domingo, 23 de agosto de 2015

O Princípio de Ação e Reação - Exemplo III


“E para que sejamos livres de homens dissolutos e maus, porque a fé não é de todos.” -( São Paulo, 2ª Epístola aos Tessalonicenses, 3: 2 )-



Amados irmãos, bom dia!
Hoje concluímos mais um tema com essa história que devemos analisar com atenção. Que os bons Espíritos nos auxiliem em sua compreensão e entendimento. A justiça do Senhor jamais falha, portanto, atentemo-nos ao bom comportamento, pois, o que plantarmos será o que iremos colher, sem dúvida.








3.º caso: Dívida e resgate

“No livro Contos e Apólogos, capítulo 23, páginas 101 a 104, relata-nos Irmão X emocionante manifestação da lei de causa e efeito, ocorrida entre os séculos dezenove e vinte. Na antevéspera do Natal de 1856, Dona Maria Augusta Correia da Silva, senhora de extensos haveres, retornava à fazenda, às margens do Paraíba, após quase um ano de passeio repousante na Corte.

Acompanhada de numerosos amigos que lhe desfrutariam a festiva hospitalidade, a orgulhosa matrona, na tarde chuvosa e escura, recebia os sessenta e dois cativos de sua casa que, sorridentes e humildes, lhe pediam a bênção. Na sala grande, nobremente assentada em velha poltrona sobre largo estrado que lhe permitisse mais ampIo golpe de vista, fazia um gesto de complacência, à distância, para cada servidor que exclamava de joelhos: — Louvado seja Nosso Senhor Jesus-Cristo, «sinhá»! — Louvado seja! – acentuava Dona Maria com terrível severidade a transparecer-lhe da voz. Velhinhos de cabeça branca, homens rudes do campo, mulheres desfiguradas pelo sofrimento, moços e crianças desfilavam nas boas-vindas. Contudo, em ângulo recuado, pobre moça mestiça, sustentando nos braços duas crianças recém-nascidas, sob a feroz atenção de capataz desalmado, esperava a sua vez. Foi a última que se aproximou para a saudação. A fazendeira soberana levantou-se, empertigada, chamou para junto de si o cérbero humano que seguia de perto a jovem escrava, e, antes que a pobrezinha lhe dirigisse a palavra, falou-lhe, duramente: — Matilde, guarde as crias na senzala e encontre-me no terreiro. Precisamos conversar. A interpelada obedeceu sem hesitação. E afastando-se do recinto, na direção do quintal, Dona Maria Augusta e o assessor, de azorrague em punho, cochichavam entre si. No grande pátio que a noite agora amortalhava em sombra espessa, a mãezinha infortunada veio atender à ordenação recebida. — Acompanhe-nos! - determinou Dona Maria, austeramente. Guiadas pelo rude capitão do mato, as duas mulheres abordaram a margem do rio transbordante. Nuvens formidandas coavam no céu os medonhos rugidos de trovões remotos... Derramava-se o Paraíba, em soberbo espetáculo de grandeza, dominando o vale extenso. Dona Maria pousou o olhar coruscante na mestiça humilhada e falou:. — Diga de quem são essas duas «crias» nascidas em minha ausência! — De «Nhô» Zico, «sinhá»! — Miserável! — bradou a proprietária poderosa — meu filho não me daria semelhante desgosto. Negue essa infâmia! — Não posso! Não posso!

A patroa encolerizada relanceou o olhar pela paisagem deserta e bramiu, rouquenha: — Nunca mais verá você essas crianças que odeio... — Ah! «sinhá» – soluçou a infeliz –, não me separe dos meninos! Não me separe dos meninos! Pelo amor de Deus!... — Não quero você mais aqui e essas crias serão entregues à venda. — Não me expulse, «sinhá»! Não me expulse! — Desavergonhada, de hoje em diante você é livre! E depois de expressivo gesto para o companheiro, acentuou, irônica: — Livre, poderá você trabalhar noutra parte para comprar esses rebentos malditos. Matilde sorriu, em meio do pranto copioso, e exclamou: — Ajude-me, «sinhá»... Se é assim, darei meu sangue para reaver meus filhinhos... Dona Maria Augusta indicou-lhe o Paraíba enorme e sentenciou: — Você está livre, mas fuja de minha presença. Atravesse o rio e desapareça! — «Sinhá», assim não! Tenha piedade de sua cativa! Ai, Jesus! Não posso morrer... Mas, a um sinal da patroa, o capataz envilecido estalou o chicote no dorso da jovem, que oscilou, indefesa, caindo na corrente profunda. — Socorro! Socorro, meu Deus! VaIei-me, Nosso Senhor! – gritou a mísera, debatendo-se nas águas. Todavia, daí a instantes, apenas um cadáver de mulher descia rio abaixo, ante o silêncio da noite... Cem anos passaram... Na antevéspera do Natal de 1956, Dona Maria Augusta Correia da Silva, reencarnada, estava na cidade de Passa-Quatro, no sul de Minas Gerais. Mostrava-se noutro corpo de carne, como quem mudara de vestimenta, mas era ela mesma, com a diferença de que, ao invés de rica latifundiária, era agora apagada mulher, em rigorosa luta para ajudar ao marido na defesa do pão. Sofria no lar as privações dos escravos de outro tempo. Era mãe, padecendo aflições e sonhos... Meditava nos filhinhos, ante a expectação do Natal, quando a chuva, sobre o telhado, se fez mais intensa. Horrível temporal desabava na região. Alagara-se tudo em derredor da casa singela. A pobre senhora, vendo a água invadir-lhe o reduto doméstico, avançou para fora, seguida do esposo e das crianças. . .


As águas, porém, subiam sempre em turbilhão envolvente e destruidor, arrastando o que se lhes opusesse à passagem. Diante da ex-fazendeira, erguia-se um rio inesperado e imenso e, em dado instante, esmagada de dor, ante a violenta separação do companheiro e dos pequeninos, tombou na caudal, gritando em desespero: — Socorro! Socorro, meu Deus! Valei-me, Nosso Senhor! Todavia, decorridos alguns momentos, apenas um cadáver de mulher descia corrente abaixo, ante o silêncio da noite... • A antiga situante do Vale do Paraíba resgatou o débito que contraíra perante a Lei”. -( FEB )-



Que a graça e a paz sejam conosco!

sábado, 22 de agosto de 2015

O Princípio de Ação e Reação - Exemplo II

“Porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento e
lançada de uma para outra parte.”  -(São Tiago, 1: 6 )-



Amados irmãos, bom dia!
Hoje veremos o segundo caso onde, tendo sido dada a oportunidade de evoluir, esta não foi aproveitada.







2.º Caso: Dívida agravada

"O Espírito André Luiz nos relata no capítulo 12, da obra Ação e Reação, páginas 215 a 219, a manifestação da lei de causa e efeito numa situação muito comum na atualidade. O Assistente [Silas] interrompeu a operação socorrista e falou-nos bondoso: — Temos aqui asfixiante problema de conta agravada. E designando a jovem mãe, agora extenuada, continuou: — Marina veio de nossa Mansão para auxiliar a Jorge e Zilda, dos quais se fizera devedora.

No século passado, interpôs-se entre os dois, quando recém-casados, impelindo-os a deploráveis leviandades, que lhes valeram angustiosa demência no Plano Espiritual. Depois de longos padecimentos e desajustes, permitiu o Senhor que muitos amigos intercedessem junto aos Poderes Superiores, para que se lhes recompusesse o destino, e os três renasceram no mesmo quadro social, para o trabalho regenerativo.

Marina, a primogênita do lar de nossa irmã Luísa, recebeu a incumbência de tutelar a irmãzinha menor, que assim se desenvolveu ao calor de seu fraternal carinho, mas, quando moças feitas, há alguns anos, eis que, segundo o programa de serviço traçado antes da reencarnação, a jovem Zilda reencontra Jorge e reatam, instintivamente, os elos afetivos do pretérito. Amam-se com fervor e confiam-se ao noivado. Marina, porém, longe de corresponder às promessas esposadas no Mundo Maior, pelas quais lhe cabia amar o mesmo homem, no silêncio da renúncia construtiva, amparando a irmãzinha, outrora repudiada esposa, nas lutas purificadoras que a atualidade lhe ofertaria, passou a maquinar projetos inconfessáveis, tomada de intensa paixão. Completamente cega e surda aos avisos da sua consciência, começou a envolver o noivo da irmã em larga teia de seduções e, atraindo para o seu escuso objetivo o apoio de entidades caprichosas e enfermiças, por intermédio de doentios desejos, passou a hipnotizar o moço, espontaneamente, com o auxílio dos vampiros desencarnados, cuja companhia aliciara sem perceber... E Jorge, inconscientemente dominado, transferiu-se do amor por Zilda à simpatia por Marina, observando que a nova afetividade lhe crescia assustadoramente no íntimo, sem que ele mesmo pudesse controlar-lhe a expansão...

Decorridos breves meses, dedicavam-se ambos a encontros ocultos, nos quais se comprometeram um com o outro na maior intimidade... Zilda notou a modificação do rapaz, mas procurava desculpar-lhe a indiferença à conta de cansaço no trabalho e dificuldades na vida familiar. Todavia, em faltando apenas duas semanas para a realização do consórcio, surpreende-se a pobrezinha com a inesperada e aflitiva confissão... Jorge expõe-lhe a chaga que lhe excrucia o mundo interior... Não lhe nega admiração e carinho, mas desde muito reconhece que somente Marina deve ser-lhe a companheira no lar. A noiva preterida sufoca o pavoroso desapontamento que a subjuga e, aparentemente, não se revolta. Mas, introvertida e desesperada, consegue na mesma noite do entendimento a dose de formicida com que põe termo à existência física. Alucinada de dor, Zilda, desencarnada, foi recolhida por nossa irmã Luísa, que já se achava antes dela em nosso mundo, admitida na Mansão pelos méritos maternais.

A genitora desditosa rogou o amparo de nossos Maiores. Na posição de mãe, apiedava-se de ambas as jovens, de vez que a filha traidora, aos seus olhos, era mais infeliz que a filha escarnecida, embora esta última houvesse adquirido o grave débito dos suicidas, em seu caso atenuado pela alienação mental em que a moça se vira, sentenciada sem razão a inqualificável abandono... Examinando o assunto, carinhosamente, pelo Ministro Sânzio [...], determinou ele que Marina fosse considerada devedora em conta agravada por ela mesma. E, logo após a decisão, providenciou a fim de que Zilda fosse recambiada ao lar para receber aí os cuidados merecidos. Marina falhara na prova de renúncia em favor da irmã que lhe era credora generosa, mas condenara-se ao sacrifício pela mesma irmãzinha, agora imposta pelo aresto da Lei ao seu convívio, na situação de filha terrivelmente sofredora e imensamente amada. Foi assim que Jorge e Marina, livres, casaram-se, recolhendo da Terra a comunhão afetiva pela qual suspiravam; entretanto, dois anos após o enlace, receberam Zilda em rendado berço, como filhinha estremecida. Mas... desde os primeiros meses do rebento adorado, identificara-lhe a dolorosa prova. Zilda, hoje chamada Nilda, nasceu surda-muda e mentalmente retardada, em consequência do trauma perispirítico experimentado na morte por envenenamento voluntário. Inconsciente e atormentada nos refolhos do ser pelas recordações asfixiantes do passado recente, chora quase que dia e noite... Quanto mais sofre, porém, mais ampla ternura recolhe dos pais que a amam com extremados desvelos de compaixão e carinho... Silenciou o Assistente [...].


Achávamo-nos eu e Hilário, assombrados e comovidos. O problema era doloroso do ponto de vista humano,  contudo  encerrava  precioso ensinamento da Justiça Divina". -( FEB )- 







Que a graça e a paz sejam conosco!

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O princípio de ação e reação - exemplo I


"As faltas que cometemos têm por fonte primária a imperfeição do nosso próprio Espírito, que ainda não conquistou a superioridade moral que um dia alcançará".








Amados irmãos,bom dia!
Exemplificando os ensinamentos apresentados ontem, disponibilizamos casos onde poderemos observar resultados da não observância dos mesmos. Hoje veremos o primeiro:



1.º Caso: Verdugo e vítima


O Espírito Irmão X nos conta no livro Contos Desta e Doutra Vida, a seguinte história: 

O rio transbordava. Aqui e ali, na crista espumosa da corrente pesada, boiavam animais mortos ou deslizavam toras e ramarias. Vazantes em torno davam expansão ao crescente lençol de massa barrenta. Famílias inteiras abandonavam casebres, sob a chuva, carregando aves espantadiças, quando não estivessem puxando algum cavalo magro. 

Quirino, o jovem barqueiro, que vinte e seis anos de sol no sertão haviam enrijado de todo, ruminava plano sinistro. Não longe, em casinhola fortificada, vivia Licurgo, conhecido usurário das redondezas. Todos o sabiam proprietário de pequena fortuna a que montava guarda, vigilante. 

Ninguém, no entanto, poderia avaliar-lhe a extensão, porque, sozinho, envelhecera e, sozinho, atendia às próprias necessidades. — O velho – dizia Quirino de si para consigo – será atingido na certa. É a primeira vez que surge uma cheia como esta. Agarrado aos próprios haveres, será levado de roldão... E se as águas devem acabar com tudo, porque não me beneficiar? O homem já passou dos setenta... Morrerá a qualquer hora. Se não for hoje, será amanhã, depois de amanhã... E o dinheiro guardado? Não poderia servir para mim, que estou moço e com pleno direito ao futuro?... 

O aguaceiro caía sempre, na tarde fria. O rapaz, hesitante, bateu à porta da choupana molhada. — «Seu» Licurgo! «Seu» Licurgo!... E, ante o rosto assombrado do velhinho que assomara à janela, informou: — Se o senhor não quer morrer, não demore. Mais um pouco de tempo e as águas chegarão. Todos os vizinhos já se foram... — Não, não... — resmungou o proprietário —, moro aqui há muitos anos. Tenho confiança em Deus e no rio... Não sairei. — Venho fazer-lhe um favor... — Agradeço, mas não sairei. 

Tomado de criminoso impulso, o barqueiro empurrou a porta mal fechada e avançou sobre o velho, que procurou em vão reagir. — Não me mate, assassino! A voz rouquenha, contudo, silenciou nos dedos robustos do jovem. Quirino largou para um lado o corpo amolecido, como traste inútil, arrebatou pequeno molho de chaves do grande cinto e, em seguida, varejou todos os escaninhos... Gavetas abertas mostravam cédulas mofadas, moedas antigas e diamantes, sobretudo diamantes. Enceguecido de ambição, o moço recolhe quanto acha. A noite chuvosa descera completa... Quirino toma os despojos da vítima num cobertor e, em minutos breves, o cadáver mergulha no rio. Logo após, volta à casa despovoada, recompõe o ambiente e afasta-se, enfim, carregando a fortuna. Passado algum tempo, o homicida não vê que uma sombra se lhe esgueira à retaguarda. É o Espírito de Licurgo, que acompanha o tesouro. Pressionado pelo remorso, o barqueiro abandona a região e instala-se em grande cidade, com pequena casa comercial, e casa-se, procurando esquecer o próprio arrependimento, mas recebe o velho Licurgo, reencarnado, por seu primeiro filho...”-–( FEB )-



Que a graça e a paz sejam conosco!

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O princípio de ação e reação



“Importa, porém, caminhar hoje, amanhã e no dia seguinte.” - Jesus - ( São Lucas, 13: 33 )



Amados irmãos, bom dia!
O Entendimento da lei de Causa e Efeito nos permite compreender, em plenitude, a justiça perfeita de Deus. Como sabemos, nada é por acaso, logo, vamos meditar com  atenção nos preciosos ensinamentos que se seguem.








O princípio de ação e reação

“A “lei de ação e reação”, ou princípio de causa e efeito, está relacionada à Lei de Liberdade e à sábia manifestação da Justiça e Bondade Divinas. Os atos praticados contra a Lei de Liberdade, própria ou alheia, nos conduzem à questão do livre-arbítrio, assim resumida: [...] O homem não é fatalmente levado ao mal; os atos que pratica não foram previamente determinados; os crimes que comete não resultam de uma sentença do destino. Ele pode, por prova e por expiação, escolher uma existência em que seja arrastado ao crime, quer pelo meio onde se ache colocado, quer pelas circunstâncias que sobrevenham, mas será sempre livre de agir ou não agir. Assim, o livre-arbítrio existe para ele, quando no estado de Espírito, ao fazer a escolha da existência e das provas e, como encarnado, na faculdade de ceder ou de resistir aos arrastamentos a que todos nos temos voluntariamente submetido.

Cabe à educação combater essas más tendências.

Devemos ressaltar que sem [...] o livre-arbítrio, o homem não teria nem culpa por praticar o mal, nem mérito em praticar o bem. E isto a tal ponto está reconhecido que, no mundo, a censura ou o elogio são feitos à intenção, isto é, à vontade. Ora, quem diz vontade diz liberdade. Nenhuma desculpa poderá, portanto, o homem buscar, para os seus delitos, na sua organização física, sem abdicar da razão e da sua condição de ser humano, para se equiparar ao bruto.

O homem possui o suficiente livre-arbítrio para tomar decisões, e, se [...] ele cede a uma sugestão estranha e má, em nada lhe diminui a responsabilidade, pois lhe reconhece o poder de resistir, o que evidentemente lhe é muito mais fácil do que lutar contra a sua própria natureza. Assim, de acordo com a Doutrina Espírita, não há arrastamento irresistível: o homem pode sempre cerrar ouvidos à voz oculta que lhe fala no íntimo, induzindo-o ao mal, como pode cerrá-los à voz material daquele que lhe fale ostensivamente.

Essa teoria da causa determinante dos nossos atos ressalta com evidência de todo o ensino que os Espíritos hão dado. Não só é sublime de moralidade, mas também, acrescentaremos, eleva o homem aos seus próprios olhos. Mostra-o livre de subtrair-se a um jugo obsessor, como livre é de fechar sua casa aos importunos. Ele deixa de ser simples máquina, atuando por efeito de uma impulsão independentemente da sua vontade, para ser um ente racional, que ouve, julga e escolhe livremente de dois conselhos um. Aditemos que, apesar disto, o homem não se acha privado de iniciativa, não deixa de agir por impulso próprio, pois que, em definitiva, ele é apenas um Espírito encarnado que conserva, sob o envoltório corporal, as qualidades e os defeitos que tinha como Espírito.

Conseguintemente, as faltas que cometemos têm por fonte primária a imperfeição do nosso próprio Espírito, que ainda não conquistou a superioridade moral que um dia alcançará, mas que, nem por isso, carece de livre-arbítrio.

A Justiça e Bondade Divinas estão evidentes nas manifestações da lei de causa e efeito. Desde [...] que admita a existência de Deus, ninguém o pode conceber sem o infinito das perfeições. Ele necessariamente tem todo o poder, toda a justiça, toda a bondade, sem o que não seria Deus. Se é soberanamente bom e justo, não pode agir caprichosamente, nem com parcialidade. Logo, as vicissitudes da vida derivam de uma causa e, pois que Deus é justo, justa há de ser essa causa. Isso o de que cada um deve bem compenetrar-se. Sendo infinita a justiça de Deus, o bem e o mal são rigorosamente considerados, não havendo uma só ação, um só pensamento mau que não tenha consequências fatais, como não há uma única ação meritória, um só bom movimento da alma que se perca, mesmo para os mais perversos, por isso que constituem tais ações um começo de progresso. Se admitimos a Justiça de Deus, não podemos deixar de admitir que esse efeito tem uma causa; e se esta causa não se encontra na vida presente, deve achar-se antes desta, porque em todas as coisas a causa deve preceder ao efeito; há, pois, necessidade de a alma já ter vivido, para que possa merecer uma expiação.

A expiação é, assim, a manifestação da lei de causa e efeito em decorrência de faltas anteriormente cometidas.

Dessa forma, toda [...] falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga. O Espírito sofre, quer no mundo corporal, quer no espiritual, a consequência das suas imperfeições. As misérias, as vicissitudes padecidas na vida corpórea, são oriundas das nossas imperfeições. O fato de haver uma relação de causalidade nos problemas, doenças e dores que enfrentamos — consequência de nossas ações — não significa que as causas estejam necessariamente em vidas anteriores.

Muitos males que nos afligem têm origem em nosso comportamento na vida atual.

E há enfermidades, limitações e deficiências físicas que são decorrentes de mau uso, isto é, usamos mal o corpo e lhe provocamos estragos. [...] Isso acontece particularmente com vícios e indisciplinas que geram graves problemas de saúde. Por esta razão, ensinam os Espíritos Superiores: De duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, promanam de duas fontes diferentes, que importa distinguir. Umas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida. Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são consequência natural do caráter e do proceder dos que os suportam. É na vida corpórea que o Espírito repara o mal de anteriores existências, pondo em prática resoluções tomadas na vida espiritual. Assim se explicam as misérias e vicissitudes da vida mundana que, à primeira vista, parecem não ter razão de ser. Justa são elas, no entanto, como espólio do passado. A quem, então, há de o homem responsabilizar por todas essas aflições, senão a si mesmo? O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para sua vaidade acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a sua incúria.

O Entendimento [...] da lei de Causa e Efeito nos permite compreender, em plenitude, a justiça perfeita de Deus. Sentimos que tudo tem uma razão de ser, que nada acontece por acaso. Males e sofrimentos variados que enfrentamos estão relacionados com o nosso passado [recente ou remoto]. É a conta a pagar. Mas há outro aspecto, muito importante: Se a dor é a moeda pela qual resgatamos o passado, Deus nos oferece abençoada alternativa – o Bem. Todo esforço em favor do próximo amortiza nossos débitos, tornando mais suave o resgate.

Em Mateus, capítulo 26, versículos 47-52, encontramos referências ao princípio de ação e reação: “E estando ele ainda a falar, eis que veio Judas, um dos doze, e com ele grande multidão com espadas e varapaus, vinda da parte dos principais sacerdotes e dos anciãos do povo. Ora, o que o traía lhes havia dado um sinal, dizendo: Aquele que eu beijar, esse é: prendei-o. E logo, aproximando-se de Jesus, disse: Salve, Rabi. E o beijou. Jesus, porém, lhe disse: Amigo, a que vieste? Nisto, aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus, e o prenderam. E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou da espada e, ferindo o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe uma orelha. Então Jesus lhe disse: Mete a tua espada no seu lugar; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.” Lucas informa que, em seguida, Jesus tocou a orelha do homem e a curou.

O apóstolo Paulo diz algo semelhante na Epístola aos Gálatas (capítulo 6, versículo 7): “Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” Vemos, assim, que há [...] uma relação de causalidade entre o mal que praticamos e o mal que sofremos depois. O prejuízo que impomos ao semelhante é débito em nossa conta, na contabilidade divina. Entretanto, é oportuno lembrar que não devemos confundir a lei de causa e efeito com a pena de Talião ou com a legislação de Moisés, que preconizam “dente por dente” e “olho por olho”. A lei de causa e efeito, segundo o entendimento espírita, refere-se tanto à manifestação da justiça, bondade e misericórdia divinas quanto à necessidade evolutiva do ser humano de reparar erros cometidos, decorrentes das inflações cometidas contra a Lei de Liberdade. Quando [...] Jesus afirma que quem usa a espada com a espada perecerá, ou Paulo proclama que tudo o que semearmos colheremos, reportam-se ao fato de que receberemos de volta todo o mal que praticarmos, em sofrimentos correspondentes, não necessariamente idênticos, o que equivaleria à sua perpetuação. [...] As sanções divinas não dependem do concurso humano. Todo prejuízo causado ao semelhante provocará desajustes em nosso corpo espiritual, o perispírito, os quais, nesta mesma existência ou em existências futuras, se manifestarão na forma de males redentores”. -( FEB )- 






Que a graça e a paz sejam conosco!

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Livre-arbítrio e fatalidade


“Importa, porém, caminhar hoje, amanhã e no dia seguinte.” - Jesus - ( Lucas, 13: 33 ) -



Amados irmãos, bom dia!
Muitas vezes não compreendemos certos acontecimentos que temos de vivenciar. Como nada é por acaso, hoje iremos estudar as razões que os originam. Toda a nossa caminhada é acompanhada por nosso Pai celestial e tanto nossos sucessos quanto os fracassos tem origem em nossas próprias escolhas.






Livre-arbítrio e fatalidade


“A Doutrina Espírita ensina que a [...] fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer.

Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino, que é a consequência mesma da posição em que vem a achar-se colocado [...].

Essas provas planejadas são de natureza física (deficiências no corpo físico, doenças, limitações financeiras etc.), [...] pois, pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o livre-arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou de resistir. Ao vê-lo fraquear, um bom Espírito pode vir-lhe em auxílio, mas não pode influir sobre ele de maneira a dominar-lhe a vontade.

As doutrinas que pregam a existência de um fatalismo comandando a vida da pessoa em todos os sentidos, do nascimento à morte, ensinam [...] que todos os acontecimentos estão previamente fixados por uma causa sobrenatural, cabendo ao homem apenas o regozijar-se, se favorecido com uma boa sorte, ou resignar-se, se o destino lhe for adverso. Os predestinacionistas baseiam-se na soberania da graça divina, ensinando que desde toda a eternidade algumas almas foram predestinadas a uma vida de retidão e, depois da morte, à bem-aventurança celestial, enquanto outras foram de antemão marcadas para uma vida reprovável e, consequentemente, precondenadas às penas eternas do inferno.

Se Deus regula, antecipadamente, todos os atos e todas as vontades de cada indivíduo – argumentam –, como pode este indivíduo ter liberdade para fazer ou deixar de fazer o que Deus terá decidido que ele venha a fazer? Os deterministas, a seu turno, sustentam que as ações e a conduta do indivíduo, longe de serem livres, dependem integralmente de uma série de contingências a que ele não pode furtar-se, como os costumes, o caráter e a índole da raça a que pertença; o clima, o solo e o meio social em que viva; a educação, os princípios religiosos e os exemplos que receba; além de outras circunstâncias não menos importantes, quais o regime alimentar, o sexo, as condições de saúde, etc.

Essas doutrinas, como se vê, reduzem o homem a simples autômato, sem mérito nem responsabilidade.

O Espiritismo nos apresenta ensinamentos mais concordantes com a justiça, bondade e misericórdia divinas. A fatalidade é entendida como um produto do livre-arbítrio, cujos acontecimentos resultam de escolhas previamente definidas, na maioria das vezes, no plano espiritual. Essas escolhas refletem sempre a necessidade de progresso espiritual, e podem ser modificadas segundo o livre-arbítrio da pessoa, ou replanejadas, em se considerando o benefício que pode resultar para alguém. Na verdade, o planejamento reencarnatório é flexível, adaptado às circunstâncias e aos resultados esperados. É por esta razão que os Espíritos Superiores afirmam: A fatalidade, verdadeiramente, só existe quanto ao momento em que deveis aparecer e desaparecer deste mundo. Afastada, nesta situação, a hipótese do suicídio — sempre vista como uma transgressão à Lei Divina —, não devemos temer qualquer perigo que ameace a nossa integridade física, porque não pereceremos se a nossa hora não tiver chegado. Porém, é oportuno destacar que, pelo fato de ser infalível a hora da morte, não se deve deduzir que sejam inúteis as precauções para evitá-la. O fato de o homem pressentir que a sua vida corre perigo constitui um aviso dos bons Espíritos para que se desvie do mal e reprograme seus atos.

Existem pessoas que parecem ser perseguidas por uma fatalidade, independentemente da maneira como procedem. Neste caso, são provas que, escolhidas anteriormente, aconteceriam de qualquer forma. No entanto, devemos considerar a hipótese de que tais provações reflitam apenas as consequências de faltas cometidas em razão de atos impensados, na atual existência.

O exercício do livre-arbítrio, tendo em vista a nossa felicidade espiritual, é uma tarefa árdua que devemos persistir sem desânimo. A luta e o trabalho são tão imprescindíveis ao aperfeiçoamento do espírito como o pão material é indispensável à manutenção do corpo físico. É trabalhando e lutando, sofrendo e aprendendo, que a alma adquire as experiências necessárias na sua marcha para a perfeição. Nunca há fatalidade nas opções morais, pois uma decisão pessoal infeliz não deve ser vista como uma má-sorte ou como imposição de Deus aos seus filhos. Esta é a razão de os Espíritos Superiores nos afirmarem: [...] Ora, aquele que delibera sobre uma coisa é sempre livre de fazê-la, ou não. Se soubesse previamente que, como homem [encarnado], teria que cometer um crime, o Espírito estaria a isso predestinado. Ficai, porém, sabendo que ninguém há predestinado ao crime e que todo crime, como qualquer outro ato, resulta sempre da vontade e do livre-arbítrio. Em suma, a fatalidade que parece presidir aos destinos, é resultante de escolhas estipuladas no nosso planejamento reencarnatório e do nosso livre-arbítrio nas ações cotidianas. Dessa forma, atentos à orientação que um dos Espíritos da Codificação nos dá: Tu mesmo escolheste a tua prova. Quanto mais rude ela for e melhor a suportares, tanto mais te elevarás. Os que passam a vida na abundância e na ventura humana são Espíritos pusilânimes, que permanecem estacionários. Assim, o número dos desafortunados é muito superior ao dos felizes deste mundo, atento que os Espíritos, na sua maioria, procuram as provas que lhes sejam mais proveitosas. [...] Acresce que a mais ditosa existência é sempre agitada, sempre perturbada, quando mais não seja, pela ausência da dor”. -( FEB )-






Que a graça e a paz sejam conosco!

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Livre-arbítrio e responsabilidade


“E o fogo provará qual seja a obra de cada um.” -(São Paulo, 1ª Epístola aos Coríntios, Cap. 3: 13 )-


Amados irmãos, bom dia!
Deus nos deu a liberdade e o livre-arbítrio como instrumentos de felicidade e precisamos fazer uso ideal, pois, é por eles que seremos medidos. Apoiando-nos nos santos ensinamentos do nosso Mestre Jesus e com a colaboração dos bons Espíritos temos todo o necessário para nosso caminhar seguro.







Livre-arbítrio e responsabilidade

“O livre-arbítrio é [...] a faculdade que tem o indivíduo de determinar a sua própria conduta, ou, em outras palavras, a possibilidade que ele tem de, entre duas ou mais razões suficientes de querer ou de agir, escolher uma delas e fazer que prevaleça sobre as outras.

O livre-arbítrio é a condição básica para que a pessoa programe a sua vida e construa o seu futuro, entendendo, porém, que os direitos, limitações e capacidades individuais devem ser respeitados pelas regras da vida em sociedade. A pessoa percebe, instintivamente, os limites da sua liberdade, uma vez que, intrinsecamente livre, criado por Deus para ser feliz, o homem traz na própria consciência a compreensão desses limites. O direito natural de liberdade está atrelado ao de responsabilidade, ou seja, quanto mais livre é o indivíduo, mais responsável ele é.

A responsabilidade produz o amadurecimento do Espírito ao longo das experiências vividas nos planos material e espiritual.

As noções de responsabilidade são observadas, inicialmente, no cumprimento dos deveres sociais e morais para consigo mesmo e para com o próximo em geral. À medida que aprende a associar as noções de liberdade e de responsabilidade, a pessoa melhor exercita o seu livre-arbítrio, sendo impulsionada por um sentimento superior, que lhe permite desenvolver ações de amor ao próximo. O ser humano responsável sabe, na verdade, dosar os próprios limites, entendendo que a sua liberdade termina onde começa a do próximo. O homem tem livre-arbítrio de seus atos porque tem a liberdade de pensar e de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria uma máquina não teria responsabilidade sobre o mal que praticasse, nem mérito pelo bem que fizesse. O livre-arbítrio que considera a lei de liberdade e o senso de responsabilidade, habilita o Espírito a agir equilibradamente nas diferentes situações do cotidiano. Deus nos deu a liberdade e o livre-arbítrio como instrumentos de felicidade. A liberdade nos é concedida para que possamos ter uma visão mais lúcida de nós mesmos e das demais pessoas, de forma a discernir que papel devemos exercer na sociedade, quais são os nossos limites e possibilidades, assim como os dos semelhantes. Devemos considerar que há [...] liberdade de agir, desde que haja vontade de fazê-lo.

Nas primeiras fases da vida, quase nula é a liberdade, que se desenvolve e muda de objeto com o desenvolvimento das faculdades. Estando seus pensamentos em concordância com o que a sua idade reclama, a criança aplica o seu livre-arbítrio àquilo que lhe é necessário. A criança, sendo menos livre em razão de suas limitações naturais é, consequentemente, menos responsável pelos próprios atos. O adulto é considerado responsável pelos seus atos e suas atitudes porque suas faculdades orgânicas e psíquicas estão desenvolvidas, devendo, desta forma, assumir as consequências das ações praticadas.

Não podemos deixar de considerar, entretanto, que o processo de amadurecimento espiritual é gradual, estando diretamente subordinado à lei do esforço próprio. As nossas imperfeições espirituais refletem o nosso estado evolutivo. Nesse sentido, os Orientadores Espirituais nos esclarecem que as [...] predisposições instintivas são as do Espírito antes de encarnar. Conforme seja este mais ou menos adiantado, elas podem arrastá-lo à prática de atos repreensíveis, no que será secundado pelos Espíritos que simpatizam com essas disposições. Não há, porém, arrastamento irresistível, uma vez que se tenha a vontade de resistir [...].

O Espírito que, de algum modo, já armazenou certos valores educativos, é convocado para esse ou aquele trabalho de responsabilidade junto de outros seres em provação rude, ou em busca de conhecimentos para a aquisição da liberdade. Esse trabalho deve ser levado a efeito na linha reta do bem, de modo que [...] seja o bom cooperador de seu Pai Supremo, que é Deus.

O administrador de uma instituição, o chefe de uma oficina, o escritor de um livro, o mestre de uma escola, têm a sua parcela de independência para colaborar na obra divina, e devem retribuir a confiança espiritual que lhes foi deferida. Os que se educam e conquistam direitos naturais, inerentes à personalidade, deixam de obedecer, de modo absoluto, no determinismo da evolução, porquanto estarão aptos a cooperar no serviço das ordenações, podendo criar as circunstâncias para a marcha ascensional de seus subordinados ou irmãos em humanidade, no mecanismo de responsabilidade da consciência esclarecida.

Em suma, pode dizer-se que a [...] liberdade e a responsabilidade são correlativas no ser e aumentam com sua elevação; é a responsabilidade do homem que faz sua dignidade e moralidade. Sem ela, não seria ele mais do que um autômato, um joguete das forças ambientes: a noção de moralidade é inseparável da de liberdade. A responsabilidade é estabelecida pelo testemunho da consciência, que nos aprova ou censura segundo a natureza de nossos atos. [...] Se a liberdade humana é restrita, está pelo menos em via de perfeito desenvolvimento, porque o progresso não é outra coisa mais do que a extensão do livre-arbítrio no indivíduo e na coletividade. [...] O livre-arbítrio é, pois, a expansão da personalidade e da consciência. Para sermos livres é necessário querer sê-lo e fazer esforço para vir a sê-lo, libertando-nos da escravidão da ignorância e das paixões baixas, substituindo o império das sensações e dos instintos pelo da razão”. -( FEB )-






Que a graça e a paz sejam conosco!

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Liberdade de pensar e liberdade de consciência






Amados irmãos, bom dia!
Hoje iniciamos os estudos sobre as leis morais. O textos que apresentaremos nos oferecem oportunidade para refletir a respeito da conduta moral ante os imperativos da nossa evolução espiritual.
Que os bons Espíritos sejam conosco a fim de que possamos compreender esses ensinamentos e os tornar vivos em nossa caminhada.



Liberdade de pensar e liberdade de consciência


"Liberdade é a faculdade que permite ao indivíduo decidir ou agir conforme sua própria vontade. Desta forma, o [...] homem é, por natureza, dono de si mesmo, isto é, tem o direito de fazer tudo quanto achar conveniente ou necessário à conservação e ao desenvolvimento de sua vida. Essa liberdade, porém, não é absoluta, e nem poderia sê-lo, pela simples razão de que, convivendo em sociedade, o homem tem o dever de respeitar esse mesmo direito em cada um de seus semelhantes.

Para que o homem pudesse gozar de liberdade absoluta, seria necessário que ele vivesse isolado, como o eremita no deserto. Desde que juntos estejam dois homens, há entre eles direitos recíprocos que lhes cumpre respeitar.

A liberdade é, portanto, relativa, devendo ser adequada à liberdade do outro, pois a liberdade e o direito de uma pessoa terminam onde começam a liberdade e o direito do outro. 

A compreensão da lei de liberdade nos faz perceber que, para progredir, precisamos uns dos outros e que todos temos direitos recíprocos, que precisam ser respeitados, uma vez que qualquer prejuízo que provoquemos ao semelhante, em decorrência dos nossos atos, não ficará impune perante a Lei de Deus. É por esta razão que o ensinamento de Jesus de não fazer aos outros o que não gostaríamos que os outros nos fizessem (Mateus, 7:12) — ensinamento conhecido como regra de ouro — estabelece os limites da nossa liberdade e nos orienta como viver em sociedade, conforme os direitos e os deveres que nos cabem. A lei de liberdade é bem compreendida quando aprendemos a fazer relação entre a liberdade de pensar e a liberdade de consciência. Como sabemos, a liberdade de pensar é plena no ser humano: No pensamento goza o homem de ilimitada liberdade, pois que não há como pôr-lhe peias. [...] Voando nas asas do pensamento, a mente espiritual reflete as próprias idéias e as idéias das mentes com as quais se afiniza, nos processos naturais de sintonia. 

Nos seres primitivos, [a mente] aparece sob a ganga do instinto, nas almas humanas surge entre as ilusões que salteiam a inteligência, e revela-se nos Espíritos Aperfeiçoados por brilhante precioso a retratar a Glória Divina. Estudando-a de nossa posição espiritual, confinados que nos achamos entre a animalidade e a angelitude, somos impelidos a interpretá-la como sendo o campo de nossa consciência desperta, na faixa evolutiva em que o conhecimento adquirido nos permite operar.

Compreende-se, pois, que o pensamento tudo move, [...] criando e transformando, destruindo e refazendo para acrisolar e sublimar. [...]

A consciência, nesse contexto, representa, como nos esclarecem os Espíritos da Codificação, um pensamento íntimo, que pertence ao homem, como todos os outros pensamentos. Ela é o [...] centro da personalidade, centro permanente, indestrutível, que persiste e se mantém através de todas as transformações do indivíduo. A consciência é não somente a faculdade de perceber, mas também o sentimento que temos de viver, agir, pensar, querer. É una e indivisível. [...] No entanto, à medida que os Espíritos evoluem, a consciência do bem e do mal está mais bem definida neles, de sorte que a liberdade de consciência, regulando as relações interpessoais, reflete [...] um dos caracteres da verdadeira civilização e progresso. A consciência, entendida como faculdade de estabelecer julgamentos morais ou juízos de valor, é um atributo pelo qual o homem pode conhecer e julgar sua realidade e a realidade do outro. Os julgamentos feitos pela consciência e as interpretações de atos e fatos do cotidiano apresentam limitações, visto que estão fundamentados em parâmetros morais que cada um estabelece para si. É ela fruto de experiências e crenças individuais, elaboradas no contexto cultural onde a criatura humana está inserida, e que se manifesta de acordo com a evolução  espiritual do ser. Assim, enquanto a liberdade de pensar é ilimitada, a liberdade de consciência sofre restrição, já que depende do nível evolutivo do Espírito. A consciência não esclarecida pode alimentar idéias malsãs, gerar e provocar ações moral e eticamente abusivas, resultando na manifestação de sofrimentos e desarmonias para si mesma e para o próximo. Os embaraços à liberdade de consciência, a propagação de doutrinas perniciosas e a escravidão humana são exemplos de desvios provocados por Espíritos imperfeitos, dominados pelo orgulho e pelo egoísmo. Devemos agir com cautela quando condenamos as ações, as idéias ou as crenças das pessoas, a fim de que não atentemos contra a liberdade de consciência. No entanto, é oportuno considerar que reprimir [...] os atos exteriores de uma crença, quando acarretam qualquer prejuízo a terceiros, não é atentar contra a liberdade de consciência, pois que essa repressão em nada tira à crença a liberdade, que ela conserva integral. Por outro lado, sempre que nos é possível, podemos e devemos trazer ao caminho da verdade os que se transviaram, servindo-nos, a exemplo de Jesus, da brandura e da persuasão e não da força. Como nos esclarecem os Espíritos superiores, se [...] alguma coisa se pode impor, é o bem e a fraternidade. Mas não cremos que o melhor meio de fazê-los admitidos seja obrar com violência. A convicção não se impõe. Outro abuso da manifestação da consciência é a escravidão, ou seja, a submissão da vontade, do cerceamento da liberdade de ir e vir, de agir e de pensar do ser. A escravidão, independentemente das formas em que se manifeste, é contrária à lei de Deus, porque é um abuso de força, mesmo quando faz parte dos costumes de um povo. É contrária à Natureza a lei humana que consagra a escravidão, pois que assemelha o homem ao irracional e o degrada física e moralmente. 

A escravidão humana é um mal. E o [...] mal é sempre o mal e não há sofisma que faça se torne boa uma ação má. A responsabilidade, porém, do mal é relativa aos meios de que o homem disponha para compreendê-lo. Aquele que tira proveito da lei da escravidão é sempre culpado de violação da lei da Natureza. A despeito de todo sofrimento existente no Planeta, é certo que a Humanidade tem progredido, ocorrendo uma preocupação mundial de valorizar a paz entre os povos e entre os indivíduos: De século para século, menos dificuldade encontra o homem para pensar sem peias e, a cada geração que surge, mais amplas se tornam as garantias individuais no que tange à inviolabilidade do foro íntimo. [...] Nas dissensões religiosas, as chamas das fogueiras foram substituídas pelas luzes do esclarecimento, e na catequese filosófica ou política, estejamos certos, daqui para o futuro, buscar-se-á empregar, cada vez mais, a força da persuasão ao invés da imposição pela força". -( FEB )-







Que a graça e a paz sejam conosco!