literatura, muita admiração e respeito  do  campo inferior do mundo, mas nunca a realização necessária. Eis o motivo pelo qual é sempre perigoso estacionar, no caminho, a ouvir  quem foge à realidade de nossos deveres." -( Pão Nosso - Chico Xavier / Emmanuel )-  






Texto evangélico: 


"Igualmente, o reino dos Céus é semelhante a uma rede lançada ao mar e que apanha toda qualidade de peixes. E, estando cheia, a puxam para a praia e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora. Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos e separarão os maus dentre os justos. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali, haverá pranto e ranger de dentes (Mt 13:47-50). 

A Parábola da Rede nos fala do momento de transformação que a humanidade terrestre deverá passar. Significa, [...], o fim deste ciclo evolutivo da humanidade terrena, com o desaparecimento de todos os seus usos, costumes e instituições contrários à moral e à justiça. 

A humanidade tem realizado, até o presente incontáveis progressos. Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material. Resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar: o de fazerem que entre si reinem a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar moral. Não poderiam consegui-lo nem com as suas crenças, nem com as suas instituições antiquadas, restos de outra idade, boas para certa época, suficientes para um estado transitório, mas que, havendo dado tudo o que comportavam, seriam hoje um entrave. Já não é somente de desenvolver a inteligência o de que os homens necessitam, mas de elevar o sentimento e, para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite neles o egoísmo e o orgulho." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






355. Há, de fato, como o indica a Ciência, crianças que já no seio materno não são vitais? Com que fim ocorre isso? 

“Freqüentemente isso se dá e Deus o permite como prova, quer para os pais do nascituro, quer para o Espírito designado a tomar lugar entre os vivos.”




Que a graça e a paz sejam conosco!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Moveu-se de íntima compaixão.


“Respondeu-­lhe Jesus: Não vos escolhi a vós, os doze?  E um de vós é diabo.”  -( João, 6:70 )-




Amados irmãos, bom dia!
"... consoante a afirmativa do próprio Jesus, o diabo partilhava os serviços apostólicos, permanecia junto dos aprendizes e um deles se constituíra em representação do próprio gênio infernal. Basta isto para que nos informemos de que o termo “diabo” não indicava, no conceito do Mestre, um gigante de perversidade, poderoso e eterno, no espaço e no tempo. Designa o  próprio homem, quando  algemado às torpitudes do sentimento inferior. Quando o homem o descobre, no vasto mundo de si mesmo, compreende o  mal, dá-­lhe combate, evita o inferno íntimo e desenvolve as qualidades divinas que o  elevam à espiritualidade superior." -( Pão Nosso - Chico Xavier / Emmanuel )-






Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão. E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar (Lc 10:33-35). 


"Os samaritanos eram os habitantes da Samaria que, após a separação das tribos de Israel, se tornou a capital do reino dissidente. Os samaritanos estiveram quase que constantemente em guerra com os reis de Judá [que tinham em Jerusalém sua sede]. Aversão profunda, datando da época da separação, perpetuou-se entre os dois povos, que evitavam todas as relações recíprocas. Aqueles, para tornarem maior a cisão e não terem de vir a Jerusalém pela celebração das festas religiosas, construíram para si um templo particular e adotaram algumas reformas. Somente admitiam o Pentateuco, que continha a lei de Moisés, e rejeitavam todos os outros livros que a esse foram posteriormente anexados. Seus livros sagrados eram escritos em caracteres hebraicos da mais alta antiguidade. Para os judeus ortodoxos, eles eram heréticos e, portanto, desprezados, anatematizados e perseguidos.

Na verdade, os samaritanos representavam o grupo conservador dentro da religião judaica; a Samaria pode ser entendida como um símbolo de transição entre o Judaísmo, os gentílicos e o Cristianismo. É importante considerar porque Jesus escolheu o samaritano como um exemplo da verdadeira prática da caridade, sendo os habitantes da Samaria desprezados e mantidos à distância pelos demais judeus. Pelo fato de os samaritanos representarem uma minoria, que interpretavam de forma diferente os livros básicos do Judaísmo, e terem práticas religiosas que contrariavam as orientações existentes no templo de Salomão, em Jerusalém, não implicam que eram pessoas más. Ao contrário, as citações evangélicas e as constantes de Atos dos apóstolos, indicam que Jesus e seus apóstolos os consideravam pessoas de bem. Talvez pelo fato de serem tão desprezados pelos seus irmãos de raça, tivessem os samaritanos desenvolvido uma vigilância maior, relativamente ao comportamento e conduta de vida. Entretanto, algo se destaca quando o bom samaritano vê a pessoa ferida, quase morta, caída no caminho. Esse “algo” é o sentimento de compaixão que ele sentiu pelo ferido. Jesus nos mostra, assim, que a verdadeira caridade só é praticada quando nos compadecemos dos que sofrem. 

Todos os benefícios que o samaritano produziu ao ferido (atar-lhe as feridas, levá-lo a uma hospedaria e garantir-lhe cuidados suplementares para o restabelecimento da saúde) foram gestos de bondade, desencadeados pela compaixão. 

O Espírito Irmão X nos transmite informações sobre os personagens dessa parábola. Segundo aprendi, o homem que descia de Jerusalém para Jericó, no episódio do bom samaritano, ao cair em poder dos ladrões, que o deixaram semimorto, apelou, em prece muda, para a bondade de Deus. Compadecido, o Todo-misericordioso expediu, sem detença, um mensageiro, que naturalmente carecia de instrumento humano a fim de expressar-se. O preposto da Providência, colocou-se ao lado da vítima, aguardando, ansiosamente, a chegada de alguém que se dispusesse a colaborar com ele no piedoso mister. Justamente um sacerdote de grande ciência nas Escrituras, educado nos princípios do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, foi o primeiro a aproximar-se... O encarregado da bênção tentou induzi-lo à benevolência; todavia, o titular da Fé, receando atrapalhações, tratou de estugar o passo e seguiu adiante. Logo em seguida, um levita, igualmente culto, apareceu no sítio e o benfeitor das alturas rogou-lhe cooperação, debalde, porque o zelador da Lei, temendo complicar-se, negou-se a considerar o pedido mental, afastando-se, rápido. Mas um samaritano desconhecido, que viajava sem qualquer rótulo que lhe honorificasse a presença, ao passar ali assinalou no coração a rogativa que o Emissário divino lhe endereçava e, deixando-se tomar por súbita compaixão, passou junto dele ao trabalho da assistência imediata. Limpou o infeliz, estancou-lhe o sangue das feridas e, logo após, acomodando-o no cavalo, conduziu-o a uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte,  desembolsou o dinheiro necessário, pagou-lhe a estalagem e, antes de partir, responsabilizou-se, de modo espontâneo, por todas as despesas que viessem a ocorrer no tratamento exigido, correspondendo, eficientemente, à expectativa do enviado que viera praticar a beneficência em nome de Deus...

Percebemos, na parábola, que o samaritano agiu com critério e bom senso quando atendeu o homem ferido, caído à beira da estrada. Vemos que a bondade do atendimento não dispensou o conhecimento ou maneira correta de agir. Primeiro prestou os cuidados emergenciais ao doente, limpando e fazendo a assepsia das feridas pela utilização dos recursos disponíveis (vinho e azeite); segundo improvisou um transporte (o cavalo), já que o doente estava incapacitado de andar; terceiro levou-o para uma estalagem onde recebeu alimento e o conforto de um leito, afastando-o das intempéries; quarto cuidou do ferido, auxiliando-o na recuperação da saúde; quinto, e por último, garantiu a continuidade do atendimento, fazendo um adiantamento monetário ao hospedeiro e assumindo uma dívida, se mais recursos financeiros fossem despendidos. Há, pois uma nítida preocupação do bom samaritano: de que o doente se recupere integralmente, cuidando dele diretamente ou, à distância, por intermédio do hospedeiro. Este é um exemplo de como se pode descer aos planos vibratórios onde a dor reside, sem que ocorra prejuízos de qualquer natureza. 

Descer, a serviço do bem é programa de aprendizado e de trabalho. Os benfeitores espirituais fazem isso frequentemente. Saem de suas esferas superiores e descem à Jericó dos nossos corações, ainda presos aos interesses transitórios do mundo. Nem sempre é possível ajudar na posição em que nos encontramos, daí ser necessário descer aos locais de sofrimento maior, dos desequilíbrios mais intensos, a fim de cooperar com eficiência. Aliás, o processo evolutivo se dá pela subida, caracterizada pela apreensão de conhecimento e, também pela descida aos núcleos de necessidade e dor, a fim de que sejam operacionalizadas as propostas de amor que já visitam o nosso entendimento. Compreendemos, assim, que, se o papel do samaritano é digno de ser imitado; se o homem caído aprendeu com sua própria queda; se o levita e o sacerdote ainda terão que evoluir nas reencarnações sucessivas, o hospedeiro é alguém que presta ou disponibiliza o seu serviço, ainda que remunerado. Mas nem por isto sem méritos porque o plano de aprendizagem e melhoria espiritual se dá, também, na intimidade de nossa atuação profissional. 

A Parábola do Bom Samaritano é lição preciosa que merece ser refletida e aplicada no dia a dia. Em todos os tempos, há exércitos de criaturas que ensinam a caridade; todavia, poucas pessoas praticam-na verdadeiramente.[...] É por isso que a caridade, antes de tudo, pede compreensão. Não basta entregar os haveres ao primeiro mendigo que surja à porta, para significar a posse da virtude sublime. É preciso entender-lhe a necessidade e ampará-lo com amor. Desembaraçar-se dos aflitos, oferecendo-lhes o supérfluo, é livrar-se dos necessitados, de maneira elegante, com absoluta ausência de iluminação espiritual. A caridade é muito maior que a esmola. Ser caridoso é ser profundamente humano e aquele que nega entendimento ao próximo pode inverter consideráveis fortunas no campo de assistência social, transformar-se em benfeitor dos famintos, mas terá que iniciar, na primeira oportunidade, o aprendizado do amor cristão, para ser efetivamente útil." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






354. Como se explica a vida intra-uterina? 

“É a da planta que vegeta. A criança vive vida animal. O homem tem a vida vegetal e a vida animal que, pelo seu nascimento, se completam com a vida espiritual.” 




Que a graça e a paz sejam conosco!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

E vendo-o, passou de largo


“E sede agradecidos.” - Paulo - ( Colossenses, 3:15 )




Amados irmãos, bom dia!
"É curioso verificar que a multidão dos aprendizes está sempre interessada em receber graças, entretanto, é raro encontrar alguém com a disposição de ministrá­-las. Na comunidade dos trabalhadores fiéis a Jesus, agradecer significa aplicar  proveitosamente as dádivas recebidas, tanto ao próximo, quanto a si mesmo." -( Pão Nosso - Chico Xavier / Emmanuel )-







E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo (Lc 10: 31 a 32). 

"Apesar de ser detentor de vários recursos, o coração desse sacerdote se mantinha fechado à pratica da solidariedade, ensinada por todas as interpretações religiosas, cristãs e não cristãs. “Vendo-o” indica mera observação superficial, desinteresse de quem nada sente, porque não há sentimentos envolvidos. O [...] sacerdote e o levita significam os padres das religiões que, em vez de tratarem dos interesses da coletividade, tratam dos interesses dogmáticos e do culto de suas igrejas [...]. 

É muito comum encontrarmos pessoas que se declaram cansadas de praticar o bem. Estejamos, contudo, convictos de que semelhantes alegações não procedem de fonte pura. [...] É indispensável muita prudência quando essa ou aquela circunstância nos induz a refletir nos males que nos assaltam, depois do bem que julgamos haver semeado ou nutrido. [...] Se nos entediarmos na prática do bem, semelhante desastre expressará em verdade que ainda nos não foi possível a emersão do mal de nós mesmos. Daí ser sempre atual a exortação de Paulo: “E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” (II Ts 3:13).

“Passar de largo” reflete ociosidade mental, enfatiza postura de quem está acostumado a cultivar o interesse pessoal e a indiferença para com as necessidades dos que sofrem. Cedo ou tarde, esta atitude repercutirá no íntimo do ser, gerando processos de culpa. Quando fugimos ao dever, precipitamo-nos no sentimento de culpa, do qual se origina o remorso, com múltiplas manifestações, impondo-nos brechas de sombra aos tecidos sutis da alma. É nesse estado negativo que, martelados pelas vibrações de sentimentos e pensamentos doentios, atingimos o desequilíbrio parcial ou total da harmonia orgânica, enredando corpo e alma nas teias da enfermidade [...]. Cair em culpa demanda, por isso mesmo, humildade viva para o reajustamento tão imediato quanto possível de nosso equilíbrio vibratório, se não desejamos o ingresso inquietante na escola das longas reparações." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






353. Não sendo completa a união do Espírito ao corpo, não estando definitivamente consumada, senão depois do nascimento, poder-se-á considerar o feto como dotado de alma? 

“O Espírito que o vai animar existe, de certo modo, fora dele. O feto não tem pois, propriamente falando, uma alma, visto que a encarnação está apenas em via de operar-se. Achasse, entretanto, ligado à alma que virá a possuir.” 




Que a graça e a paz sejam conosco!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Deixando-o meio morto


“Mas  a  manifestação  do  Espírito  é  dada  a  cada  um,  para o que for útil.” - Paulo -  ( I Coríntios, 12:7 )




Amados irmãos, bom dia!
"É justo que os discípulos pretendam o engrandecimento espiritual, todavia, quem possua faculdade humilde não a despreze porque o irmão mais próximo seja detentor de qualidades mais expressivas. Trabalhe cada um com o material que lhe foi confiado, convicto de que o Supremo Senhor não atende, no problema de manifestações espirituais, conforme o capricho humano, mas, sim, de acordo com a utilidade geral." -( Pãp Nosso - Chico Xavier / Emmanuel )-








Interpretação do texto evangélico 


"E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto (Lc 10:30). 

Jerusalém (do hebraico urusalim que significa “a fundação de Salém”) é uma cidade bíblica espalhada entre dois montes (altitude média de 750 m), limitada ao sul e a oeste pelo vale do Enom e a leste pelo vale do Cedron, que a separa do Monte das Oliveiras. Jerusalém começou a ser habitada desde o terceiro milênio a.C. Depois da conquista do local pelos israelitas, Jerusalém foi ocupada pela tribo de Benjamin (uma das doze tribos de Israel) que, sob o comando do rei Davi, subjugou os habitantes nativos, formados por uma população racial heterogênea: os jebuseus, os amorreus e os hinitas. Davi transformou Jerusalém na capital independente das 12 tribos, fez dela um centro de tradição cultural e espiritual do Judaísmo, levando para lá a arca da aliança, a que todas as tribos prestavam vassalagem. 

O primeiro templo da religião judaica foi erguido nesta cidade por Salomão, em 960 a.C. Jerusalém sofreu vários ataques de povos conquistadores, os mais importantes foram: o babilônico (587-586 a.C); o do Egito (guerra dos ptolomeus) e da Síria (guerra dos selêucitas), entre os anos 201, 199 e 198 a.C. Em 63 a.C. os romanos dominam a região e designam Herodes rei da Judeia, em 40 a.C. 

Espiritualmente falando, Jerusalém é considerada a sede do Monoteísmo, simbolizando para o Judaísmo uma cidade santa, da mesma forma que Meca para os muçulmanos e Roma para os católicos. Nos dias atuais, Jerusalém é a capital de Israel e, também, para os palestinos, a capital do Estado Palestino. Esta situação representa um foco de contínuos conflitos religiosos e políticos, acerbado pelas ideologias fanáticas e extremistas ali existentes. 

Jericó (do hebraico yareath que significa “lua”) situa-se a 12 km ao norte do Mar Morto, a oeste do vale do Jordão. Em termos de altitude, é uma das cidades mais baixas da Terra, localizando-se a 258 metros abaixo do nível o mar... Cidade muito antiga — com vestígios da presença de caçadores mesolíticos nove mil anos antes do Cristo —, sempre mereceu a atenção dos viajantes por ter um dos maiores oásis da região; pelas suas fontes de águas medicinais; pelos palácios construídos no período helenístico e à época de Herodes; pelo enorme aqueduto rodeado de palmeiras e pela beleza e luxo das moradias, erguidas por famílias ricas de Jerusalém. 

A rota de Jerusalém para Jericó, no passado e no presente, se caracteriza pela movimentação comercial. A parábola nos relata a história de um homem que viajando de Jerusalém para Jericó foi assaltado, espancado e deixado quase morto à beira da estrada. O episódio nos conduz a algumas reflexões, fundamentadas nas orientações espíritas. Destaca-se, em primeiro lugar, a violência a que o viajante foi submetido, característica de um mundo de expiações e provas, onde o mal predomina. A Terra, conseguintemente, oferece um dos tipos de mundos expiatórios, cuja variedade é infinita, mas revelando todos, como caráter comum, o servirem de lugar de exílio para Espíritos rebeldes à lei de Deus. Esses Espíritos têm aí de lutar, ao mesmo tempo, com a perversidade dos homens e com a inclemência da natureza, duplo e árduo trabalho que simultaneamente desenvolve as qualidades do coração e as da inteligência.

Uma via comercial, como a existente entre Jerusalém e Jericó, de intenso trânsito e movimentação de bens materiais, atrai a presença de trabalhadores honestos que com esforço e dedicação garantem a sua subsistência, quanto a permanência de pessoas inescrupulosas, descomprometidas com o bem, que não hesitam em prejudicar os desavisados que por ali transitam. Na tentativa de retirar o “espírito da letra” entendemos, em segundo lugar, que a descida de Jerusalém para Jericó pode ser analisada noutro contexto. Indica a queda de um padrão vibratório mais elevado para um plano de vibrações inferiores, em decorrência da invigilância moral. Nesse processo de descida, podemos manter sintonia com entidades perturbadoras que, tomando de assalto a nossa casa íntima, rouba a nossa paz, nos fere profundamente e nos deixa quase mortos à margem da vida. A descida de um padrão vibratório, de forma invigilante, sempre ocasiona prejuízos. Descer, porém, para auxiliar os que se encontram em planos vibracionais inferiores, é medida de auxílio ao próximo, desde que se concretize num plano harmônico e de entendimento.

Sendo assim, aconselha Emmanuel: Desce elevando aqueles que te comungam a convivência, para que a vida em torno suba igualmente de nível. [...] nesse sentido, não te esqueças do Mestre que desceu, até nós, revelando-nos como sublimar a existência. [...] Todavia, por descer, elevando quantos lhe não podiam compreender a refulgência da altura, é que se fez o caminho de nossa ascensão espiritual, a verdade de nosso gradativo aprimoramento e a vida de nossas vidas, a erguer-nos a alma entenebrecida no erro, para a vitória da luz." -( FEB - EADE )-  





Estudo do Livro dos Espíritos






352. Imediatamente ao nascer recobra o Espírito a plenitude das suas faculdades? 

“Não, elas se desenvolvem gradualmente com os órgãos. O Espírito se acha numa existência nova; preciso é que aprenda a servir-se dos instrumentos de que dispõe. As idéias lhe voltam pouco a pouco, como a uma pessoa que desperta e se vê em situação diversa da que ocupava na véspera.”




Que a graça e a paz sejam conosco!

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O bom samaritano


“E perguntou-­lhes: E vós, quem dizeis que eu sou?” -( Lucas, 9:20 )-




Amados irmãos, bom dia!
"Nas discussões propriamente do mundo, existirão sempre escritores e cientistas dispostos a examinar o Mestre, na pauta de suas impressões puramente intelectuais, sob os pruridos da presunção humana. Meditemos e renovemos aspirações em seu  Evangelho de Amor, compreendendo a impropriedade de mútuas interpelações, com respeito ao Mestre, porque a interrogação sublime vem d’Ele a cada um de nós e todos necessitamos conhecê-­lo, de modo a assinalá-­lo em nossas tarefas de cada dia." -( Pão Nosso - Chico Xavier / Emmanuel )- 








Texto evangélico 


"E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão. E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar (Lc 10:30-35). 

A parábola do Bom Samaritano é um exemplo que ilustra a moral do Evangelho, fundamentada na prática da caridade. Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, Ele aponta essas duas virtudes como as que conduzem à eterna felicidade: Bem-aventurados, disse, os pobres de espírito, isto é, os humildes, porque deles é o reino dos Céus; bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros. Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar e o de que dá, Ele próprio, o exemplo. Orgulho e egoísmo, eis o que não se cansa de combater. E não se limita a recomendar a caridade; põe-na claramente e em termos explícitos como condição absoluta da felicidade futura." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






351. No intervalo que medeia da concepção ao nascimento, goza o Espírito de todas as suas faculdades? 

“Mais ou menos, conforme o ponto, em que se ache, dessa fase, porquanto ainda não está encarnado, mas apenas ligado. A partir do instante da concepção, começa o Espírito a ser tomado de perturbação, que o adverte de que  lhe soou o momento de começar nova existência corpórea. Essa perturbação cresce de contínuo até ao nascimento. Nesse intervalo, seu estado é quase idêntico ao de um Espírito encarnado durante o sono. À medida que a hora do nascimento se aproxima, suas idéias se apagam, assim como a lembrança do passado, do qual deixa de ter consciência na condição de homem, logo que entra na vida. Essa lembrança, porém, lhe volta pouco a pouco ao retornar ao estado de Espírito.”  




Que a graça e a paz sejam conosco!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça


“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue,  mas sim  contra  os  principados,  contra  as  potestades,  contra  os  príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da  maldade, nos lugares celestiais.” - Paulo - ( Efésios, 6:12 )




Amados irmãos, bom dia!
"Segundo nossas afirmativas reiteradas, a grande luta não reside no combate com o sangue e a carne, propriamente, mas sim com as nossas disposições espirituais inferiores. Paulo de Tarso agiu  divinamente inspirado, quando escreveu  sua recomendação aos companheiros de Éfeso. O silencioso e incessante conflito entre os discípulos sinceros e as forças da sombra está vinculado em nossa própria natureza, porquanto nos acumpliciávamos abertamente com o mal, em passado não remoto." -( Pão Nosso - Chico Xavier / Emmanuel )- 








E outra caiu em boa terra e deu fruto: um, a cem, outro, a sessenta, e outro, a trinta. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça (Mt 13:8-9). 

"Quando o terreno está devidamente preparado, a produção está assegurada, num processo contínuo. A “boa terra” representa a terra fértil que possui condições propícias à germinação da semente, ao surgimento e amadurecimento da planta, assim como a produção do fruto. Os ensinamentos do Evangelho quando alcançam as pessoas simbolizadas pela “boa terra”, são assimilados e difundidos, num processo natural. O terreno fértil produz uma lavoura de significativo valor caracterizada por frutos suculentos e nutritivos. 

Entretanto, é importante considerar que nem todo terreno fértil produz igualmente: “E outra caiu em boa terra e deu fruto: um, a cem, outra a sessenta, e outro, a trinta.” Esse trecho mostra que toda semente que encontra terreno qualificado pela bondade do Cristo produz incessantemente, por atestar a sua origem. “Outro a sessenta e outro a trinta” revela que o percentual de produção pode ser menor em uns, mas que não deixa de dar a sua resposta, sempre positiva. “Outro a trinta”: nesta faixa se localizam aqueles que se posicionam no sublime momento do despertar para as realidades espirituais. Estão dispostos a oferecerem cotas, porém menores, no redirecionamento de sua existência, no plano das lutas evolutivas. 

“Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”, é o alerta que nos informa ser preciso, não apenas escutar orientações, propriamente ditas, mas, aprender a identificar oportunidades de crescimento. “Quem tem ouvidos para ouvir”, não perde tempo com lamentações, gemidos ou clamores. Conhece as dificuldades que envolvem os que produzem bons frutos, mas não se detém: trabalha incessantemente, guiando-se pelas elevadas intuições que lhes inspiram os benfeitores espirituais, sem medos, pressas ou retardamentos. Palmilha o caminho da efetiva libertação, transformando-a em reservas de bom ânimo e encorajamento em bálsamos que aliviam as dores do próximo. Os adeptos sinceros do Evangelho de Jesus são, assim, a “boa terra”, inspirados nos ensinamentos da Boa-Nova, esforçam-se em vivenciá-los, sem medir sacrifícios. 

Os quatro campos de semeadura, citados na parábola, simbolizam os diferentes tipos de mentalidade espiritual. A semente é o Evangelho de Jesus, entendido como roteiro de vida, mesmo quando chega até nós e não encontra a devida ressonância. Quando isto acontece, as sementes caídas às margens do caminho servem de alimento aos pássaros, porque os condicionamentos seculares — representados por valores fugidios e vinculados ao plano puramente material — falam mais alto. A segunda situação nos reporta à terra rasa, sem profundidade, que favorece a germinação da semente lançada, mas que não permite que se crie raiz devido à presença de pedras — que são as cristalizações de ideias e de comportamentos, heranças de experiências passadas. As sementes germinadas entre os espinhos, por sua vez, originaram o crescimento de uma frágil planta que logo morre sufocada. Os “espinhos” são os hábitos menos felizes, de feições acentuadamente transitórias. Um pensamento negativo ou a supervalorização de coisas materiais, por exemplo, podem crescer desordenadamente, abafando, por egoísmo ou comodismo, os valores imortais que nos chegam do Alto. A semente que cai no terreno fértil é a que foi semeada num coração mais amadurecido e receptivo ao Evangelho, disposto a acatar novos aprendizados e a renunciar às antigas e infelizes aquisições. Mesmo neste solo fértil, cada um produz de acordo com o seu piso evolutivo ou grau de adiantamento espiritual: uns produzem mais, outros produzem menos. 

A propósito, elucida o esclarecido benfeitor espiritual Emmanuel: Se o terreno de teu coração vive ocupado por ervas daninhas e se já recebeste o princípio celeste, cultiva-o, com devotamento, abrigando-o nas leiras de tua alma. O verbo humano pode falhar, mas a Palavra do Senhor é imperecível. Aceita-a e cumpre-a, porque, se te furtas ao imperativo da vida eterna, cedo ou tarde o anjo da angústia te visitará o espírito, indicando-te novos rumos." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






350. Uma vez unido ao corpo da criança e quando já lhe não é possível voltar atrás, sucede alguma vez deplorar o Espírito a escolha que fez? 

“Perguntas se, como homem, se queixa da vida que tem? Se desejara que outra fosse ela? Sim. Se se arrepende da escolha que fez? Não, pois não sabe ter sido sua a escolha. Depois de encarnado, não pode o Espírito lastimar uma escolha de que não tem consciência. Pode, entretanto, achar pesada demais a carga e considerá-la superior às suas forças. É quando isso acontece que recorre ao suicídio.” 




Que a graça e a paz sejam conosco!

domingo, 15 de janeiro de 2017

E os espinhos cresceram e sufocaram-na


“Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-­os a  permanecer  na  fé,  e  dizendo  que  por  muitas  tribulações  nos  importa entrar no reino de Deus.” -( Atos, 14:22 )-




Amados irmãos, bom dia!
"Homem algum encontrará o estuário infinito das energias divinas, sem o  concurso das tribulações da Terra. Personalidade sem luta, na Crosta Planetária, é alma estreita. Somente o trabalho e o sacrifício, a dificuldade e o obstáculo, como  elementos de progresso e auto­superação, podem dar ao homem a verdadeira notícia de sua grandeza." -( Pão Nosso - Chico Xavier / Emmanuel )-  








E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na (Mt 13:7). 


"Os espinhos indicam outro tipo de solo onde as sementes foram semeadas. São viciações, más inclinações ou imperfeições que ainda abrigamos. Devemos ter cuidado com esses espinhos, já que podem colocar em risco a boa produção da semeadura, além de sufocarem os mais valorosos projetos e as mais nobres intenções. 

Temos aqui aqueles que ao ouvirem a palavra divina, comparam as coisas materiais com as espirituais e se decidem pelas materiais, por parecer-lhes um caminho mais fácil e mais cômodo; são almas de pequenino desenvolvimento espiritual, que se acomodam melhor nas facilidades que a matéria proporciona.

Os espinhos representam, também, o egoísmo, a intolerância, a maledicência, o autoritarismo, o orgulho, a vaidade, o personalismo,  entre tantos outros vícios, que criam obstáculos ao processo de evangelização da criatura humana." -( FEB - EADE )-





Estudo do Livro dos Espíritos






349. Quando falha por qualquer causa a encarnação de um Espírito, é ela suprida imediatamente por outra existência? 

“Nem sempre o é imediatamente. Faz-se mister dar ao Espírito tempo para proceder a nova escolha, a menos que a reencarnação imediata corresponda a anterior determinação.”  




Que a graça e a paz sejam conosco!